sexta-feira, 1 de junho de 2012

Jardim Gramacho




Foto: Fernando Souza / Agência O Dia

Pessoas que não têm mais nada na vida, sem emprego, sem casa, sem roupa, sem comida, sem dentes e sem voz tem é que ir pro lixo.
No lixo encontram uma forma de sobreviver, longe do perfume da sociedade catando ali seu alimento, sua educação, sua dignidade. Ali eles encontram muitas coisas preciosas.
Dali eles desenterram suas casas, descobrem seus amores e fazem brotar seus filhos. Encontram livros e material pra escola deles, seus filhos, e tiram eles de lá. E fincam o pé lá.


Agora, o pobre humano, ajoelhado e de cara enterrada no lixo tem motivo pra continuar. Eles amam o lixo que lhes sustenta.


 - Agora sim, temos algo que ninguém mais quer.

- É nosso!
 - “U-urru! O lixão é nosso! U-urru! O lixão é nosso!


Ledo engano.


Malditos olhos gananciosos, de quem já tem tudo, faz tudo, inclusive todo esse entulho de coisas que não queriam mais olham e querem, e tomam o que, agora, lhes parecer valioso, ao que "podre" nenhum não tem direito algum.


Aquilo dali é dos donos dos olhos grandes e ambiciosos, munidos de ordem judicial e de projeto ambiental e de vontade e poder pra fazer o que quiser. 


 - Sai "podre"! Sai de cima do meu aterro!
 - Xô urubu!


Fora do aterro ou dentro do aterro, pobre só tem direito mesmo é de morrer e feder.


Saiba mais sobre o aterro do Jardim Gramacho aqui no jornal O Dia

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