
Só para ser politicamente incorreto
Márcio Chocorosqui*
Alguém faz uma proposta instigante ao modesto escriba:
— Por que não escrever algo politicamente incorreto?
— O quê, por exemplo?
— Talvez um texto que defenda o consumo do cigarro ou algo do tipo.
Então foi plantada uma semente. Eis que nasceu este pé de fumo, que não recomendo seja cultivado. Vejamos:
O cigarro traz grandes benefícios para a economia de um país. Gera milhares de empregos nas fábricas e plantações do tabaco, arrecada muito em impostos e, por mais estranho que pareça, ajuda a economizar na área de saúde. Pois a morte antecipada de fumantes propicia ao governo a redução de gastos com idosos e com o sistema de pensão e da previdência social.
Significa que o cigarro contribui para diminuir o número de pessoas que dão despesa na saúde pública, porque, muitas delas, se fumam, morrem antes do tempo. Com menos gente para cuidar, sobremodo na velhice, mais economia para os cofres públicos. Por outro lado, há de se destacar as vantagens que o fumo proporciona ao indivíduo. Entre as principais, estão os efeitos terapêuticos e psicológicos do tabaco: serve para acalmar os nervos, reduzindo o estresse e a ansiedade; ajuda a pensar melhor, aumentando a capacidade de concentração; consola nas horas de sofrimento, funcionando como um paliativo para as dores do espírito.
E não é somente isso. O cigarro emagrece, à medida que colabora para a diminuição gradual do paladar, tirando um tanto do sabor dos alimentos. Por isso, quando alguém para de fumar, tende a aumentar de peso. Além de contribuir para o controle da obesidade, um sério problema contemporâneo, o cigarro não embriaga, como o álcool. Se, ao invés de ingerir algumas cervejas, o indivíduo fumar uma carteira de cigarro e for dirigir seu automóvel, normalmente estará isento do risco de causar um grave acidente de trânsito. Já um bêbado...
Outra coisa: fumar é elegante. Existe uma satisfação estética na ação do fumante em tragar e soltar a fumaça com charme. Algumas formas de manifestação da arte exploram esse lado estético do tabagismo. O cinema é um exemplo sempre lembrado. O filme Casablanca, de Michael Curtiz, é uma citação clássica. Já na música, cita-se a ópera Carmen, de Bizet. Na literatura, os poemas de Mallarmé, entre outros. Lembro-me desses versos de “Vagabundo”, escrito por Álvares de Azevedo:
Eu durmo e vivo ao sol como um cigano,
Fumando meu cigarro vaporoso;
Nas noites de verão namoro estrelas;
Sou pobre, sou mendigo e sou ditoso!
Nessa estrofe, nota-se a expressão do personagem completamente despojado, que vive ao léu, livre das convenções sociais. No caso, o cigarro está associado à transgressão. E sempre foi ligado também a lutas de liberação sexual e política. Como se tudo isso não bastasse, fumar é legal. Ou seja, o cigarro é vendido livremente a qualquer pessoa, maior de idade, que queira consumi-lo. E não existe mais propaganda da indústria do tabaco. Trata-se de uma questão de escolha individual, de livre-arbítrio. O fumante sabe que o fumo é prejudicial à saúde. Se escolhe fumar, está por sua própria conta e risco.
A propósito, é interessante a conclusão do autor de Cigarros são sublimes, Richard Klein, crítico literário americano: “a própria vida é uma doença progressiva da qual só nos recuperamos postumamente. Se ter saúde é estar livre da doença, só se consegue ser saudável por meio da morte”. Eis aí: apenas algumas palavras filosóficas para encerrar o assunto.
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Márcio Chocorosqui escreve
Postado por
Cartunista Braga
às
Quinta-feira, Novembro 12, 2009
0
comentários
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Professor Bené escreve
O patrão dá com uma mão, o banco tira com as duas
Beneilton Damasceno *
benedamasceno@pagina20.com.br
Recebi faz umas três semanas, via celular, ligação da minha gerente de relacionamento de um banco estatal do qual sou correntista desde 1988, pouco antes do confisco da era Collor de Mello. Apreensiva com minha angustiada trajetória financeira como servidor da Ufac, graças às constantes investidas do Tribunal de “Cortes” da União (TCU), a generosa bancária me propôs um “empurrãozinho” providencial na modalidade pegar-ou-largar.
Na simulação, ainda pelo telefone, chutei alguma coisa perto de R$ 30 mil. Não demorou dois segundos e o cálculo estava prontinho (depois que inventaram esse tal de Excel, ninguém mais precisa consumir neurônios à toa para somar oito mais sete): o banco, cujo nome não vou revelar – apenas sei que é, com certeza, do Brasil -, me repassaria, ato contínuo, o valor proposto e subtrairia em folha, durante cinco anos, R$ 854 todo mês.
Nem precisei do Excel – a calculadora do próprio celular me auxiliou bastante naquele momento. O sonho de trocar o Ford Ka 2002 azul-celeste por um veículo mais robusto evaporou-se em questão de minutos. As sessenta prestações somariam R$ 51.240, numa humilhante taxa de juros de 72 por cento durante esse período. Nem pensei em pechinchar.
Tanta facilidade assim me fez recordar o drama dos barnabés da minha época para conseguir um mísero empréstimo algumas décadas atrás. Agora, com um caixa eletrônico ao lado de cada botequim e o CDC acessível a quem interessar possa, basta ter na mão pelo menos um dedo saudável e o desejo inamovível de se endividar “ad eternum”, e o milagre acontece! Falta pouco para as cédulas descerem por um buraco qualquer feito no PC do cidadão ou mesmo pela impressora.
Voltando ao assunto… Em 1977, quando trabalhava no Serda (antiga imprensa oficial), um colega igualmente mal-remunerado conhecido por “Galo Branco” peregrinou durante um semestre nas agências do então Banacre, Caixa Econômica e Banco do Brasil. Implorava por 14 mil cruzeiros. “Caso de vida ou morte”, costumava repetir, resignado, gerando comoção no restante da confraria. Apesar da demora, tudo caminhava na normalidade, mas a liberação do principal dependia, infelizmente, de um personagem tão difícil quanto alcançar a porta do céu: o danado do avalista.
Mas “Galo Branco”, que era brasileiro e não desistia nunca, foi abençoado com a proposta do comparsa “Carlinhos Pipira” de assinar o documento, exigindo como cachê uma grade de cerveja San Juan, importada da cidade peruana de Pucallpa e que fazia enorme sucesso na cidade. Na sexta-feira seguinte, o gerente ligou confirmando que o cheque já podia ser “distentado”.
Fim do expediente. O novo-rico acercou-se de outros dois parceiros e pôs em curso o “caso de vida ou morte” num inferninho todo cheio de luzes que mais parecia o disco voador da Lenilda Cavalcante. No bolso, os 14 mil cruzeiros (pouco mais de R$ 1.500 na moeda atualizada) nem esperaram as quatro da manhã para se converter em taças de uísque, honorários às mulheres da vida pelo item “prestação de serviços” e turnê por vários bairros de Rio Branco a bordo de táxi na temida bandeira 2. Os outros amigos do peito convidados para a boa ação foram o “Pedro Caveira” e o lendário “Pirra” (nascido Carlos Roberto Vieira da Mota), linotipista da empresa e cachaceiro registrado em cartório.
Aqui ou acolá, encontro “Galo Branco” nas imediações do prédio do Detran, na Estação Experimental. Conversa vai, conversa vem, todas as vezes deixo de fazer duas perguntinhas bem básicas: a primeira é confirmar informações de terceiros de que ele atua no ramo de empréstimo consignado por essas empresas que prometem os menores juros da praça sem consulta ao SPC ou à Serasa. A segunda, e mais óbvia, é saber o nome dele. Jamais tomei essa iniciativa nos dois anos em que fomos companheiros de profissão. Pensando bem, melhor assim. Afinal, ninguém tem como processar um desafeto por danos morais só porque mencionou seu apelido.
Postado por
Cartunista Braga
às
Terça-feira, Novembro 10, 2009
1 comentários
domingo, 1 de novembro de 2009
Nada
Neguim tinha uns doze anos quando viu ele chorando, por trás da bananeira, no fundo do quintal. Ficou espantado e parou. Até esqueceu que ia tomar banho dentro da caixa d’água, que ficava depois da bananeira. Aprendeu mais uma lição com ele. Aprendeu que herói chora.
Olhos vidrados, olhos molhados. Situação esquisita. Neguim não sabia se continuava ou voltava pra dentro de casa. Em pé, congelado, Neguim viu e ouviu o choro. Era um choro grande, o choro de um homem grande. Neguim não entendeu nada. Como era possível aquele homão chorar?
Neguim chorou de medo quando ele o puxou pelo braço, o ergueu contra o sol e o abraçou carinhosamente, um abraço bem apertado, daqueles de tirar o fôlego. Ele chorou grandemente, gemeu, urrou assustadoramente. Neguim pensou na pisa que ia levar, por que achou que ele tinha descoberto a desobediência da ordem de não nadar dentro da caixa d’água do fundo quintal.
Nada foi dito. Palavra não foi falada. Os dois choraram. Cada um por seu motivo. Os dois sofreram. Os dois se amaram. Neguim entendeu, inexplicavelmente, que aquilo era a última lição, que não era uma reprimenda, que não aprenderia dele mais nada, que não haveria mais lição nenhuma. Neguim o abraçou com mais força. Não queria largá-lo nunca mais.
Neguim viu o papel, com manuscrito ilegível, com carimbo borrado, com assinatura de médico, jogado no buraco do fundo do quintal, o buraco onde se enterrava o lixo, o buraco antes da bananeira que ficava antes da caixa d’água, a caixa d’água onde Neguim não nadou nunca mais.
Postado por
Cartunista Braga
às
Domingo, Novembro 01, 2009
4
comentários
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Reflexos
Sabe aquelas tiradas rápidas, aquelas piadas criadas de momento, de pura criatividade, como diz o Elson Dantas: “Só no reflexo.”? Pois é, aqui vão algumas que a memória me permite.
Marx Dantas
Chegando na redação do Página 20, bem vestido, sempre cheiroso, modernoso, cabelo impecável, unhas brilhando, o MD foi logo sapecando, com sua peculiar voz de locutor:
- Foi daqui que chamaram um homem?... Ele tá vindo ali atrás.
Pheyndews
Enquanto o Pheyndews Carvalho, nosso saudoso Fé, relaxava em sua rede, debaixo do chapéu-de-palha, no fundo do quintal, a Marinete passava o rodo na lamaceira que os “ninjas” (como o Fé se referia a Pedro e João, seus dois filhos mais novos) tinham levado, da piscina para a sala do computador. De repente a “Rainha da Floresta” escorrega numa poça e leva um baita tombo. Os garotos correm desesperados para acordar o pai, em busca de socorro. Fé, mesmo mal humorado, não perdeu o reflexo.
- Pai, pai! A mamãe caiu na área.
- Caiu na área? Então pode marcar que é pênalti!
Beneilton Damasceno
Após revisar, corrigir e copidescar a matéria, o professor Bené depara-se com um dilema ao ver a assinatura do autor do texto. Tratava-se do jornalista Diego, que possui um sobrenome bastante original: Pintro. Ora, como é corriqueiro no mundo das redações, words, teclados mal tratados e digitadores apressados, Bené foi tirar a dúvida com o editor Tião Vitor que prontamente esclareceu, confirmou e tranquilizou o nobre revisor.
- É Pintro mesmo, professor. Pode ficar sossegado.
O Rei dos Trocadilhos, professor Bené, não podia perder mais esse e sapecou:
- Tá vendo chefinho, se a gente não presta atenção. Se fosse um erro, o revisor é quem pagaria o “patro”!
Quando eu me lembrar, conto mais
Postado por
Cartunista Braga
às
Segunda-feira, Outubro 26, 2009
1 comentários
Sem comentários
Veja mais no Acredite se Quiser.
Postado por
Cartunista Braga
às
Segunda-feira, Outubro 26, 2009
0
comentários
Arquitetura do cacete
Veja mais no Acredite se Quiser
Postado por
Cartunista Braga
às
Segunda-feira, Outubro 26, 2009
2
comentários
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Digo nada!
Se você visse a mulher de seu amigo, num ato suspeito, de provável traição, você contaria pro "pobizim"? Pense bem! Diria é?
Pois eu não, num diria pro bidongado nem coscarai! Deixava ele descobrir sozinho, porque, inevitavelmente a gente sempre descobre, mesmo que seja depois que todo mundo e as capas do fundo já saibam.
Aprendi, faz é hora, que quando você fala um tipo de coisa dessas, perde o amigo, ganha fama de fuxiqueiro, mata a confiança do amigo, justamente quando você procura ser leal com ele, que inda diz mermo assim: - E tu sabia de tudo isso, o tempo todo, fí de rapariga, e num me disse nada!?
Termina que a mulher convence o malagradecido de que ela sempre foi fiel, que é tudo mentira, que fulano é só um primo-segundo que mora na colônia e "vei ver se arruma um jeito de ir pra Goiânia, pá se operar da prósta!".
E desse a lenha em quem disse uma calúnia dessas. Se defendendo e te atacando, diz que é a mulher mais honesta do mundo, que o sujeito é que devia escolher melhor as amizades, que isso e aquilo outro. Diz que não era nada daquilo que "esse fela da puta desse teu amigo tá falando!" e que "ele é que vive dando em cima de mim e tu nunca prestou atenção, viu!”
Resultado:
Teu ex-amigo, além de perdoar a safada, sair numa segunda lua-de-mel pela Europa com a bandida, comprar uma Hilux, zero bala, pra pistoleira, nunca mais vai pagar umas geladas pra ti, num vai querer te ver nem pintado de ouro. Capaz até de te chamar pros paus, te meter uma pisa, te dar uma facada e te botar pra correr debaixo de chumbo.
Digo nada! Sinto muito meu amigo, mas eu mermo num digo não, tá? Vou até ficar abismado, estarrecido e tomar umas com você, quando tudo vier à tona. Eu hein!
Postado por
Cartunista Braga
às
Terça-feira, Outubro 20, 2009
4
comentários
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
Bulindo com Shakespeare
Soneto I
From fairest creatures we desire increase
That thereby beauty’s rose might never die,
But as the riper should by time decease
His tender heir might bear his memory:
But thou, contracted to thine own bright eyes,
Feed’st thy light’s flame with self-substancial fuel,
Making a famine where abundance lies,
Thyself thy foe, to thy sweet self too cruel.
Thou that art now the world’s fresh ornament
And only herald to the gaudy spring,
Within thine own bud buriest thy content
And, tender churl, mak’st waste in niggarding.
Pity the wold, or else this glutton be:
To eat the world’s due, by the grave and thee.
Tradução de Jorge Wanderley
Dos raros, desejamos descendência,
Que assim não finde a rosa da beleza,
E morto o mais maduro, sua essência
Fique no herdeiro, por inteiro acesa.
Mas tu, que só ao teu olhar te alias,
Em flama própria ao fogo te consomes
Criando a fome onde fartura havia,
Rival perverso de teu próprio nome.
Tu que és do mundo o mais fino ornamento
E a primavera vens anunciar,
Enterras em botão teus suprimentos:
- Doce avareza, estróina em se poupar.
Doa-te ao mundo ou come com fartura
O que lhe deves, tu e a sepultura
Tradução de Ivo Barroso
Dos seres ímpares ansiamos prole
Para que a flor do belo não extinga,
E se a rosa madura o Tempo colhe,
Fresco botão sua memória vinga.
Mas tu, que só com os olhos teus contrais,
Nutres o ardor com as próprias energias
Causando fome onde a abundância jaz,
Cruel rival, que o próprio ser crucias.
Tu, que do mundo és hoje o galardão,
Arauto da festiva Natureza,
Matas o teu prazer inda em botão
E, sovina, esperdiças na avareza.
Piedade, senão ides, tu e o fundo
Do chão, comer o que é devido ao mundo.
Tradução Fabrício Souza
Ao mais raro desejamos que cresça
Que a rosa da beleza nunca morra
Mas o fim do maduro é que apodresça
Só o doce herdeiro evita que isto ocorra
Mas tu, que só aos teus olhares atenta
Alimenta a ti com teu próprio ser
Passando fome onde abundância assenta
A ti mesmo hostil sendo sem saber.
Tu que já do mundo é fresco ornamento
Da primavera único mensageiro
Enterra em botão teu contentamento
Desperdiça em acumular dinheiro.
Apiede-se do mundo, ou se é sem fé:
Come o que do mundo por direito é.
Postado por
Cartunista Braga
às
Sexta-feira, Outubro 16, 2009
2
comentários
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Carta para Ribinha
O Piauí é um dos lugares do mundo, que o mundo não conhece. É um dos lugares mais lindos do mundo. Mas agora estou falando das pessoas de lá, que são as pessoas mais lindas do mundo de lá, daqui e dacolá.
Foi lá no Piauí, em Bom Jesus do Gurguéia, sul de lá, beirando a Bahia, bem longe do Ceará que eu conheci o Ribinha, um fuleiro (antes de mais nada), locutor, comunicador, entendedor da vida e uma bela criatura de Deus. Foi o Ribinha quem me disse que aquele inseto andando no meu braço era um chato.
Outro dia (naquele tempo), o Ribinha foi preso.
- Prenderam o Ribinha! – Disse a recepcionista da Rádio Cultura do Gurguéia. Eu a ouvi dizer isso para o diretor da rádio, meu chefe. Mas o Ribinha era meu “subordinado” (É. Entre aspas mesmo, porque ninguém tinha poder para subordinar o Ribinha). Tomei as dores.
-Vem cá. Que estória é essa? O Ribinha foi preso porque?
- Cachaça, né, Braga!
- Então vamos lá, nos entregar também! – Risos.
- Tu sabe como ele é. Tu conhece o Ribinha né, Braga!?...
Eu num conhecia era porra nenhuma, mas sabia que ali, naquele lugar tão pequeno, tinha muito mais gente pra ser encarcerada e privada de fazer o mal e o Ribinha não fazia parte deste rol. Ele apenas falava. O Ribinha falava. Ele vivia da fala. E, quando bebia, longe do microfone, aí é que ele falava.
Pois bem:
O Ribinha foi preso por conta de uma discussão político-ideológica-de-balcão-de-boteco com um advogado, o delegado, que tinha perdido oito partidas de sinuca pro Ribinha, o bebo. E, segundo a lei da sinuca, não sendo aposta em dinheiro, o perdedor teria que pagar as fichas e as doze cervejas que o Ribinha não bebeu sozinho. De fora apenas a garrafa de cachaça que o Ribinha bebeu sozinho.
- Bora lá, ver o que a gente pode fazer?
- Hum... Deixa de ser besta, Braga – Disse o chefe. – O Ribinha se vira!
- Hum... – Disse eu.- Então tá. Daqui a vinte minutos, tu vai ali no estúdio e, ao vivo, responde às oitenta cartas dos ouvintes do Ribinha, que chegaram hoje de manhã. Galho fraco pra ti, né não?
- Bora.
Era um domingo de sol quente, uns quarenta e dois graus, naquela tarde de setembro, no Vale do Gurgúéia, sul do Piauí (Pleonasmo). Faltavam quinze minutos para entrar no ar o melhor programa da Rádio Cultura do Gurguéia, a maior audiência, o melhor locutor, o maior número de participação ao vivo, o maior faturamento.
Eu tava suado e apreensivo, ouvindo o papo prolixo do diretor com o oficial do dia (O delegado faltou). Enquanto todos os livros de Direito eram dissecados, peguei pelo braço um plantonista que também prestava atenção na conversa e, achando graça, sacudia um chavezona destamãe.
- Cadê o baitola? – Eu disse- Me leva lá na cela do encrenqueiro.
Uma gargalhada, daquelas que só são produzidas por homens livres ecoou pelo corredor do chilindró e uma voz irreverente sentenciou:
- Tu é foda mesmo, Braguinha! Esperou que faltasse só cinco minutos pra começar o programa, pra vir aqui me soltar. Nem adiantou eu te agradar com aquela lata de Neocid, mode tu matar tua carga de chato.
Vinte cartas foram lidas e atendidas no programa do Ribinha daquele dia. O restante delas eu não consegui entender a caligrafia.
Postado por
Cartunista Braga
às
Sexta-feira, Outubro 09, 2009
2
comentários
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Chocorosqui escreve

Deu no blog do Márcio Chocorosqui, o Blecaute.
Como trabalho do Curso de Cinema e Vídeo da Usina de Arte João Donato, o curta-metragem Amor em pedaços, que filmamos no começo do ano, já está finalizado desde março. Estamos aguardando o lançamento oficial para breve.
A história se passa em Rio Branco-AC. Um colono desorientado entra numa delegacia e declara-se culpado de um crime, dizendo ao delegado que matou a si mesmo e que foi enterrado pelo vizinho. Após interrogatório, descobre-se que a jovem esposa do colono foi esquartejada. Uma tragédia amorosa amazônica.
Postado por
Cartunista Braga
às
Quarta-feira, Setembro 30, 2009
2
comentários







