sexta-feira, 25 de maio de 2007

Hora da forra

Esta foto foi feita pelo meu amigo Gerson Albuquerque há exatamente um mês, durante manifestação popular, nas ruas de Rio Branco-Ac, pela melhoria do transporte público e contra o aumento no preço da tarifa de ônibus. Eu sei, eu sei que você não sabia disso. Se não participou do movimento, não podia saber mesmo, já que a “imprensa acreana” ignorou o fato.

Sobre esse tipo de imprensa pode-se falar também em nível nacional. Enquanto escrevo este texto, às 07h30min, assisto ao programa SP no Ar, com Luciano Faccioli, na TV Record, que mostra uma reportagem sobre os manifestantes que ocupam a USP e sobre os outros, que tentaram invadir a Assembléia de São Paulo, para acompanhar a votação do projeto de lei que cria um novo fundo previdenciários para o funcionalismo público daquele Estado.

A matéria enfatizava a atitude de um professor (manifestante), que dava varadas na cerca de contenção, tentando atingir os policiais da Tropa de Choque da PM. O apresentador indigna-se com as imagens e critica veementemente o ato do manifestante exacerbado. O repórter pontua que vinte e tantos policiais precisaram de atendimento médico. Ou seja, essa imprensa patronal, tacanha costuma sempre colocar o trabalhador, revoltado e já de saco cheio de tanta sacanagem feita contra seus direitos, como o vilão da estória.

Os estudantes, na USP, foram treinados como agir, na hora em que a polícia chegar metendo a bordoada a torto e a direito. Claro, os líderes do movimento, macacos velhos, sabem muito bem quem costuma ser violento e impiedoso com balas de borracha que falta um dedinho assim para matar, spray de pimenta, que falta um dedinho assim para cegar e bombas de “efeito moral”, que expelem um gás que falta um dedinho assim para asfixiar.

Bem, o país tá um caos. É guerra nas favelas, assaltos, seqüestros, bandidos sendo desmascarados nos Três Poderes, gente morrendo pelas calçadas de fome, de frio, de bala perdida. Mas o povo que ainda está vivo, a resistência começa a reagir, ir às ruas, reclamar, ficar puto! De tão indignadas, falta pouco para as senhoras daí da foto largarem o cartaz, pegarem varas, paus e pedras e partirem pra forra. Quem viver, verá.

A propósito, sobre o evento da foto: O problema com os transportes coletivos do Acre continua, mas o nome da sala fulano de tal, na Assembléia, como era algo muito mais urgente e importante, já foi mudado. O povo pode dormir tranqüilo e os deputados podem ir pescar, com a consciência limpa e o dever cumprido.

8 comentários:

Léo disse...

Bem jovem esse "coletivo jovem"... mais um exemplo da falta de lideranças jovens no movimento sindical. os velhos sindicalistas não largam o osso...

Cartunista Braga disse...

E jovem lá quer saber de osso, Leo. Jovem quer é filé mignon!

Archibaldo Antunes disse...

hahahahaha

Archibaldo Antunes disse...

Braga, concordo com quase tudo o que você disse no post. Só não acho que é papel de professor agredir policiais ou vice-versa. Já a molecada da USP precisa de um corretivo, já que o decreto do governo Serra que gerou a polêmica obriga à transparência na universidade, coisa que eles não querem. Os xiitas do PSTU estão por trás desse movimento ilegítimo protagonizado por bacanas que estudaram em escola particular e agora se penduram no ensino público superior. A USP precisa mostrar resultados, e não promover badernas com a ajuda de estudantes profissionais e funcionários gazeteiros.

Cartunista Braga disse...

Tanbém concordo contigo, Ark, mas meu alvo mesmo, no texto é essa "imprensa" pusilânime que a gente, vez por outra, também faz parte e que eu gostaria da sua opinião.

Cartunista Braga disse...

Meu amigo revisor, disse que não se escreve "n" antes de "m". Eu adoro revisor, e tu? Rerere

Cartunista Braga disse...

Antes de "b"!!! Eu sou uma anta,mesmo!

Archibaldo Antunes disse...

Ah, Braga, os revisores... Tô com pena de Machado de Assis, porque o próximo livro a publicarem por lá será o dele.