terça-feira, 24 de abril de 2007

O Mapinguari de Conversani e Braga



Em 1993, o grande cartunista Luiz Conversani desenhou e me pediu para dar alma ao Mapinguari e sua Turma. Nascia assim, a primeira tira diária de cartuns genuinamente acreana. Quando fui trabalhar no jornal O Rio Branco percebei que a tira do Garfield ocupava dois espaços simultaneamente, na mesma página, uma abaixo da outra, no segundo caderno. Perguntei ao editor, Moura Neto se ele não liberava um daqueles espaços para uma criação original, abordando temas locais, ele então me pediu propostas.

De maneira bem humorada, o Mapinguari logo agradou seu público-alvo: as crianças

O Luiz, chefe do departamento de arte e chargista, me mostrou sua criação, o Mapinguari. Cara, eu me apaixonei na hora. A lenda que eu nunca tinha ouvido falar, o jeitão gordo-bonachão da figura feiosa, mas de sorriso simpático, a magia da floresta. As estórias estavam prontas, os personagens estavam todos lá no olhar do Mapinguari. Ele me contou tudo, na hora em que olhei pra ele, desenhado naquele pedaço de papel amassado.

Era o desenho original, de muitos anos e que o Luiz costumava carregar na carteira. Tímido, não acreditava que algum dia daria vida ao personagem em qualquer tipo de publicação. Mas eu, deslumbrado, já o vi como garoto-propaganda, adesivo, camiseta, pôster, boneco em tamanho natural, objeto de decoração, desenho animado... Enfim, um milhão de possibilidades. E escrevi em dois dias, a primeira série semanal de A Turma do Mapinguari. O Luiz desenhou tudo em igual velocidade. O Moura aprovou e o Mapim emplacou.

Nesse tempo eu ainda pensava como publicitário e tratei logo de criar uma campanha de divulgação do personagem para futuros negócios como cessão da marca e merchandising. O jornal patrocinou a confecção de camisetas com a estampa do Mapinguari e seu antagonista, a Cobra Grande que fez um grande sucesso entre a criançada e ainda ganhou um Fã Número Um, Abrahim Farhat, o Lhé.

Desenho original de Conversani para produção de pôster e camisetas

Cheguei a abrir uma empresa para adquirir a marca registrada dos personagens, o Cobra Studio, um fusão das primeiras sílabas de nossos nomes (Conversani e Braga). Claro que o personagem e seus amigos tiveram uma carreira meteórica. Não passaram de um ano de publicações nas páginas do jornal O Rio Branco e da revista semanal Folha Infantil, mas entre uma estorinha e outra, uma promoção e outra, O Mapinguari e sua turma viveram entre nós, nos divertiram e nos encantaram. Ê, saudade!

2 comentários:

Márcio Chocorosqui disse...

O Mapinguari é uma figura folclórica genuinamente acreana. Deveria ser mais cultuado. Quem lhe fez referência, contribuindo para sua divulgação, foi o saudoso Hélio Melo, através de sua pintura e de seus "causos".
De boa lembrança, Braga.

Cartunista Braga disse...

Para dar vida ao meu Mapinguari recorri ao velho Hélio Melo. Ele me contou muitas histórias sobre a criatura que jurava existir verdadeiramente.