segunda-feira, 30 de agosto de 2010
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Carta para Eugenio
Já fui embora do Acre duas vezes. No fim daquele ano, me apaixonei, em Maringá, no Paraná, por uma linda artesã que tinha um olho de gato. Depois de quase um ano de namoro por carta e telefone, me mandei pra lá. Ficamos juntos por uns seis meses, morando em Curitiba. Certo dia, disse pra ela: Vou ali comprar cigarro, amor! Peguei o ônibus e fui em Casimiro de Abreu, Rio de Janeiro, pra ver minha mãe. De lá, fui bater no Piauí, depois segui pra Fortaleza, Ceará.
Fiquei uns oito meses. Certo dia disse pro meu patrão: Vou ali comprar cigarro, tá? Peguei o avião e voltei pro Acre. Quando cheguei, Antônio ainda estava morando naquela mesma casa, onde ficaste hospedado. E a farra continuou.
Mas não foi só farra não. Eu voltei pra fazer o marketing da campanha de um amigo que era candidato a deputado federal. Perdemos a eleição e, quando eu tava me arrumando pra pegar a estrada mais uma vez. Me apaixonei de novo.
Dessa vez foi do vera mesmo. Mas, antes de juntarmos as trouxas, ela me trocou pelo futuro pai dos filhos que ela sempre quis ter e eu não. Meu cabelo caiu, fiquei um ano em tratamento, completamente careca. Pirei.
Quase morro de depressão. Era um fungo que se alimentava de cabelo, imagina! As pessoas demonstravam um misto de pena e medo, até nojo de ficar perto de mim, de pegar na minha mão. Foi foda! Pior de tudo era ter que beber cerveja sem álcool. Fiz uma coleção gigantesca de chapéus e bonés, precisava ver.
Bem, aconteceram muitas coisas. Me tornei o chargista mais festejado da imprensa acriana. Fiz exposição de charges, publiquei livro, ganhei quatro prêmios José Chalub Leite de Jornalismo, na categoria charge... Tudo isso graças à mulher da minha vida: Soraya. Vivi com ela por quatro anos. Fomos embora pro Rio de Janeiro. Foi o fim. Disse pra ela: Vou ali, em Brasília, fazer uma noite de autógrafos e volto já! Faz três anos que moro,
de novo, em Rio Branco.
A gente precisa se reencontrar, quem sabe vou aí em Itacaré, tomar um banho de mar na Praia da Concha ou no Havaizinho, beber cerveja e saber mais de ti, né, parceiro? E contar todos os detalhes interessantes desses longos anos de história.
Fica com Deus.
Abraço do velho Braga
Candidato filho da...
terça-feira, 17 de agosto de 2010
Existência
Aqui ri,
Chorei,
aprendi
a criar
Amor,
raizes
como apui.
Ah,
criando,
Aqui
passei
a existir.
Ah, creio sim!
Ah, o Acre!...
Não existe
Lugar
Que eu ame
tanto assim.
domingo, 15 de agosto de 2010
Babanacã
De encontrar a palavra certa
Aspergindo boa baba na cã
brotada abaixo da boca aberta.
Sem graça, patético eu ri.
Não disse nada. Perdi a idéia.
Travado, trincado eu tremi...
Me apavorei com a platéia.
Eu que me achava o tal.
Orgulhoso, arrogante, superior
Levei uma surra de pau,
Aprendi o que diabo era dor.
Sem ver o que era evidente,
Quis ser isso e aquilo
Falastrão, boçal, inconveniente,
Chato que nem um grilo.
Oh, noite de aprendizado!
Confesso, gostei da peia.
Agora sei que calado,
Abestado não se aperreia.
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
domingo, 8 de agosto de 2010
Geração
Não dos homens que geraram filhos.
Hoje é dia dos pais.
Do Pai que gerou Adão,
Que gerou Caim,
Pai do homicídio
De FHC, pai do Real
Do Diabo, pai da mentira
De Maurício, pai da Mônica
De Adolph, pai da eutanásia
Hoje é dia de Santos,
Pai da Aviação
De Sigmund,
Pai da Psicanálise
De Cezar,
Pai de Brutus
Hoje é dia de Deus
E de José,
Pais de Jesus,
Que não gerou filhos
Hoje não é o dia de quem gerou
Ana Carollina, Beatriz e Pedro Otávio
É o Dia do Pai das Rumas
sábado, 7 de agosto de 2010
Focalização
Sem se cerrarem assaz
Cílios separados e sós
Se separarão inda mais
As íris refletirão só lilás
As pupilas, só arrebóis
E as glândulas lacrimais
Não mais molharão lençóis
E os cristalinos, segundos após
Se ofuscarem com visões tais,
Serão das retinas heróis
Das córneas, memórias bifocais
E a imagem tão linda, de paz
Brilhará para sempre em nós
Marcará as cavidades orbitais
Apagará de nossa boca a voz