sexta-feira, 22 de março de 2013

Direitos e pecados


Se o big deputado gay, anti-bíblico, globático luta por seus direitos democráticos de fazer, baseado na Magna Constituição Brasileira, uso de seu divino livre arbítrio e o que lhe der na cabeça, ele está certo, está dentro da lei e eu, cristão fuleiro, abusando de meu mesmo direito de falar o que quiser, de ser verborrágico, tal qual o votado o defenderei e por ele enfiarei a minha cara no fogo da maldita hipocrisia em sua defesa.

Detesto aquele fela da... (Ups!) pátria! Refiro-me àquele mentiroso, que vende pra gente humilde o dom que Deus deu de graça pra ele. Sei que o inferno é para quem crer e quem não crer, mas para os que conhecem a Palavra e dela lançam mão para se locupletar e extorquir e comprar fazenda de gado e mansão no exterior, vendendo toalhinha com seu suor “milagroso” deve ter um buraco mais profundo nas profundas do reino do Sapricó.

Cortaram a cabeça de João Batista porque ele não se calou de maneira nenhuma, nem sob ameaça, nem debaixo de peia. Tacou o dedo na cara do pecador e disse a verdade, a verdade de Deus. Este país é cristão ou não é? Se é (que eu sei que não é) deve seguir as Sagradas Escrituras tim-tim por tim-tim, simples desse jeito. Adultério é pecado, homossexualismo é pecado, aborto é matar e matar é pecado e mentir também é.

Já pequei todos esses aí e muitos outros pecados mais. Indagorinha eu cometi um pecado. Mas eu sigo os preceitos bíblicos que, para mim não são balela, nem mitologia, nem ridículos. Eu tenho vícios, eu sou humano, eu erro, eu peco o tempo todo, enquanto viver em um mundo que jaz no maligno. Morto no mal porque o pagamento pelo pecado é a morte mesmo, num tem coré-coré nem “segura aí, que depois eu pago”.

Pecou, morreu nego véi. Quer morrer, deputado gay? Quer morrer, pastor pilantra? Eu num quero não. Mesmo assim, não querendo, tem jeito não, eu vou morrer sim, o deputado e o pastor, todo mundo pecador, a gente vai morrer sim. Mas eu acredito em Jesus Cristo e procuro seguir, mesmo capengando, os seus dois mandamentos: amar ao próximo como a mim mesmo e a Deus acima de tudo. Queria falar mais um pouco, mas não. Tá bom, né?

quinta-feira, 21 de março de 2013

Avalanches do mal

Aqui no Rio de Janeiro, assim como na maioria dos estados brasileiros, uma parte asquerosa da população (gente safada, bandida mesmo) já acorda pensando em quem e como vai enganar, passar a perna, roubar e matar. É de dar ódio, sabe?! Todo ano as chuvas de outono viram enxurradas e avalanches em Teresópolis, Xerém, Petrópolis, Nova Friburgo mas estas são outras histórias de terror e descaso que vou contar depois.

Há três anos - TRÊS ANOS! – uma dessas enxurradas desmanchou o Morro do Bumba, em Niterói. Morreu uma porrada de gente pobre, favelada, trabalhadora. É certo que a natureza também levou um monte de bandidos, traficantes, assassinos e uma ruma de gente que não presta também desceu na lama, no rumo do inferno, mas entre eles num tinha nenhum político pilantra, infelizmente.

Aos sobreviventes e suas famílias de ex-favelados, agora flagelados, sem-teto, sem pai, sem mãe, sem eira nem beira foi pedido que aguentassem o perrengue. Também foi prometido que “o ‘gunverno’ vai resolver essa parada!”. “Deixa comigo!”. “Em outubro ‘é nóis’, viu? Confirma!“.

E assim: Tome-lhe Bolsa Família, Aluguel Solidário, etcetera e tal mais a promessa de construção da espetacular “Minha Casa, Minha Vida”, num moderníssimo condomínio fechado para quem se cadastrasse, bastando para tal, apenas apresentar o título de eleitor.

TRÊS ANOS depois de contratada uma superempresa, vencedora de uma superlicitação para a construção dos superprédios de apartamentos para pobre lascado e outro tanto de espertalhões, apadrinhados de quem participou do esquema - digo, da negociação junto aos governos e bancos - vender, passar pra frente, trocar por um carro velho ou um ponto comercial assim que poder, uma superchuva - Tchibum! - caiu de novo.

Milhares de reais gastos e desviados para construir uma porcaria de condomínio na lama, onde estavam os barracos miseráveis, também foram por água abaixo. Resultado: o prédio, ainda inacabado, rachou, foi condenado, vai ser demolido faltando poucos dias para ser entregue aos pobres coitados, que até hoje vivem de favor ou em alojamentos improvisados. Há TRÊS ANOS! E bote mais uns cinco anos pra que e se as promessas sejam cumpridas.

As chuvas continuam e continuarão caindo fortes e destruindo famílias e matando gente afogada e soterrada. Mas isso é o poder magnífico da natureza que só nos deixa três saídas: sair da frente, sair de perto, sair de baixo. Os desgraçados, de natureza maldita que todo dia acordam pra fazer o mal pros outros, muito mais perigosos do que uma avalanche devastadora também podem ser vencidos, basta ignorá-los nas urnas, no ano que vem.

quarta-feira, 20 de março de 2013

Palavras


Quando eu achava que sabia descrever imagens que havia visto in loco, em filmes, fotografias ou obras de arte, eu não sabia realmente o que via, até que te vi. E foi assim como um novo abrir d’olhos. Meu olhar renovou-se, como a visão de um recém-nascido, o qual foi dado à luz de um novo mundo.

E saído da escuridão que estava vi tal luz cintilante. Esta luz que vem de você. Deste então tento te descrever, maravilhado como um navegante que encontra o que buscava em mares desconhecidos. Como um aprendiz de escriba de cartas, tento explicar e narrar o que foi e o que é ter te visto, assim tão desconcertantemente sem palavras, tão cheio de emoções que não consigo descrever.

Busco por muito mais milhões de outras palavras que não sei pronunciar, por não conhecê-las e que talvez nunca tenham sido escritas, pois que sequer existam.

Quem sabe, em algum momento, sem esforço, sem pretensão, suavemente eu possa encontrar ou inventar tais palavras que descrevam fielmente o que senti e sinto ao olhar, e não conseguir parar mais de olhar para você.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Eu e Altino em Campina Grande


Conheci o ator Altino Machado lá pela segunda metade da década de oitenta. Ele era integrante de um grupo de teatro amador do Acre e eu era de outro do Ceará. Foi num festival nacional de teatro, na Paraíba, o Festival de Inverno de Campina Grande. A peça do único grupo representante do estado do Acre foi ovacionada de pé, num emocionante aplauso redobrado e assobiado. O nome do espetáculo: Toda Noite Tem Pichação.

Lembro muito bem da qualidade performática, direção impecável e texto assustadoramente audacioso, pois já abordava, naquele início de liberdade de expressão, temas que ainda hoje são polêmicos como a pichação urbana e o homossexualismo pedófilo que embaraça o Vaticano. Ali, no topo do nordeste, alguns mil e tantos metros acima do nível do Atlântico, num frio de lascar, eu e o Altino bebemos alguns copos de vinho quente com canela.

Acabou o festival. Todos os paulistas, cariocas, pernambucanos, paraenses, acreanos e a maioria dos cearenses voltaram para suas casas. Eu fiquei mais um pedacinho, resolvi que iria morar ali. Me apaixonei pelo lugar. Minha namorada, noiva, doida topou. Irresponsavelmente, sem dinheiro, sem noção deixamos de voltar no ônibus do grupo e resolvemos arriscar, aventurar. Nos hospedamos na casa de um casal de novos amigos.

Perambulando praqui, pracolá, fomos conhecer mais a terra da poesia, uma das cidades mais intelectuais do nordeste, onde até político discursava em verso e as pichações dos muros já mostravam os modernos grafites de hoje. Participei da primeira noite de autógrafos da minha vida, no lançamento de mais uma obra da autora do premiado monólogo “Guiomar – Sem rir, sem chorar”, Dona Lourdes Ramalho, tia da Elba e do Zé.

O espirituoso Doutor Ademar Dantas, misto de médico, jornalista, teatrólogo, historiador e guia nos proporcionou um inesquecível passeio na serra, em sua moderna Caravan, até às casas, nas cidades onde nasceram e viveram os ilustres pintor Pedro Américo e poeta Augusto dos Anjos. Fomos por Alagoa Grande, Alagoa Seca, Remijo, passando pelo Buraco da Pedra e a Alameda de Santo Antônio até chegar em seu sítio, no cume da Borborema.

Por conta da altitude, meu nariz sangrou. Fiquei apavorado. Dr. Ademar, de pronto me socorreu. Disse para minha noiva que mantivesse minha cara para cima e explicou que aquilo era muito bom para mim, pois se não sangrasse, eu poderia ter um derrame e estragar o domingo do resto da turma. - Relaxa, cearense!  – disse sarcástico – Sei que você não é o chato que acaba passeio só pra ir tomar injeção dolorosa em pronto-socorro. É?

Aí, de volta à razão, eu e minha doida, digo, noiva resolvemos o problema da volta pra casa e voltamos. Por muito tempo esse foi o nosso assunto, a nossa grande história. A viagem à Campina Grande é um marco na minha vida. Então eu larguei o grupo de teatro e fui ser publicitário. Me converti ao Evangelho e me casei na Igreja Presbiteriana de Fortaleza. Fui com minha esposa passar a lua de mel em Morro Branco, mas estas são outras histórias.

Muito tempo se passou. Coisas e pessoas ficaram para trás e outras até desapareceram da minha memória, mas aquele primeiro festival de teatro nunca mais me saiu da cabeça. Cerca de dez anos depois eu fui morar em Rio Branco, Acre, onde conheci o jornalista Altino Machado. Não nos lembrávamos um do outro até que, falando de teatro e do Festival de Inverno de Campina Grande, a aventura no Planalto da Borborema voltou a nos emocionar.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Beleza


Um dia desses alguém me chamou de bonito, sem ser de forma pejorativa, sem ironia, de vera mesmo. E eu nem estava em Cobija, na Bolívia. E nem foi a minha mãe. Tampouco o filósofo Marcos Afonso. Foi uma mulher. Não, ela não é loira! Estava sóbria e enxerga bem. Olha pra gente bem direitinho, olhando assim, profundamente. Não, ela não é a Mãe Diná! Não é a “presidenta” também não. Ela falou de coração, com verdade em seus lábios. Eu vi nos seus olhos.

De todo jeito, sem jeito, eu acreditei e comovido, agradeci. Mas, fiquei completamente sem mais nada o que dizer. Sabe esses momentos em que você perde a fala? Dali em diante nada mais me tiraria a atenção e o interesse em tudo que ela fazia e dizia. Tornou-se meu sentido da vida. É muita tolice isso, né mesmo?! Mas foi mesmo assim como estou dizendo. Ela tinha um começo de sorriso no canto da boca, me olhou nos olhos e disse: “Você é bonito.”.

Falou sem ênfase, uma frase crua, suave, porém firme. Foi sensível e direta feito caminho de afiada lâmina em músculo teso. Ó, quem me conhece sabe. Não é doido (bem...)! Vê que eu não sou bonito. Isto é notório. Fato. Ponto. Mas essa mulher disse que sou e disse de uma maneira tão bem dita que eu não ironizei, não pude e nem sequer me passou pela mente doentia fazer piada para retrucar com uma defensiva retórica e mal humorada, conforme meu modus operandi.

Arrazoei. Num átimo confabulei com meus neurônios. Não encontrei resposta para meu dilema. Queria porque queria uma explicação plausível para aquele disparate. Como era possível tal criatura dizer pra mim que sou bonito e eu, sabendo o que sou, crer que ela está sendo sincera?  E assim, cerrei a boca num paradoxo ridículo, pois literalmente fiquei de queixo caído, de boca aberta entrando moscas, escorrendo baba.

Apesar de tudo, nós não tivemos nenhum relacionamento afetivo ou amoroso depois de sua declaração carinhosa e de minha total e estúpida inércia. Não sei exatamente onde estávamos, em que circunstância, nem quando houve esse encontro. Sei que ela sim, era muito bonita. Não, não era uma prostituta! Simplesmente alguém que me olhou nos olhos e me comoveu infinitamente com sua gentileza em forma de doces palavras.

Desculpe, eu criei um suspense desproposital. Bem... Ela se foi depois disso e eu estava querendo falar deste ocorrido há muito tempo. Este texto, cada frase, oração, parágrafo, foi escrito em datas bem distantes umas das outras. Eu ainda não encontrei as palavras para cientificar o que me ocorreu naquele dia, só sei que foi mágico, reconfortante. É muito bom ouvir boas coisas a nosso respeito. Faz a gente se sentir especial, importante, bonito de verdade.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013


ÓDIO

Teve eleição no inferno e o diabo perdeu.

Tu és tão ruim, tão nocivo, igualmente uma doença que dá febre e dor, tipo infecção dentária.
E, exagerando a prosódia, tu és um saco, daqueles sacos usados em ginásios e academias, para pugilista treinar murros, socos, suores e cuspes, mas esse saco, sendo o meu saquinho escrotal, aonde meu bom Deus achou por bem guardar a fábrica da minha semente, que tem até ouvidos, que acumulam vitupérios, muito mais possantes que os socos do atleta muscululento.

Tu arrotas podridão sempre que tentas falar meu nome.

Respiras os vapores dos dejetos de tua vida morta inteira.

Sonhas com os diabos que o próprio diabo sonhou e baniu de seus pesadelos e doou-os a ti.

Te apraz maldizer-me.

Não te basta imaginar-me defunto.

Não estás feliz com a notícia de minha derrocada.

Tu tens mesmo é que ver o meu cadáver.

Sim, eu sei.

Não verás.

Eu não queria - Por Deus!- te odiar.

O ódio é mau hálito.

Sai da gente, aparece, tapa os narizes, afasta as pessoas...

Fede...

E quem tem não sabe.

Não sente.

Eu sei...

Te odeio.

Tanto ódio...

Não desejo tua morte.

Anseio que tu tenhas uma vida muito longa.

Que vivas centênios doente, caquético. Putrefundo.

Que tuas mãos encolham e as juntas dos teu dedos ranjam.
E as unhas dos dedos dos teus pés arranhem quem tentar te limpar a bunda e te assear.

Que espirres muito e que te escorra catarro pelas tuas ventas a noite toda, o dia inteiro.

Que sobre uma raiz, um caco de ciso, lá dentro, no fundo da tua boca.

Que doa sempre e mais ainda quando lembrares de mim e sequer tentares pronunciar meu nome.

Que este fim de dente te sirva apenas para cortar a base da tua esverdeada e mau cheirosa língua.

Que doa mais.

Que teus ouvidos também doam. E doam muito.

Que tua pele doa demais. 

Que arda com a escuridão.

Que teu suor feda e arda e goteje pelos teus glóbulos e que tuas pálpebras ardam também
sempre que tu chorares de dor.

Queria poder te empalar e te esfolar e esfregar a tua cara na sola da minha bota,
enquanto tu rires.

Tenho vontade de quebrar-te e espalhar teus pedaços ensanguentados pela rua.

Que pares de brilhar.

Que não mais reflitas.

Que se escureça a luz em ti.

Que te espatifes,

Que te apagues,

espelho meu.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Outro dia eu falei mal do Sérgio Souto. Falei sim, num nego! Tava puto com ele! Mas esse puto resolveu escrever de novo. Eu tava puto com ele sim! Cobrei dele! Cobrei sua velha poesia. Aí ele veio com uma poesia nova. A sua velha poesia. A sua vida.


NEM MORTO
Sergio Souto

Vou armar um barraco e tanto
Provocar a maior confusão
Sem essa de levar a minha vida
No momento mais feliz de uma paixão.

Diga lá que eu não vou nem amarrado
Dispensa o padre e os convidados
Que o cortejo não sai não.

Eu sei que o povo vai entender
Que eu não pedi pra morrer
Veja que situação.

Tenho alergia a flores e a cheiro de velas
Eu me recuso a deitar num caixão
Detesto gente chorando ao meu lado
Que coisa mais sem graça e sem razão.

Partirei contrariado outro dia
Mesmo quando for a minha hora
Mas hoje eu não vou nem morto
Cancela esse enterro agora!!

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

VENDEDOR DE REDE NO OESTE EUROPEU

Dia, sinhorinha! Dia, sinhozão!
Desculpe taqui na casaquistão
Sou Zezim das rede do sertão.
Comequicestão?
E essas rede né cara não
Duzentos e catorze mais seis tostão
Se azucrine mermo assim não
O negócio que cestão fazenébão
Rapaz, mas aqui faz um frio do cão
E sem casaquequicestão?!
Oramais. Eu vendo casaquentão!
Mas num faço a menos de cenzão!
Avia, pega que é negoção!
Se der pra fazer, nós faz então
Se num dé, nóis fica os mermo irmão
Fechado? Fazido sem questão!
Obrigado! Té mais vê! Abração!

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Os Raimundos e o mandim do Dim


Em 1993 eu cheguei ao Acre. Fiz muitos amigos, no meio deste tanto, três caros chamados Raimundo cada um. O primeiro desses caras foi o Raimundo Fernandes, editor de esportes do jornal O Rio Branco, onde consegui meu primeiro emprego na Terra de Galvez. Então, na hora do almoço, no refeitório, me enturmando com os colegas de redação ouvi do Raimundo o que me pareceu ser uma pegadinha. Que ele estava me gozando.

- Ô cearense, ainda vou te levar pra passar um final de semana na colônia, pra gente pescar e caçar! – Disse o jornalista, se gabando de ser de origem humilde e ter chegado aonde chegou vindo do seringal. Certa vez vi a carteira de trabalho dele e ri muito, pois seus empregos anteriores ao de repórter e radialista eram de pedreiro, servente e marceneiro. “Nossa que evolução!”, pensei. Aí ele completou: “Já viu chover peixe? Aqui no Acre chove peixe!”.

Aí eu dei aquela gargalhada, falei que ele tava de sacanagem, isso e aquilo. Ninguém riu como eu ri. O pessoal que estava ao redor da mesa, os de outras mesas próximas, todos criticaram minha risada de deboche. Confirmaram com Raimundo de que sim, de vez em quando, chove peixe na floresta. Eu fiquei sem graça, me sentindo um abestado incrédulo, vindo de uma terra (Ceará), que não chove nem água sequer.

O segundo, Raimundo Melo, meu grande amigo Ray, com quem dividi o aluguel de uma casa, aonde fazíamos belas cervejadas e churrascadas nos inúmeros finais de semana daquele ano, também estava ali, almoçando e contando estórias. Ele era o chefe da gráfica que imprimia o jornal O Rio Branco e trabalhava como diagramador. Ray “mangou” foi muito de mim e exagerou mais ainda ampliando as lendas amazônicas.

Falou do tal mapinguari, criatura que se iguala à lenda do pé grande na América do Norte e da cobra grande que vive debaixo da catedral. E, no assunto cobra, meu chapa Ray Melo é “cobra” mesmo. Em papo de pescador e caçador ele é um monstro amazônico. Me falou das grandes serpentes que já viu pelas matas acrianas. E jurou, beijando os indicadores cruzados que aquela estrada que ia dar no rio, era mesmo na verdade um caminho de anaconda.

Anos depois, numa das festas do Prêmio de Jornalismo José Chalub Leite, eu, Ray Melo, Raimundo Fernandes, junto com o então presidente do sindicato, repórter cinematográfico Raimundo Afonso,  nos lembrávamos dos velhos tempos em que trabalhamos na mesma empresa (conheci o terceiro Raimundo na TV Rio Branco), mas agora quero lembrar mesmo é da estorinha que o quarto Raimundo contou naquele dia.

Raimundo Mendes, o Dim. Chargista em quem me espelhei e observei e estudei para me tornar também um chargista acriano. Esse cara, o Dim é um safaDIM (era assim que ele assinava sua página semanal no jornal Página 20). Com seu sorriso gozador, agradável ele se aproxima, já com a piada pronta e sapeca em cima da gente. Não dá tempo de se proteger, a saída é só cair na gargalhada mesmo. Só isso.

Fernandes disse que pegou um tambaqui, no Rio Acre, que era isso assim, ó! O Ray, menosprezando o colega falou que aquilo era nada, que ele mesmo já pescou, de anzol, um bichãozão que dava “marromeno” uns dois desses do Fernandes, mas o Dim – Ah, o Dim! – disse que eles nunca pescaram peixe coisa nenhuma, que eram dois pescadorezinhos de nada, pois ele já pegou foi um mandim que dava palmo.

Aí foi onde eu me lasquei.
- Ah, porra Dim! Peraí, né?! Mandim de um palmo? Grandes coisas, meu. Todo mandim chega a um palmo. Fica até maior, ora mais!
E o Dim completou:
- Um palmo de um olho pro outro, cearense abestado!

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Antonio Alves escreve


REJEIÇÃO AO PT NO ACRE

Do jornalista Antonio Alves, ex-petista e ex-secretário do governo do Acre, autor de "Política Zero", livro que terá breve resenha neste blog na terça-feira:

"Por que o Lula e o PT ganham eleições no Brasil e perdem no Acre? Por que as dificuldades do PT no Acre são maiores a cada eleição?

Acho que, entre vários fatores, existe um que é muito importante: Lula e o PT contam, no Brasil, com uma vantagem que o PT do Acre não tem. Essa vantagem é a campanha contrária na imprensa.

Boa parte da imprensa brasileira esculhamba com Lula e o PT, dá destaque a cada bobagem que dizem ou trapalhada que fazem. Isso lhes garante a popularidade e ainda os transforma em vítimas, angariando a simpatia do povo.

No Acre o PT, coitado, não tem isso. A imprensa é toda a favor, vive numa bajulação explícita, um puxassaquismo vergonhoso. O povo vê e fica desconfiado, cria rejeição."

Texto copiado do Blog do Altino MAchado

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Potocas


Né isso não, viu?!
É nada disso, tá!
Peraí, peraê!
Assim dá não, ó!
Assim não dá!
Dexeudizê comequifoi
Dexeufalá, pô!
Então, comequié?
Tá belê então
Destá!
Tu vai ver só!
Inté.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Acredito na Bíblia


É interessante como a maioria das pessoas não acredita de jeito nenhum na Palavra de Deus, escrita na Bíblia. O cara fica irritado, briga e quer matar quem argumenta, em qualquer assunto, citando as Escrituras. “É inadmissível! É loucura!”, retruca o incrédulo que, invariavelmente tem uma predisposição a acreditar em mau olhado, sorte e azar, numerologia, signos do zodíaco, horóscopo chinês, dieta da luz dentre outras coisas.

Daqui a pouco uma porrada de gente vai cair de pau em cima de mim, por estar defendendo a Bíblia. “Quem prova que isto é a Palavra de Deus? Ele desceu do céu com caneta e papel e escreveu algum livro? Não, ela foi escrita por homens assim como eu e você!”, assim dirão. A mesma ladainha, o mesmo bordão de sempre de quem acredita que usar uma roupa nova, branca e entrar no mar de costas vai fazer o ano novo ser próspero.

Tem gente que antes de tomar uma dose de cachaça, derrama um pouco no chão, levanta o copo em reverência dizendo que “esta é para o santo!”. Um folclorismo etílico bem humorado, baseado numa crendice popular, numa entidade espiritual que incentiva e “abençoa” o alcoólatra devoto. Que santo, hein?!

Este mesmo bebedor abomina e não aceita o segundo mandamento bíblico que diz: “Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te encurvarás a elas nem as servirás...”. Este homem é capaz até de meter a peia em quem for lhe falar “tal absurdo”.

Alguns bons amigos meus creem piamente em seres extraterrestres, de inteligência superior a do ser humano, crença esta baseada em textos e pesquisas de renomados doutores no assunto como Erich Von Däniken, autor do famoso livro Eram os deuses astronautas?, que eu li e gostei demais . Eu também acredito que Deus criou o homem a partir do barro o que faz meus amigos se acabarem de rir e me ridicularizarem.

Milhares de mexicanos e outro tanto de gente no resto do planeta se preparam para o fim do mundo amanhã (21 de dezembro de 2012). São religiosos, cientistas, céticos, ignorantes, enfim uma gama enorme de crentes na profecia Maia. Bem, eu também acredito no catastrófico fim do mundo, na extinção da vida na terra, na ressurreição e na vida eterna, como diz a Bíblia. Muitos outros acreditam também, mas a grande maioria despreza tais “tolices”.

Eu não sou dono da verdade, não estou aqui impondo minha crença, mas é verdade que a Palavra de Deus, a Bíblia Sagrada é odiada pela grande maioria da humanidade. De tão contraditória e exata ao mesmo tempo, não há como negar seu poder divino, porque ela desmascara o homem, nos despe e impõe a verdade dentro da nossa consciência porque Deus nos deu o livre arbítrio. Ou seja: no fundo a gente sabe o que é o que é das coisas.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Poema daqueles dias de noite


Difícil dizer como foi naquele dia
que entrou pela noite
até amanhecer novo dia de novo.

Foi bom até quanto pôde ter ido
então passou a não mais ser tão bom
e ter vindo a ser, mas foi indo

Tinha aquela que me cutucava,
e eu bebia na sua taça.
Me embebedei de seu licor

Tinha aquela outra que só olhava
Mas que não olhava só pra mim
Eu olhava e achava graça

Aí veio uma falta de ar na névoa
E eu bebi relva que escorria
pelos cotovelos da que me beijava

E comi até seus cabelos, com sal
E também inalei seu aroma de jasmim
Mas não cansei não daquela dor

Quando pensei que o dia lá estava
Que era de manhã naquela madrugada
Que na verdade era tarde pra mim

Tinha aquela outra de boca fechada
Mas, quando as lágrimas escorriam
Era quem mais ria e eu gargalhava

E o dia ía se acabando mesmo assim
Vindo a noite, pelas estrelas do céu
e sombreando o sol que se aposentava

Mas quando achei que ía dormir
tinha também aquela vestida de lua
Olhos não fechavam, nem boca fechava

Ela que somente nua se apresentava
Aquela que tinha a pele bronzeada
E a cabeça decorada por um chapéu

E também ele estava ardendo febril
E ali aonde ele estava, naquele lugar
Bem ali, onde sem calor a gente sua

Foram muitas noites e dias sem fim
Que por vezes me esqueço deles
Que outras vezes os guardo em mim.

Onde você vai passar o fim do mundo?