sábado, 19 de janeiro de 2013
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
VENDEDOR DE REDE NO OESTE EUROPEU
Dia, sinhorinha! Dia, sinhozão!
Desculpe taqui na casaquistão
Sou Zezim das rede do sertão.
Comequicestão?
E essas rede né cara não
Duzentos e catorze mais seis tostão
Se azucrine mermo assim não
O negócio que cestão fazenébão
Rapaz, mas aqui faz um frio do cão
E sem casaquequicestão?!
Oramais. Eu vendo casaquentão!
Mas num faço a menos de cenzão!
Avia, pega que é negoção!
Se der pra fazer, nós faz então
Se num dé, nóis fica os mermo irmão
Fechado? Fazido sem questão!
Obrigado! Té mais vê! Abração!
quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
Os Raimundos e o mandim do Dim
Em 1993 eu cheguei ao Acre. Fiz muitos amigos, no meio deste
tanto, três caros chamados Raimundo cada um. O primeiro desses caras foi o
Raimundo Fernandes, editor de esportes do jornal O Rio Branco, onde consegui
meu primeiro emprego na Terra de Galvez. Então, na hora do almoço, no
refeitório, me enturmando com os colegas de redação ouvi do Raimundo o que me
pareceu ser uma pegadinha. Que ele estava me gozando.
- Ô cearense, ainda vou te levar pra passar um final de
semana na colônia, pra gente pescar e caçar! – Disse o jornalista, se gabando
de ser de origem humilde e ter chegado aonde chegou vindo do seringal. Certa
vez vi a carteira de trabalho dele e ri muito, pois seus empregos anteriores ao
de repórter e radialista eram de pedreiro, servente e marceneiro. “Nossa que
evolução!”, pensei. Aí ele completou: “Já viu chover peixe? Aqui no Acre chove
peixe!”.
Aí eu dei aquela gargalhada, falei que ele tava de
sacanagem, isso e aquilo. Ninguém riu como eu ri. O pessoal que estava ao redor
da mesa, os de outras mesas próximas, todos criticaram minha risada de deboche.
Confirmaram com Raimundo de que sim, de vez em quando, chove peixe na floresta.
Eu fiquei sem graça, me sentindo um abestado incrédulo, vindo de uma terra (Ceará),
que não chove nem água sequer.
O segundo, Raimundo Melo, meu grande amigo Ray, com quem
dividi o aluguel de uma casa, aonde fazíamos belas cervejadas e churrascadas
nos inúmeros finais de semana daquele ano, também estava ali, almoçando e
contando estórias. Ele era o chefe da gráfica que imprimia o jornal O Rio
Branco e trabalhava como diagramador. Ray “mangou” foi muito de mim e exagerou
mais ainda ampliando as lendas amazônicas.
Falou do tal mapinguari, criatura que se iguala à lenda do
pé grande na América do Norte e da cobra grande que vive debaixo da catedral.
E, no assunto cobra, meu chapa Ray Melo é “cobra” mesmo. Em papo de pescador e
caçador ele é um monstro amazônico. Me falou das grandes serpentes que já viu pelas
matas acrianas. E jurou, beijando os indicadores cruzados que aquela estrada
que ia dar no rio, era mesmo na verdade um caminho de anaconda.
Anos depois, numa das festas do Prêmio de Jornalismo José Chalub
Leite, eu, Ray Melo, Raimundo Fernandes, junto com o então presidente do
sindicato, repórter cinematográfico Raimundo Afonso, nos lembrávamos dos velhos tempos em que trabalhamos
na mesma empresa (conheci o terceiro Raimundo na TV Rio Branco), mas agora
quero lembrar mesmo é da estorinha que o quarto Raimundo contou naquele dia.
Raimundo Mendes, o Dim. Chargista em quem me espelhei e
observei e estudei para me tornar também um chargista acriano. Esse cara, o Dim
é um safaDIM (era assim que ele assinava sua página semanal no jornal Página 20).
Com seu sorriso gozador, agradável ele se aproxima, já com a piada pronta e sapeca
em cima da gente. Não dá tempo de se proteger, a saída é só cair na gargalhada
mesmo. Só isso.
Fernandes disse que pegou um tambaqui, no Rio Acre, que era
isso assim, ó! O Ray, menosprezando o colega falou que aquilo era nada, que ele
mesmo já pescou, de anzol, um bichãozão que dava “marromeno” uns dois desses do
Fernandes, mas o Dim – Ah, o Dim! – disse que eles nunca pescaram peixe coisa
nenhuma, que eram dois pescadorezinhos de nada, pois ele já pegou foi um mandim
que dava palmo.
Aí foi onde eu me lasquei.
- Ah, porra Dim! Peraí, né?! Mandim de um palmo? Grandes
coisas, meu. Todo mandim chega a um palmo. Fica até maior, ora mais!
E o Dim completou:
- Um palmo de um olho pro outro, cearense abestado!
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
Antonio Alves escreve
REJEIÇÃO AO PT NO ACRE
Do jornalista Antonio Alves, ex-petista e ex-secretário do governo do Acre, autor de "Política Zero", livro que terá breve resenha neste blog na terça-feira:
"Por que o Lula e o PT ganham eleições no Brasil e perdem no Acre? Por que as dificuldades do PT no Acre são maiores a cada eleição?
Acho que, entre vários fatores, existe um que é muito importante: Lula e o PT contam, no Brasil, com uma vantagem que o PT do Acre não tem. Essa vantagem é a campanha contrária na imprensa.
Boa parte da imprensa brasileira esculhamba com Lula e o PT, dá destaque a cada bobagem que dizem ou trapalhada que fazem. Isso lhes garante a popularidade e ainda os transforma em vítimas, angariando a simpatia do povo.
No Acre o PT, coitado, não tem isso. A imprensa é toda a favor, vive numa bajulação explícita, um puxassaquismo vergonhoso. O povo vê e fica desconfiado, cria rejeição."
Texto copiado do Blog do Altino MAchado
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
Potocas
Né isso não, viu?!
É nada disso, tá!
Peraí, peraê!
Assim dá não, ó!
Assim não dá!
Dexeudizê comequifoi
Dexeufalá, pô!
Então, comequié?
Tá belê então
Destá!
Tu vai ver só!
Inté.
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
Acredito na Bíblia
É
interessante como a maioria das pessoas não acredita de jeito nenhum na Palavra
de Deus, escrita na Bíblia. O cara fica irritado, briga e quer matar quem
argumenta, em qualquer assunto, citando as Escrituras. “É inadmissível! É
loucura!”, retruca o incrédulo que, invariavelmente tem uma predisposição a
acreditar em mau olhado, sorte e azar, numerologia, signos do zodíaco, horóscopo
chinês, dieta da luz dentre outras coisas.
Daqui
a pouco uma porrada de gente vai cair de pau em cima de mim, por estar
defendendo a Bíblia. “Quem prova que isto é a Palavra de Deus? Ele desceu do
céu com caneta e papel e escreveu algum livro? Não, ela foi escrita por homens
assim como eu e você!”, assim dirão. A mesma ladainha, o mesmo bordão de sempre
de quem acredita que usar uma roupa nova, branca e entrar no mar de costas vai
fazer o ano novo ser próspero.
Tem
gente que antes de tomar uma dose de cachaça, derrama um pouco no chão, levanta
o copo em reverência dizendo que “esta é para o santo!”. Um folclorismo etílico
bem humorado, baseado numa crendice popular, numa entidade espiritual que incentiva
e “abençoa” o alcoólatra devoto. Que santo, hein?!
Este
mesmo bebedor abomina e não aceita o segundo mandamento bíblico que diz: “Não farás para ti
imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em
baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te encurvarás a elas nem as
servirás...”. Este homem é capaz até de meter a peia em quem for lhe
falar “tal absurdo”.
Alguns bons amigos meus creem
piamente em seres extraterrestres, de inteligência superior a do ser humano, crença
esta baseada em textos e pesquisas de renomados doutores no assunto como Erich Von
Däniken, autor do famoso livro Eram os
deuses astronautas?, que eu li e gostei demais . Eu também acredito que
Deus criou o homem a partir do barro o que faz meus amigos se acabarem de rir e
me ridicularizarem.
Milhares de mexicanos e outro tanto
de gente no resto do planeta se preparam para o fim do mundo amanhã (21 de
dezembro de 2012). São religiosos, cientistas, céticos, ignorantes, enfim uma
gama enorme de crentes na profecia Maia. Bem, eu também acredito no
catastrófico fim do mundo, na extinção da vida na terra, na ressurreição e na vida
eterna, como diz a Bíblia. Muitos outros acreditam também, mas a grande maioria
despreza tais “tolices”.
Eu não sou dono da
verdade, não estou aqui impondo minha crença, mas é verdade que a Palavra de
Deus, a Bíblia Sagrada é odiada pela grande maioria da humanidade. De tão
contraditória e exata ao mesmo tempo, não há como negar seu poder divino, porque
ela desmascara o homem, nos despe e impõe a verdade dentro da nossa consciência
porque Deus nos deu o livre arbítrio. Ou seja: no fundo a gente sabe o que é o
que é das coisas.
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
Poema daqueles dias de noite
Difícil dizer como foi naquele dia
que entrou pela noite
até amanhecer novo dia de novo.
Foi bom até quanto pôde ter ido
então passou a não mais ser tão bom
e ter vindo a ser, mas foi indo
Tinha aquela que me cutucava,
e eu bebia na sua taça.
Me embebedei de seu licor
Tinha aquela outra que só olhava
Mas que não olhava só pra mim
Eu olhava e achava graça
Aí veio uma falta de ar na névoa
E eu bebi relva que escorria
pelos cotovelos da que me beijava
E comi até seus cabelos, com sal
E também inalei seu aroma de jasmim
Mas não cansei não daquela dor
Quando pensei que o dia lá estava
Que era de manhã naquela madrugada
Que na verdade era tarde pra mim
Tinha aquela outra de boca fechada
Mas, quando as lágrimas escorriam
Era quem mais ria e eu gargalhava
E o dia ía se acabando mesmo assim
Vindo a noite, pelas estrelas do céu
e sombreando o sol que se aposentava
Mas quando achei que ía dormir
tinha também aquela vestida de lua
Olhos não fechavam, nem boca fechava
Ela que somente nua se apresentava
Aquela que tinha a pele bronzeada
E a cabeça decorada por um chapéu
E também ele estava ardendo febril
E ali aonde ele estava, naquele lugar
Bem ali, onde sem calor a gente sua
Foram muitas noites e dias sem fim
Que por vezes me esqueço deles
Que outras vezes os guardo em mim.
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
Descobrindo palavras
Quando eu achava que sabia descrever imagens que tinha visto in loco, em filmes, fotografias ou obras de arte, eu não sabia realmente o que via, até que te vi. E foi assim como um novo abrir d’olhos. Meu olhar renovou-se, como a visão de um recém-nascido, a quem é dada a luz de um novo mundo.
E saído da escuridão que estava vi essa luz cintilante. Essa luz que vem de você. E
E saído da escuridão que estava vi essa luz cintilante. Essa luz que vem de você. E
stou tentando te descrever, maravilhado como um navegante que encontra o que buscava em mares desconhecidos. Como um aprendiz de escriba de cartas, tento explicar e narrar o que foi e o que é ter te visto, assim tão desconcertantemente sem palavras, cheio de emoções que não consigo descrever.
Busco por muito mais palavras que não sei dizer, por não conhecê-las e que, talvez nem sequer existam. Talvez, em algum momento, sem esforço, sem pretensão, suavemente eu possa encontrar ou inventar tais palavras que descrevam fielmente o que senti e sinto ao olhar e não parar mais de olhar para você.
Busco por muito mais palavras que não sei dizer, por não conhecê-las e que, talvez nem sequer existam. Talvez, em algum momento, sem esforço, sem pretensão, suavemente eu possa encontrar ou inventar tais palavras que descrevam fielmente o que senti e sinto ao olhar e não parar mais de olhar para você.
terça-feira, 20 de novembro de 2012
MAIS UM CAMPEÃO DE AUDIÊNCIA
No julgamento do Bruno (aquele idiota, ex-goleiro do Flamengo que, juntamente com seus asseclas, igualmente imbecis, achando-se todo poderoso resolveu dar fim a uma de suas inúmeras periguetes), um levante de criaturas escrotas, midiáticas, atraídas pelas luzes destes tempos tenebrosos, fazendo barulho, levantando faixas, borbulham diante das câmeras sensacionalistas como a cobertura imunda de um fedorento pudim de merda.
De súbito espoca, por entre microfones, gravadores e câmeras de televisão uma dessas bolhas fétidas. Um boquirroto causídico placebo atira, feito pipoca a pombos, gaguejos e confusos fraseados desconexos à revoada faminta de abutres da imprensa. Advoga como acusador, em favor da vítima, cujo assassínio, à luz da Lei, não pode ser confirmado devido o corpo da pobre coitada “Maria-chuteira” não ter sido encontrado (sem vida) ainda.
Surge uma mulher que chora um estranho choro que não lacrimeja. Mulher de passado um tanto quanto obscuro (segundo a Imprensa teria abandonado a filha recém-nascida), detentora da guarda do milionário fruto do relacionamento do jogador com a periguete ergue-se como avó e mãe sofrida em busca de justiça. Os telejornais do horário nobre e os programas matutinos tornam-se expositores da excrescência humana.
Mais uma vez segundo a Imprensa, mais precisamente na fala de Ana Paula Padrão, apresentadora do Jornal da Record, o extremamente bem remunerado detento Bruno teria ganhado nos últimos dois anos cerca de dez milhões de reais, caso não estivesse em cana. Como goleiro do clube carioca, quando era ídolo da maior torcida do mundo, o colega do imperador Adriano recebia um ordenado de duzentos mil reais por mês.
Um maximbecil, ansioso pelos seus segundos de aparição midiática se “pregou” a uma cruz de gravetos e se posicionou na frente do fórum, digo, dos fleches. O pseudo ativista, já é figurinha carimbada nas capas e editorias da imprensa marrom e nas mídias eletrônicas. Não pode haver um julgamento de crime famoso, como os da menina Isabella Nardoni e da jovem Eloá Pimenta que esse palhaço aparece pra fazer a mesma presepada.
Uma manifestação feminista, mais oportunista do que verdadeira, contando com uma meia dúzia de gatos pingados também busca o foco dos fotógrafos e cinegrafistas de plantão, diante do fórum de Contagem, Minas Gerais, onde acontece o julgamento que promete ser um dos mais badalados e rentáveis da história da mídia brasileira.
Se haverá justiça ou não, pouco importa. O que vale mesmo é a exposição do degredo dos seres humanos e os inúmeros pontos de audiência. Os patrocinadores agradecem e querem mais, muito mais.
Meu grande amigo Antônio di Alcântara se foi para sempre. Ficam suas milhares de fotografias que, espero sejam reunidas em uma grande exposição em homenagem a esse sensacional artista acreano (apesar de ter nascido em Salvador, na Bahia). Ficam também a saudade e as lembranças de suas histórias e aventuras hilariantes.
Beijo, amigo Antônio, que viva eternamente com Deus!
Beijo, amigo Antônio, que viva eternamente com Deus!
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
sábado, 27 de outubro de 2012
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
Criaturinhas de Deus
Eles são apenas gente humana
Não são organizados como são as formigas
Eles são humanos, não são insetos
Não sabem sequer se estão certos
Essas pessoas são por si e entre si inimigas
Inda acham que isto é bacana.
Não são organizados como são as formigas
Eles são humanos, não são insetos
Não sabem sequer se estão certos
Essas pessoas são por si e entre si inimigas
Inda acham que isto é bacana.
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
DEMO cracia
De
repente, a turba ignara invade o bar. Eles vieram, assim, de supetão.
Por mais que soubéssemos que aquilo haveria de acontecer, aquilo estava
acontecendo naquela hora que a gente não esperava. E vieram sem que
eu achasse mesmo que viriam. Era uma gente sedenta. Eles queriam
mostrar que estavam lá, que eram grandes, que eram extremamente fortes.
Era o povo. Um povo lindo, pintado para a festa, para a guerra.
Estarrecido, contemplei. Admiti que eu não poderia falar coisa alguma. Eu só podia mesmo era observar aquela invasão popular. Nunca tinha ouvido a gargalhada do meu amigo Charles Bahia, como ouvi naquele momento grandioso. Eles compraram e beberam dele muitas cervejas, doses de cachaça e até refrescos. Não vi ninguém bebendo água, mas acredito que algum deles bebeu água e até levou ou surrupiou um pacotinho de batata chip.
Reconheci algumas pessoas que nem mesmo acreditam naquela proposta e outros que a defendem com unhas e chapas e carros e cargos. Há nestes brasileiros, amor, vontade, desejo, esperança. Vi e me emocionei com sua garra e alegria de expressar sua liberdade de expressão. Um monte de gente. Tinha homens e mulheres, algumas delas, com crianças e crianças sozinhas também.
Aquilo foi assustador no primeiro momento. Levantei-me da minha cadeira, receoso de que esbarrassem em minha mesa e derrubassem meu copo e a garrafa de cerveja que eu bebia tranquilamente, antes de sua invasão. Passou até a minha vontade de “defenestrar um micto”. Gritos, urros e apitos irritantes, próprios de quem quer impor presença, em todos os sentidos me obrigaram a parar a conversa com o cliente que, via internet, tratava de negócios.
Gente com a mais pura vontade de vencer. Custe o que custar, doa a quem doer. Os pagantes tinham relógios e grossas correntes de ouro. Bonés com marcas famosas. Botas, bocas e dentes. Palavras violentas de “ordem”. Ordem, na verdade, não houve em momento algum. Falavam em números de votos. Falavam não, gritavam! Berravam e irritavam quem não estava nem aí para a sua ideologia.
E eles se foram. Porém, depois de alguns minutos voltaram. E vieram como vitoriosos, berrando loucamente, ameaçavam tocar fogo na praça, para mostrar seu domínio abstrato. Dominaram o outrora tranquilo Bar Charles Bahia. Assim, como se eu fosse posse deles, me reprimi. Me coçava, sofria. Tentava escrever este texto enquanto tentava anular minha audição ao som de buzinas e jingles tão ruins, feito bexigas espocando no meu ouvido.
Essa gente, o povo se deixa embebedar, gargalha sem ter dentes, chora e briga por promessas e crenças num porvir bem melhor. Eles ficam roucos e se acotovelam e se desentendem com quem, outrora amigo, irmão, camarada ousa discordar das fanfarras de quem, naquele átimo lhes dá de beber da água que só passarinho bobo bebe. Ali, mais uma vez, presenciei de corpo, alma e espanto o funcionar da maquiavélica massa de manobra.
Bêbados e toscos dissiparam-se. Foram-se definitivamente deixando um rastro de guerra. Marcas de chinelos e gotas de saliva no assoalho. Baganas de cigarros e um zumbido na minha cabeça. Etereamente seu intuito foi atingido, seu desejo foi realizado. Tiveram seu momento de falsa alegria. Foram dormir na utopia de que a partir de agora suas vidas irão melhorar. Que Deus os mantenha assim, lá no sonho de onde não deveriam ter saído.
Estarrecido, contemplei. Admiti que eu não poderia falar coisa alguma. Eu só podia mesmo era observar aquela invasão popular. Nunca tinha ouvido a gargalhada do meu amigo Charles Bahia, como ouvi naquele momento grandioso. Eles compraram e beberam dele muitas cervejas, doses de cachaça e até refrescos. Não vi ninguém bebendo água, mas acredito que algum deles bebeu água e até levou ou surrupiou um pacotinho de batata chip.
Reconheci algumas pessoas que nem mesmo acreditam naquela proposta e outros que a defendem com unhas e chapas e carros e cargos. Há nestes brasileiros, amor, vontade, desejo, esperança. Vi e me emocionei com sua garra e alegria de expressar sua liberdade de expressão. Um monte de gente. Tinha homens e mulheres, algumas delas, com crianças e crianças sozinhas também.
Aquilo foi assustador no primeiro momento. Levantei-me da minha cadeira, receoso de que esbarrassem em minha mesa e derrubassem meu copo e a garrafa de cerveja que eu bebia tranquilamente, antes de sua invasão. Passou até a minha vontade de “defenestrar um micto”. Gritos, urros e apitos irritantes, próprios de quem quer impor presença, em todos os sentidos me obrigaram a parar a conversa com o cliente que, via internet, tratava de negócios.
Gente com a mais pura vontade de vencer. Custe o que custar, doa a quem doer. Os pagantes tinham relógios e grossas correntes de ouro. Bonés com marcas famosas. Botas, bocas e dentes. Palavras violentas de “ordem”. Ordem, na verdade, não houve em momento algum. Falavam em números de votos. Falavam não, gritavam! Berravam e irritavam quem não estava nem aí para a sua ideologia.
E eles se foram. Porém, depois de alguns minutos voltaram. E vieram como vitoriosos, berrando loucamente, ameaçavam tocar fogo na praça, para mostrar seu domínio abstrato. Dominaram o outrora tranquilo Bar Charles Bahia. Assim, como se eu fosse posse deles, me reprimi. Me coçava, sofria. Tentava escrever este texto enquanto tentava anular minha audição ao som de buzinas e jingles tão ruins, feito bexigas espocando no meu ouvido.
Essa gente, o povo se deixa embebedar, gargalha sem ter dentes, chora e briga por promessas e crenças num porvir bem melhor. Eles ficam roucos e se acotovelam e se desentendem com quem, outrora amigo, irmão, camarada ousa discordar das fanfarras de quem, naquele átimo lhes dá de beber da água que só passarinho bobo bebe. Ali, mais uma vez, presenciei de corpo, alma e espanto o funcionar da maquiavélica massa de manobra.
Bêbados e toscos dissiparam-se. Foram-se definitivamente deixando um rastro de guerra. Marcas de chinelos e gotas de saliva no assoalho. Baganas de cigarros e um zumbido na minha cabeça. Etereamente seu intuito foi atingido, seu desejo foi realizado. Tiveram seu momento de falsa alegria. Foram dormir na utopia de que a partir de agora suas vidas irão melhorar. Que Deus os mantenha assim, lá no sonho de onde não deveriam ter saído.
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