sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Bom Jesus

O grande Ribinha

Povo muito bem humorado, o piauiense. É uma virtude surgida da dificuldade, do sofrimento, da necessidade de rir. Assim como os judeus são os maiores humoristas do planeta, os nordestinos, tirando a Bahia que canta, são os maiores do Brasil.

Certa vez caí na besteira de fazer piada com o atraso do Piauí e burramente, usando um piada velha, provavelmente inventada por um piauiense só pra pegar gente metida a besta como eu.

O Ribinha era um cabrinha assim, sabe, cabecinha chata, carinha de abestado, mas esperto que só camelô no meio de turista. Era locutor da rádio Cultura do Gurguéia.

O Vale do Gurguéia é muito rico de belezas naturais chega a lembrar a selva amazônica. Chove muito e também faz um calor do Piauí. Não falei calor do inferno porque dizem que o Piauí é muito mais quente.

O Ribinha brincava comigo a respeito da seca do Ceará. Com uma bola de sinuca na mão dizia: “Braga, olha! Isso aqui é que é cor verde, ta vendo? E todo mundo ria com o Ribinha e de mim, que ria também e esperava o momento de devolver.

Eu devia mesmo ter ficado calado, mas não teria essa história pra contar. O Ribinha continuou na “alugação”, que naquele tempo se chamava “pegando no pé”.

- Vocês sabiam que lá no Ceará não tem pano de sinuca verde? Tem de toda cor: encarnado, amarelo, roxo, mas verde não tem, não! Se o dono da sinuca botar pano verde, jumento pensa que é capim, vai lá e come a sinuca!

Bom, aí perdi a esportiva e o bom senso. Resolvi me defender na mesma moeda. Quem era Ribinha pra me desmoralizar, falar daquela maneira sobre a minha terra! Não, eu não podia mais permanecer calado.

- Ô, Ribinha, logo você falar mal do Ceará, que é nascido em um lugar cujo a única coisa que vai pra frente é o atraso. Tão atrasado que até pouco tempo a bandeira do Piauí era um couro véi de bode esticado num pedaço de bambu. É ou não é?

-Era. Você tem razão, amigo Braga. A bandeira do Piauí realmente era assim como você falou, mas tivemos que mudar pra uma de pano porque passou por aqui um cearense fugindo da seca e, morrendo de fome comeu o couro véi e levou o bambu, não sei pra fazer o quê.

3 comentários:

Aldo Nascimento disse...

Braga, estarei no Rio na primeira semana de janeiro de 2008. Você foi a Maricá, a Saquarema?

Se vocês quiserem, podemos fazer um ótimo passeio de carro.

UM abraço!
Aldo Nascimento

Cartunista Braga disse...

Ê,Aldinho! Espero estar aqui, ainda. Claro que nós queremos! Né, Soraya? Ela disse que sim!

Anônimo disse...

então, esses são os poços jorrantes? Linda foto.Gostei da história da bandeira de couro véi.Conte mais dessas.