quarta-feira, 7 de março de 2007

Stress


Daqui do meu conjugado, só vejo e sinto a violência e o medo quando ligo a TV ou dou um passar d'olhos nas manchetes dos jornais da banca do português. Aí, pra apagar o horror corro pro bar do Ceará e tomo um rabo-de-galo antes de almoçar quatro almôndegas com farofa Pinduca, ao molho de pimenta malagueta, duas rodelas de cebola e de tomate, sobre duas folhas de alface transgênico na pensão da Baiana e ainda dou boas risadas com o americano da locadora de vídeo.

Espero o farol ficar verde e atravesso a avenida rumo à areia. O vento com cheiro de mar e o reflexo do sol nas lentes dos meus óculos de quinze reais, da mão do praiano nem me fazem perceber a fumaça do transatlântico que, do horizonte cutuca a camada de ozônio. Na seqüência, afogo o stress (e que stress) em duas ou quatro Itaipava geladinhas, do meu isopor e nas águas frias do Atlântico. Volto pra casa pra tirar o sal.

O sal, taí um negocinho que me faz raiva! Enquanto eu não tiro a porra desse sal miserável do meu corpo, eu num sossego. E o sal mixado com suor de um calor equatoriano? Imagine que o sol daqui é quente. O sol mora aqui, tem até flat no Leblon. Fico puto mesmo é com o sal! Me destrambelho todo. Aí, nada presta.

No afã de estar sob o chuveiro de casa e tirar o sal das dobrinhas e do sovaco, nem percebo as rumas de bosta de cachorro pelo chão. Mas tem cachorro nesse caralho! Eu não odeio cachorro eu detesto é latido, pêlo, inhaca, baba e mordida de cachorro. Amo cachorro de filme que, além de não cagarem, não mijarem, não federem e não morderem a gente são heróis e ainda levam altos papos filosóficos com seus donos.

Logo, os pés à milanesa me tornam até mais alto. Pense num bate-pé sôfrego, agoniado no asfalto quente! E, no desespero de me livrar do grude acabo por imergi-los numa poça d’água qualquer quente, fervente, borbulhante! Oh, minha Nossa Senhora do Perpétuo Socorro! - Socorro, dona Ruth do quarto andar!

- O que foi isso, menino! Que cheiro horrível é esse?

- Ah, não vem a senhora também com reclamação não, que eu já tô estressado. Ai... Té mais ver, dona Ruth.

- Por aí não! Tem que entrar pelo portão dos banhistas. O senhor já sabe, não é senhor Braga. Tenha paciência...

- Ah, mas isso é um car... put que par... bucet...

- Olha a língua, senhor Braga! Ah, o Ceará do boteco deixou uma notinha aí no seu escanhinho. Disse pro senhor passar lá como sem falta, ainda hoje.

- Esse Ceará é um filho da p...

- Óóó...

- Tá, tá, dona Ruth. Brigado, dona Ruth!

Ô vidinha agoniada. Benza Deus!

6 comentários:

Léo disse...

Bem que eu queria um stress desse. Me lembrei dos teus stresses com o Vítor e com aquela gata da minha mãe, a Tchutchuquinha. ê cuidado com a violência dos jornais, cara! A propósito quando tive aí na Bienal da UNE em 2000, bati o recorde mundial dos cem metros rasos, quando tava voltando duma farra lá em Quintino. O tiroteio começou no morro e Zaaap! Pena que não tinha ninguém pra cronometrar. Um abraço do véi Tácio!

Léo disse...

Ah! Braga. Criei a comunidade "fãs do Braga" no orkut, em sua homenagem. Depois tu me paga os royalties...http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=28793232&refresh=1. tu merece!

CERNEGRO/ACRE disse...

foda....enquanto tu tá ai na minha terra tirando onda, eu to aqui me fudendo com a ASSCOEDY..RS RS RS RS ...Axé pra vc e tudo de bom...ass: Edy Bastos

Cartunista Braga disse...

ASSCOEDY vírgula. Se liga com a ASINTECOEDY, ong da Associação Internacional de Cobradores do Edy Bastos. KKKKKKKKKKKKK

Abraço

Josafá disse...

E aí, Braga... parabéns pelo blog, tá bem legal! Seguinte, o Aldo (Nascimento) me disse que bem no centro do Rio há uma rua chamada Rua Acre. Quando eu fui aí eu não tive tempo de conferir, mas agora, a despeito de todo esse estresse, será que a tal rua existe mesmo, hein? Abraços.

ricardosandro disse...

Pelo que estou observando trabalho duro voce tinha aqui no Acre, pois na cidade maravilhosa voce não para de ter inspiração,são charges cada vez mais engraçadas,só tá faltando uma do PAN. Que tal o tal de Cauê levando um balaço?