terça-feira, 13 de agosto de 2013

Marte só de ida


Leia aqui sobre o assuto.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Vai se lascar Hollywood!

Cara eu fico muito puto com um específico clichê de filmes norte-americanos. Queria saber, somente pra eu dar-lhe um cotoco, quem foi o baitola desgraçado, imbecil que inventou a cena aonde pessoas agoniadas acham que vão escapar de quem as persegue fugindo pra cima.

Estão correndo no meio da rua aí entram num prédio e vão subindo as escadas até o terraço. O amaldiçoado do edifício tem mais ou menos uns troscunhancentos andares e o carai do perseguido, que deve ter uns dois mil e quatrocentos pulmões sobe aquela pustema, nas carreiras, pelas escadas e o magote vai todo atrás dele sem piscar os olhos, nem parar pra beber água. É de lascar, né não?

Chegou na torre, no topo, tu vai correr pra onde agora, miserável?

O pior que, se for o mocinho sendo perseguido, ainda escapa pulando pra outro prédio, se pendurando num fio de alta tensão que, só nele, não dá choque, se enfiando por uma janela de vidro que, só ele, não corta, se esborrachando no concreto que, só as costelas dele não quebram. Isso quando o cabra não pula do terraço do prédio, dentro de uma caçamba de lixo que só pode ser feito de espuma, porque ele sempre escapa sem nenhum arranhãozinho, só fedendo.

E o pior de tudo, depois desta fedorenta escapada ele ainda consegue pegar um táxi guiado por um porto-riquenho, que não se importa de levar aquele estranho, que tem uma ruma de sujeito correndo e atirando atrás dele. Sem falar que esse cara tá liso. Como é que vai pagar a corrida? Ah, vai se lascar Hollywood!


terça-feira, 18 de junho de 2013

Histórias de Alcântara: Ativistas e protestantes

O Antônio Alcântara passou por muitos apuros financeiros, mas nunca deixou de pagar a pensão de seu filho Augusto Cezar e, para assegurar o sagrado compromisso ele sempre dava seu jeito.

Era comum aparecer em grandes eventos populares vendendo sanduíche natural, sucos e, em festas como o carnaval de rua, vendia caipirinha, cachaça, água e refrigerantes em sua banquinha improvisada.

Sempre criativo, certa vez eu o encontrei num desses antigos carnavais, em frente à Prefeitura de Rio Branco, hoje Praça da Revolução. Debruçado sobre o isopor, em cima de uma mesinha dobrável, segurava uma cartolina, aonde se lia, escrito de ponta cabeça: "CAIPIRINHA R$ 1,00".

Ao adverti-lo de sua distração, me chamou ao pé do ouvido e disse: "É pra ser assim mesmo. Pode deixar. Me admira você, um publicitário véi do cu pelado não reconhecer uma jogada de marketing pra atrair clientes. Vapaporra!".

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Desnamorados

Quando era o amor eterno
E nossos beijos mais demorados
Quando entranhávamos
Nossas vidas e nossos desejos
Nunca realizados
E tínhamos também
Um pacto nunca antes pactuado
Porque éramos par de chinelos
Jamais desencontrados
E quando - Deus sabe - fomos
Um pelo outro, tão apaixonados
Tão contentes em sonhos
Que sonhávamos juntos acordados
E que não haverá outros
Que sejam tanto quanto nós amados
E assim, ali diante do final
De nosso conto de fadas mal contado
Instantes antes de tornarmo-nos
Tristes e infelizes desnamorados
É que soube que foi tudo perfeito
E que nossos doces momentos
Estarão para sempre eternizados. 

"Fazendo hora" com a cara da gente


terça-feira, 4 de junho de 2013

Garrafas bec


Uma linha de refrigerantes dos Estados Unidos vai usar a substância psicoativa THC (tetrahidrocanabinol), presente na maconha, como ingrediente. O principal refrigerante da linha será o Canna Cola ("canna" de cannabis, o nome científico da erva). Outros sabores também estarão disponíveis, como uva e laranja.

Segundo o criador da presepada, Clay Butler, o produto só poderá ser vendido para quem tiver prescrição médica para uso do "baseado líquido" (Rá-rá-rá! Me engana que eu gosto!) e vai custar de 15 a 20 reais. Eu hein, mais barato que coca.

LEIA MAIS NO BLOG DE ANDRÉ CRESPANI
http://wp.clicrbs.com.br/mundoidao/?topo=52%2C2%2C18%2C%2C224%2C77

terça-feira, 28 de maio de 2013

Release para Macferr

PREFEITURA DE CASIMIRO REALIZA CONSULTA PÚBLICA SOBRE RESÍDUOS SÓLIDOS


ONGS, especialistas, associações de moradores e estudantes debateram sobre o tema

Valéria Borba, engenheira e mestra em Saúde Pública, falou sobre os riscos dos resíduos sólidos como o gás das lâmpadas fluorescentes que pode causar câncer
A Prefeitura Municipal de Casimiro de Abreu, através da SEMMADS – Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, em parceria com a Macferr, soluções tecnológicas realizou, durante todo o dia do último dia 07 de maio, na Casa de Cultura de Casimiro de Abreu e na Biblioteca Pública, em Barra de São João, consulta pública para tratar do plano municipal de gestão integrada de resíduos sólidos, com a participação da engenheira Valéria Borba do Nascimento, mestra e especialista em Saúde Pública e representantes de ONGs e diversos segmentos da sociedade.

Segundo Valéria Borba, vem aumentando nas últimas décadas a preocupação nacional com os resíduos sólidos - material, substância, objeto ou bem descartado que, depois de esgotadas todas as possibilidades de tratamento e recuperação por processos tecnológicos disponíveis e economicamente viáveis, não apresentem outra possibilidade que não a disposição final ambientalmente adequada.

Indo desde as questões ecológicas e os paradoxos voltados ao desenvolvimento sobre este tema, ressalta-se a não geração dos resíduos, sua minimização e gerenciamento de seu manuseio incluindo todas as etapas que vão desde a sua geração até a destinação final adequada. “É o despertar da sociedade para com as responsabilidades na gestão e gerenciamento dos resíduos sólidos.”, disse.

As normas técnicas são representadas principalmente pela Lei de Política Nacional de Resíduos Sólidos e a Lei de Saneamento Básico, entre outras referências reguladoras que tratam e harmonizam-se entre si nas áreas ambiental, tecnológica, saúde e segurança no trabalho. Uma preocupação que a Prefeitura de Casimiro de Abreu trás ao debate com a sociedade.

Com a participação de vários órgãos ambientais como o INEA – Instituto Estadual do Ambiente, na pessoa do superintendente regional, Túlio Vagner, o secretário municipal da SEMMADS, Maurício Porto ressaltou que a intenção desta iniciativa é, juntamente com a população, criar o PMGIRS, de acordo com as demandas e necessidades dos municípios e seus habitantes. “Com esta participação popular a prefeitura obtém subsídios para implantação bem elaborada da coleta seletiva de lixo dentre outras ações para a preservação ambiental.”, acrescentou Porto.

Para o diretor Marcos Corsino, da empresa Macferr, organizadora do evento, a consulta pública foi um sucesso pela qualidade dos debatedores e das pessoas da comunidade que participaram ativamente com sugestões e questões, satisfatoriamente respondidas pela especialista convidada. “Para uma primeira reunião, achei bastante produtiva e acredito que teremos um bom material para a elaboração do PMGIRS.”, disse Corsino.

SÃO VERDÃO

Uma atração à parte, durante o evento foi a aparição do ecologista São Verdão. No mínimo curioso, o personagem é interpretado por Jeremias Soares, um pacato cidadão que procura fazer a sua parte, em defesa do meio ambiente, se fantasiando com um vestuário extravagante, composto por máscara de caveira, capa esverdeada, camiseta com estampas dos escudos da maioria dos clubes de futebol brasileiros, sapatos amarelos e bandeirolas com mensagens ecológicas.

O ativista Jeremias Soares na pele do São Verdão: “O verdadeiro sangue nobre é verde!”

Soares e mais alguns ativistas fazem parte da ONG que leva o mesmo nome de seu personagem. Busca visibilidade para seus ideais em estádios de futebol, misturando-se às torcidas organizadas. “Tudo começou na torcida do Corinthians, em um jogo contra o Botafogo. Tive que sair apressado dali para o lado do Botafogo, pois não foi de bom tom estar entre corintianos, todo vestido de verde!”, falou num sorriso.

E disse mais: “Chico Mendes e irmã Dorothy estiveram sozinhos e morreram nesta luta pelo nosso meio ambiente. Eu tenho buscado apoio entre as maiores torcidas do Brasil. Pretendo viajar por todos os estádios do país levantando esta bandeira e mostrando a cor do verdadeiro sangue nobre, que é verde”. Divertido e prometendo um show no próximo encontro, São Verdão foi o principal alvo de fotos com os participantes.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

A russa

Ela tinha um sotaque maravilhoso. Notei na mesma hora que era da Xexênia. Ela era soviética. Disse para mim seu nome, que jamais esquecerei. Verginia Shavatzjnakovak ganhou minha atenção e meu interesse em sua estória extraordinária e, vendo seus lábios trabalharem freneticamente, me apaixonei por ela. Sua língua... Tão exótica e tão doce... Se estivesse falando palavras que eu entendesse, não teria me emocionado tanto.

Excitado que estava, eu a pedi em casamento sem pensar nem titubear e ela disse que sim, que seria minha para o resto vida, na saúde e na doença, na paz e na guerra e disse mais, que viveria comigo até debaixo da ponte e que me daria filhas e filhos lindos com a minha cara e seu todo amor. Foi um casamento de sonho, que toda garota algum dia sonhou casar assim como ela se casou. E, naquela cerimônia emocionante, eu disse sim e ela disse também sim.

Confesso agora, que eu não estava entendendo nada do que ela falava. Sei que gemia, que me falava palavras carinhosas. Ela me beijava e me lambuzava, e me salivava com seus quatro lábios deliciosos. Que mulher! Eu a amava como o poeta ama a letra, como a virgem ama a virtude, como ela amava a alegria, como o povo ama a liberdade. O amor aconteceu ali, naquele momento sublime, num arrepiar de vida.

Obviamente – Quem viveu, e viu, e leu sabe -, nós não nos entendemos assim como nossos corações palpitavam para que as promessas se cumprissem como desejávamos. Fomos apartados pelas palavras que cada um de nós dois tentava falar e nenhum dos dois entendia. Ela era russa e eu brasileiro. A gente só se entendia quando não falávamos. Eu só a entendia quando ela chorava e chorava no idioma universal da infelicidade.

Eu disse para minha amada Verginia Shavatzjnakovak que precisava sair dali e comprar cigarros, na banca da esquina. Ela soube, na mesma hora que falei isso, que eu estava mentindo, que não estava indo comprar cigarros, nem que a banca era ali na esquina. Eu sei que ela ficou triste e que sofreu com minha covarde desistência que, para mim, foi um presente para ela, a mulher que eu nunca entenderia o que falava, mas, assim, a livraria de mim.

Em buraco de peba, tatu caminha dentro?


Comer tatu é bom


sexta-feira, 10 de maio de 2013

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Puto de raiva


O mundo horrível de hoje não precisa de boquirrotos pastores políticos, tampouco de pilantras políticos gays. No fundo de seu armário inóspito, só querem se locupletar, amancebados que são da opinião midiática e desentendedora de suas verdadeiras intenções separatistas e explicitamente diabólicas. Nós, eu e mais uma ruma de criatura do bem, que é “democraticamente” obrigada a votar nestes pulhas, detestamos esse debate nojento.

Pouco me importa essas picuinhas de senadores, caciques, donos de partidos e emendados. Nada disso muda nem diminui a minha contribuição com meus caraminguás, em forma de eternos tributos, e com a minha vida em forma de falta de segurança, saúde e educação. Eu vou continuar seguindo as regras, porque sou legalista. Mesmo que sejam leis retrógradas, abusivas e enganadoras. Leis fascistas eu quebro.

Não voto em quem eu não queira. Se só tem dois candidatos amaldiçoados, repulsivos, porque eu serei obrigado a sair do fundo da minha rede, em dia de chuva, morando mal e porcamente no mais escroto barraco, enganchado no mais perigoso barranco, na mais inóspita favela, do pior bairro, do pior município, do mais detestável estado, do país mais corrupto, insalubre, mal educado, trapaceiro e mentiroso do mundo pra votar em qualquer um dos dois?

Porque sair com lama até o saco de plástico, que sou obrigado a amarrar nos pés pra andar pela rua que o maldito vereador prometeu “ajeitar”, há quatro anos, num comício do nosso pré feito assaltante descarado? Por quê? A bosta dessa lei dos seiscentos diabos proíbe que se busque o infeliz do eleitor em seu domicílio, mas se, por cargas d’água o imbecil do votante não comparecer e não votar em quem vai lhe roubar, paga multa!

Olha só, que lei nazista: Se o estúpido do eleitor não votar, nem justificar, por isso e por aquilo outro porque não votou, e nem for pagar a multa em dinheiro (irrisório que seja, mas é dinheiro que vai pra longe do bolso dos honestos), mesmo tendo estudado noites a fio, depois do expediente, pra fazer aquele concurso público e passar em primeiro lugar, não pode assumir o cargo porque não foi votar naquele palhaço analfabeto.

A criatura, com muito sacrifício e determinação realiza o seu sonho de uma vida melhor por mérito, sem mentiras, sem corrupção. Passa no difícil concurso, mas seu direito é tolhido pela diabólica lei do voto obrigatório. Ou seja: de nada vale seu talento e qualidade intelectual se você, por um motivo qualquer, Deus sabe qual, não ajudou a eleger um dos tantos espertalhões que nunca fará nada para a sua vida melhorar.

Na propaganda o personagem diz: “Eu votei limpo!”. Votou numa sujeira que envergonha gente de bem, que se sacrifica pra exercer o seu democrático direito de ser vilipendiado, chafurdado e humilhado. Votou limpo numa imundície que não cessa e não tem fim. Eu e essa gente teimosa, bruta e prestadora de atenção não queremos que vocês venham nos dizer o quê e como fazer pra que fiquem mais ricos e nós mais fodidos. Vão pro inferno!

Novas charges



quarta-feira, 3 de abril de 2013

Rigor mortis

PROPOSTA

Bem que aplacarias, em favor carinhoso,
Um tanto do calor causticante
E não ache que seja impróprio
Pois que tal atitude seria bem natural

Em troca terias para ti, torso musculoso
Obviamente não mais infante
E aonde quiser que coloque-o
Lá estará para o teu deleite hormonal

E também entre as nádegas encaixada
Que este bendito ato se deflagre
E assim, depois da volúpia deflagrada

E dos suores escorridos pela nossa tez
Num batismo que nos consagre
Se entregue totalmente e sem talvez

RESPOSTA

E como é que inerte, o corpo cavernoso
Se moveria, íncubo e lancinante
Por entre as trompas de Falópio?
Se é recluso, entalado no saco escrotal?

Tão ridículo, o semideus todo defeituoso,
Amolengado feito bexiga secante,
Trôpego tal qual usuário de ópio
Há tempos distanciado do calor vaginal!

Que química divinamente arquitetada
Faria em tal defunto esse milagre?
Pois que nem sequer água abençoada

Nem feitiçaria que se diz que faz, não fez
Sequer lavagem íntima, com vinagre
Trará novamente aquilo que fora uma vez.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Eu e a Lei de Murphy


É engraçado. Uma brasa insignificante de um palito de fósforo, queimado até o meio, já se apagando é suficiente pra consumir uma casa em chamas. Mas quando tu precisa daquela última centelha pra acender uma fogueira, pra não morrer de frio na mata, ela não colabora. Se apaga num segundo, num sopro. Aquela porcaria daquele palito filho duma égua se apaga e, mancomunado com a Lei de Murphy, vai-se embora, desaparece enquanto tu pragueja.

Olha pra esquerda e não vê nenhum veículo, nem uma bicicleta, até aonde a vista alcança. Olha pra direita, igual. Nada. Sem movimento, sem tráfego, tudo tranquilo. Mas, a praga da Lei de Murphy colocou a parada de ônibus do outro lado da rua e, no precioso momento em que ele vem, no horário, e tu tenta atravessar as quatro pistas, todo veículo do mundo aparece, como por mágica só pra ver se tu perde o coletivo ou morre tentando.

Finalmente, depois de meses cantando, declamando poesias de rima e amor pobres, metendo a mão na poupança, dando presentes caros, cheio de tesão, ela sucumbe aos teus estratagemas e cede. Cai na tua lábia e entra no teu quarto, se deita ofegante na cama. Mas, a empata-foda da Lei de Murphy também está lá, bem na hora em que ela tira a calcinha, tu tá sem camisinha. E, sem camisinha, não dá. Como é que dá?

Não, essa é de lascar. Atrasadíssimo, ainda abotoando a camisa espera pelo elevador, dentro dele vem a Lei de Murphy mais aquele japonês do andar de cima, que é lutador de sumô e seus três amigos de equipe. Veja se isso é possível, meu Deus! Mesmo assim você ainda insiste, afinal está atrasado não é? Pergunta encabulado: “Desce?”. É claro que a Lei de Murphy responde: “Sobe!”. Vamos de escada mesmo, é o jeito.

São apenas sete andares descendo. Corre que tu tá atrasado! Ofegante, camisa suada, chega no estacionamento, diante do carro, vasculhando os bolsos percebe que deixou as chaves lá em cima, com a Lei de Murphy. Volta correndo pro elevador, de onde desembarcam algumas pessoas que não escutam você gritar: “Segura, segura!”.  Quando aperta o botão, falta energia. Sete andares, subindo de mãos dadas com a odiosa Lei de Murphy. Nããão!

A Lei de Murphy! Ô bichinha mala-sem-alça da gota serena! Tem muitas outras situações em que ela é protagonista, mas já falei demais nesta miserável. Vou finalizar por aqui antes que ela apareça de repente e... Aaah! Não deu tempo. Ela é foda! Computador travou. Tive que reiniciar tudo e claro, distraído na escrita, me esqueci de vir salvando. Do segundo parágrafo pra cá, tive que escrever tudo de novo! Eu odeio a Lei de Murphy!

segunda-feira, 25 de março de 2013

Seres

Tem gente que mostra quem realmente é até sem perceber, com atitudes viscerais, instintivas. Com palavras delatoras de seu caráter e meneios, gestos, expressões corporais específicos que expõem sobremaneira sua índole, seu temperamento, sua alma. Me lembrei agorinha de algumas dessas pessoas as quais desejo fazer conhecidas e conhecedoras de minha impressão sobre sua conduta e a consideração que devidamente lhes dou.

Havia o Roberto, um colega do bairro. Pessoinha completamente desprovida de moral e honra, um cara inescrupuloso, covarde e detestável. Oriundo de uma família cujo pai era um conhecido voyeur (brecheiro, como se diz em Fortaleza, Ceará), que se esgueirava nas madrugadas, pelas sombras dos arbustos de quintais e frestas de janelas, em busca dos corpos nus e adormecidos de vizinhas incautas.

Odiava me aproximar deste sujeito nojento, o Roberto. Como a maioria de seus tios, primos e irmãos mais velhos, que achavam engraçado soltar peidos fedorentos em público, arrotar e dizer palavrões aos gritos e xingar transeuntes com apelidos ofensivos, este pulha tinha a mania detestável de “cumprimentar” os amigos com uma dedada no traseiro. Ser repugnante e desprezível de quem não guardo uma sequer lembrança agradável.

A gente costumava catar maços vazios de cigarros e colecionar. Desmanchávamos as chamadas carteiras de cigarros e as dobrávamos em forma de notas de dinheiro. Era uma das diversões da molecada do início dos anos setenta, no meu distante bairro Aldeota, em torno da mercearia do Seu Antõe Beto e da Dona Albertina. Nessa aventura divertida encontrei o novo menino do bairro, neto da Dona Haideé e de Seu Osmundo, o Sérgio Ricardo.

Com um sorriso cativante e grande simpatia, não foi difícil para o Serginho conquistar minha amizade, fui o seu primeiro amigo da rua. Logo estávamos brincando nos quintais de nossas casas. Sabe aquele negócio de melhor amigo? Pois é, éramos os melhores amigos. Eu magrela e baixinho, o Sérgio gordo e desajeitado. Nós dois juntos formávamos a dupla do barulho que nos valeu apelido de seu tio Osmundinho: dupla pinga-fogo.

Serginho pinga-fogo e Chico pinga-fogo. Eu era um molóide, ruim de briga que Deus me livre. O Sérgio era outro cara da paz, apesar de grandalhão, não era violento e engolia vitupérios e piadas de mau gosto calado ou com um sorriso encabulado. Sabe que criança, menino de rua principalmente, é bicho cruel, né?! Sem uma gota de remorso, não titubeia quando quer fazer alguma traquinagem mais agressiva com o coleguinha mais bobão.

Pois bem, o Serginho era, na verdade, uma bomba-relógio, um vulcão adormecido. Uma folha de cansanção arre-diabo que não se deve tocar nem de leve. Enquanto estivesse no plano verbal, o moleque podia ofender e destratá-lo como quisesse, porém o imbecil do valentão Roberto, burro como qualquer cavalgadura de seu naipe, tinha que ir mais além, era de sua natureza doentia, não podia se controlar e foi parado sobremaneira.

Numa velocidade assustadora, num piscar de olhos o Sérgio virou-se e o Roberto sucumbiu sob o impacto fulminante do direto de direita, na tábua do queixo. Caiu duro tremendo a escrota mão invasiva que jamais tocaria a bunda de um cabra macho novamente. Todo mundo aplaudiu e o Sérgio Ricardo Pessoa virou herói e o melhor amigo do resto da molecada. Deste sim, ser do bem, eu só tenho boas lembranças e grande consideração.

A pomba da Sandra


Desde que parti de Fortaleza, Ceará, há uns trocentos e vôte anos, eu tenho morado em diversos lugares deste meu país varonil e escutado e aprendido uma pá de coisa bacana no tocante à cultura, sotaques e expressões regionais. Algumas dessas peculiaridades idiomáticas, que eu costumo chamar de “modus falandi” são ora muito divertidas, ora extremamente incompreensíveis e por vezes de sentido inverso de região para região.

Por exemplo, na maioria dos estados a palavra ou expressão “baixaria” se refere a um bate-boca, uma discussão exacerbada ou briga de fato. Já no Acre, além disto, trata-se também de uma comida típica. Consumida como desjejum, principalmente no Mercado Álvaro Rocha, em Rio Branco, o famoso mercado do Bosque, a iguaria é constituída de cuscuz, carne moída, ovos fritos e coentro e cebolinha picados. Humm! É bom demais!

Uma vez eu parti de Maringá, no Paraná até Fortaleza, Ceará. O ônibus que peguei é famoso por fazer a maior viagem por estradas do Brasil. Sai do extremo sul do Rio Grande do Sul, cruza as regiões sudeste, centro-oeste e entra no nordeste pelo norte da Bahia, passando pelo Piauí e Maranhão até chegar ao Ceará. São quatro dias de viagem, cercado por gente de, literalmente, todos os lugares do país. É uma verdadeira Babel sobre rodas.

Imagina uma criatura de Bom Jesus do Gurguéia, Piauí num longo diálogo com uma comadre de Francisco Beltrão, Paraná sendo mediadas pelo seu Zé, de Guaxupé, Minas Gerais? E se houver algum turista estrangeiro dentro deste coletivo, alguém que acha que sabe falar “brasileiro”, que tenha estudado o idioma português, em seu país de origem, com uma mestra lisboeta? Rá-rá-rá! Coitado! Ia ficar mais por fora que pensamento de preso.

E a gente mesmo não entende toda expressão dita pelo Brasil adentro não. Escuta essa. Presta atenção. Estávamos eu o grande amigo Dinho Gonçalves, mais o Grupo do Palhaço Tenorino, em Ponta Grossa, Paraná. Participávamos de um festival de teatro e como é comum nesses eventos, a gente quer se amostrar pros novos amigos. Depois de cada espetáculo estávamos lá, em rodadas de cerveja e muita descontração.

O Dinho “garra da viola” e sapeca uma ruma de canções bem humoradas, como é de seu estilo. A Sandra Buh, que canta e toca muito bem também pediu pra entoar umas modas. De pronto o Dinho entregou-lhe o instrumento e, dirigindo a artista, sugeriu que ela, pra conquistar o público, que o próprio já conhecia de outros festivais, cantasse aquela música do Clenilson Batista que fala sobre um pombinho gamado numa pomba.

A Sandra é muito engraçada. Uma comediante nata. Enchia as bochechas quando cantava “E o pombinho agarra a pomba, ai, ai, ai! E beija a pomba, ai, ai, ai!”. Com suas caras e bocas fez o publico cantar o refrão com ela. Conquistou a plateia do boteco, arrancou aplausos e pedidos de “Mais um! Mais um! Mais um!”. No entanto, muito depois do improviso, nossa amiga nos confidenciou acabrunhada, um tanto quanto decepcionada:

- Égua, meu! Pessoal aqui é muito estranho! Cantei a música dando a maior ênfase na “pomba”, a fim de arrumar um gato pra dar uns amassos e só me apareceu foi sapatão me dando cantada. Eu hein! Esta porra só tem é baitola mesmo, Dinho? Fala aí Braga!

Enquanto o safado do Dinho se acabava e chorava de tanto dar risada, eu esclareci o mal entendido, deliberada e maquiavelicamente engendrado por ele.

- Não, Sandra. É que “pomba” no Acre se refere ao pênis, né?! Eu e o Dinho nos esquecemos de te alertar que aqui, no Paraná é justamente ao contrário.
- Esqueceram o carai, seus dois filhos de umas quengas! – Explodiu iracunda. E o resto do grupo explodiu numa gargalhada uníssona.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Direitos e pecados


Se o big deputado gay, anti-bíblico, globático luta por seus direitos democráticos de fazer, baseado na Magna Constituição Brasileira, uso de seu divino livre arbítrio e o que lhe der na cabeça, ele está certo, está dentro da lei e eu, cristão fuleiro, abusando de meu mesmo direito de falar o que quiser, de ser verborrágico, tal qual o votado o defenderei e por ele enfiarei a minha cara no fogo da maldita hipocrisia em sua defesa.

Detesto aquele fela da... (Ups!) pátria! Refiro-me àquele mentiroso, que vende pra gente humilde o dom que Deus deu de graça pra ele. Sei que o inferno é para quem crer e quem não crer, mas para os que conhecem a Palavra e dela lançam mão para se locupletar e extorquir e comprar fazenda de gado e mansão no exterior, vendendo toalhinha com seu suor “milagroso” deve ter um buraco mais profundo nas profundas do reino do Sapricó.

Cortaram a cabeça de João Batista porque ele não se calou de maneira nenhuma, nem sob ameaça, nem debaixo de peia. Tacou o dedo na cara do pecador e disse a verdade, a verdade de Deus. Este país é cristão ou não é? Se é (que eu sei que não é) deve seguir as Sagradas Escrituras tim-tim por tim-tim, simples desse jeito. Adultério é pecado, homossexualismo é pecado, aborto é matar e matar é pecado e mentir também é.

Já pequei todos esses aí e muitos outros pecados mais. Indagorinha eu cometi um pecado. Mas eu sigo os preceitos bíblicos que, para mim não são balela, nem mitologia, nem ridículos. Eu tenho vícios, eu sou humano, eu erro, eu peco o tempo todo, enquanto viver em um mundo que jaz no maligno. Morto no mal porque o pagamento pelo pecado é a morte mesmo, num tem coré-coré nem “segura aí, que depois eu pago”.

Pecou, morreu nego véi. Quer morrer, deputado gay? Quer morrer, pastor pilantra? Eu num quero não. Mesmo assim, não querendo, tem jeito não, eu vou morrer sim, o deputado e o pastor, todo mundo pecador, a gente vai morrer sim. Mas eu acredito em Jesus Cristo e procuro seguir, mesmo capengando, os seus dois mandamentos: amar ao próximo como a mim mesmo e a Deus acima de tudo. Queria falar mais um pouco, mas não. Tá bom, né?

quinta-feira, 21 de março de 2013

Avalanches do mal

Aqui no Rio de Janeiro, assim como na maioria dos estados brasileiros, uma parte asquerosa da população (gente safada, bandida mesmo) já acorda pensando em quem e como vai enganar, passar a perna, roubar e matar. É de dar ódio, sabe?! Todo ano as chuvas de outono viram enxurradas e avalanches em Teresópolis, Xerém, Petrópolis, Nova Friburgo mas estas são outras histórias de terror e descaso que vou contar depois.

Há três anos - TRÊS ANOS! – uma dessas enxurradas desmanchou o Morro do Bumba, em Niterói. Morreu uma porrada de gente pobre, favelada, trabalhadora. É certo que a natureza também levou um monte de bandidos, traficantes, assassinos e uma ruma de gente que não presta também desceu na lama, no rumo do inferno, mas entre eles num tinha nenhum político pilantra, infelizmente.

Aos sobreviventes e suas famílias de ex-favelados, agora flagelados, sem-teto, sem pai, sem mãe, sem eira nem beira foi pedido que aguentassem o perrengue. Também foi prometido que “o ‘gunverno’ vai resolver essa parada!”. “Deixa comigo!”. “Em outubro ‘é nóis’, viu? Confirma!“.

E assim: Tome-lhe Bolsa Família, Aluguel Solidário, etcetera e tal mais a promessa de construção da espetacular “Minha Casa, Minha Vida”, num moderníssimo condomínio fechado para quem se cadastrasse, bastando para tal, apenas apresentar o título de eleitor.

TRÊS ANOS depois de contratada uma superempresa, vencedora de uma superlicitação para a construção dos superprédios de apartamentos para pobre lascado e outro tanto de espertalhões, apadrinhados de quem participou do esquema - digo, da negociação junto aos governos e bancos - vender, passar pra frente, trocar por um carro velho ou um ponto comercial assim que poder, uma superchuva - Tchibum! - caiu de novo.

Milhares de reais gastos e desviados para construir uma porcaria de condomínio na lama, onde estavam os barracos miseráveis, também foram por água abaixo. Resultado: o prédio, ainda inacabado, rachou, foi condenado, vai ser demolido faltando poucos dias para ser entregue aos pobres coitados, que até hoje vivem de favor ou em alojamentos improvisados. Há TRÊS ANOS! E bote mais uns cinco anos pra que e se as promessas sejam cumpridas.

As chuvas continuam e continuarão caindo fortes e destruindo famílias e matando gente afogada e soterrada. Mas isso é o poder magnífico da natureza que só nos deixa três saídas: sair da frente, sair de perto, sair de baixo. Os desgraçados, de natureza maldita que todo dia acordam pra fazer o mal pros outros, muito mais perigosos do que uma avalanche devastadora também podem ser vencidos, basta ignorá-los nas urnas, no ano que vem.

quarta-feira, 20 de março de 2013

Palavras


Quando eu achava que sabia descrever imagens que havia visto in loco, em filmes, fotografias ou obras de arte, eu não sabia realmente o que via, até que te vi. E foi assim como um novo abrir d’olhos. Meu olhar renovou-se, como a visão de um recém-nascido, o qual foi dado à luz de um novo mundo.

E saído da escuridão que estava vi tal luz cintilante. Esta luz que vem de você. Deste então tento te descrever, maravilhado como um navegante que encontra o que buscava em mares desconhecidos. Como um aprendiz de escriba de cartas, tento explicar e narrar o que foi e o que é ter te visto, assim tão desconcertantemente sem palavras, tão cheio de emoções que não consigo descrever.

Busco por muito mais milhões de outras palavras que não sei pronunciar, por não conhecê-las e que talvez nunca tenham sido escritas, pois que sequer existam.

Quem sabe, em algum momento, sem esforço, sem pretensão, suavemente eu possa encontrar ou inventar tais palavras que descrevam fielmente o que senti e sinto ao olhar, e não conseguir parar mais de olhar para você.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Eu e Altino em Campina Grande


Conheci o ator Altino Machado lá pela segunda metade da década de oitenta. Ele era integrante de um grupo de teatro amador do Acre e eu era de outro do Ceará. Foi num festival nacional de teatro, na Paraíba, o Festival de Inverno de Campina Grande. A peça do único grupo representante do estado do Acre foi ovacionada de pé, num emocionante aplauso redobrado e assobiado. O nome do espetáculo: Toda Noite Tem Pichação.

Lembro muito bem da qualidade performática, direção impecável e texto assustadoramente audacioso, pois já abordava, naquele início de liberdade de expressão, temas que ainda hoje são polêmicos como a pichação urbana e o homossexualismo pedófilo que embaraça o Vaticano. Ali, no topo do nordeste, alguns mil e tantos metros acima do nível do Atlântico, num frio de lascar, eu e o Altino bebemos alguns copos de vinho quente com canela.

Acabou o festival. Todos os paulistas, cariocas, pernambucanos, paraenses, acreanos e a maioria dos cearenses voltaram para suas casas. Eu fiquei mais um pedacinho, resolvi que iria morar ali. Me apaixonei pelo lugar. Minha namorada, noiva, doida topou. Irresponsavelmente, sem dinheiro, sem noção deixamos de voltar no ônibus do grupo e resolvemos arriscar, aventurar. Nos hospedamos na casa de um casal de novos amigos.

Perambulando praqui, pracolá, fomos conhecer mais a terra da poesia, uma das cidades mais intelectuais do nordeste, onde até político discursava em verso e as pichações dos muros já mostravam os modernos grafites de hoje. Participei da primeira noite de autógrafos da minha vida, no lançamento de mais uma obra da autora do premiado monólogo “Guiomar – Sem rir, sem chorar”, Dona Lourdes Ramalho, tia da Elba e do Zé.

O espirituoso Doutor Ademar Dantas, misto de médico, jornalista, teatrólogo, historiador e guia nos proporcionou um inesquecível passeio na serra, em sua moderna Caravan, até às casas, nas cidades onde nasceram e viveram os ilustres pintor Pedro Américo e poeta Augusto dos Anjos. Fomos por Alagoa Grande, Alagoa Seca, Remijo, passando pelo Buraco da Pedra e a Alameda de Santo Antônio até chegar em seu sítio, no cume da Borborema.

Por conta da altitude, meu nariz sangrou. Fiquei apavorado. Dr. Ademar, de pronto me socorreu. Disse para minha noiva que mantivesse minha cara para cima e explicou que aquilo era muito bom para mim, pois se não sangrasse, eu poderia ter um derrame e estragar o domingo do resto da turma. - Relaxa, cearense!  – disse sarcástico – Sei que você não é o chato que acaba passeio só pra ir tomar injeção dolorosa em pronto-socorro. É?

Aí, de volta à razão, eu e minha doida, digo, noiva resolvemos o problema da volta pra casa e voltamos. Por muito tempo esse foi o nosso assunto, a nossa grande história. A viagem à Campina Grande é um marco na minha vida. Então eu larguei o grupo de teatro e fui ser publicitário. Me converti ao Evangelho e me casei na Igreja Presbiteriana de Fortaleza. Fui com minha esposa passar a lua de mel em Morro Branco, mas estas são outras histórias.

Muito tempo se passou. Coisas e pessoas ficaram para trás e outras até desapareceram da minha memória, mas aquele primeiro festival de teatro nunca mais me saiu da cabeça. Cerca de dez anos depois eu fui morar em Rio Branco, Acre, onde conheci o jornalista Altino Machado. Não nos lembrávamos um do outro até que, falando de teatro e do Festival de Inverno de Campina Grande, a aventura no Planalto da Borborema voltou a nos emocionar.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Beleza


Um dia desses alguém me chamou de bonito, sem ser de forma pejorativa, sem ironia, de vera mesmo. E eu nem estava em Cobija, na Bolívia. E nem foi a minha mãe. Tampouco o filósofo Marcos Afonso. Foi uma mulher. Não, ela não é loira! Estava sóbria e enxerga bem. Olha pra gente bem direitinho, olhando assim, profundamente. Não, ela não é a Mãe Diná! Não é a “presidenta” também não. Ela falou de coração, com verdade em seus lábios. Eu vi nos seus olhos.

De todo jeito, sem jeito, eu acreditei e comovido, agradeci. Mas, fiquei completamente sem mais nada o que dizer. Sabe esses momentos em que você perde a fala? Dali em diante nada mais me tiraria a atenção e o interesse em tudo que ela fazia e dizia. Tornou-se meu sentido da vida. É muita tolice isso, né mesmo?! Mas foi mesmo assim como estou dizendo. Ela tinha um começo de sorriso no canto da boca, me olhou nos olhos e disse: “Você é bonito.”.

Falou sem ênfase, uma frase crua, suave, porém firme. Foi sensível e direta feito caminho de afiada lâmina em músculo teso. Ó, quem me conhece sabe. Não é doido (bem...)! Vê que eu não sou bonito. Isto é notório. Fato. Ponto. Mas essa mulher disse que sou e disse de uma maneira tão bem dita que eu não ironizei, não pude e nem sequer me passou pela mente doentia fazer piada para retrucar com uma defensiva retórica e mal humorada, conforme meu modus operandi.

Arrazoei. Num átimo confabulei com meus neurônios. Não encontrei resposta para meu dilema. Queria porque queria uma explicação plausível para aquele disparate. Como era possível tal criatura dizer pra mim que sou bonito e eu, sabendo o que sou, crer que ela está sendo sincera?  E assim, cerrei a boca num paradoxo ridículo, pois literalmente fiquei de queixo caído, de boca aberta entrando moscas, escorrendo baba.

Apesar de tudo, nós não tivemos nenhum relacionamento afetivo ou amoroso depois de sua declaração carinhosa e de minha total e estúpida inércia. Não sei exatamente onde estávamos, em que circunstância, nem quando houve esse encontro. Sei que ela sim, era muito bonita. Não, não era uma prostituta! Simplesmente alguém que me olhou nos olhos e me comoveu infinitamente com sua gentileza em forma de doces palavras.

Desculpe, eu criei um suspense desproposital. Bem... Ela se foi depois disso e eu estava querendo falar deste ocorrido há muito tempo. Este texto, cada frase, oração, parágrafo, foi escrito em datas bem distantes umas das outras. Eu ainda não encontrei as palavras para cientificar o que me ocorreu naquele dia, só sei que foi mágico, reconfortante. É muito bom ouvir boas coisas a nosso respeito. Faz a gente se sentir especial, importante, bonito de verdade.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013


ÓDIO

Teve eleição no inferno e o diabo perdeu.

Tu és tão ruim, tão nocivo, igualmente uma doença que dá febre e dor, tipo infecção dentária.
E, exagerando a prosódia, tu és um saco, daqueles sacos usados em ginásios e academias, para pugilista treinar murros, socos, suores e cuspes, mas esse saco, sendo o meu saquinho escrotal, aonde meu bom Deus achou por bem guardar a fábrica da minha semente, que tem até ouvidos, que acumulam vitupérios, muito mais possantes que os socos do atleta muscululento.

Tu arrotas podridão sempre que tentas falar meu nome.

Respiras os vapores dos dejetos de tua vida morta inteira.

Sonhas com os diabos que o próprio diabo sonhou e baniu de seus pesadelos e doou-os a ti.

Te apraz maldizer-me.

Não te basta imaginar-me defunto.

Não estás feliz com a notícia de minha derrocada.

Tu tens mesmo é que ver o meu cadáver.

Sim, eu sei.

Não verás.

Eu não queria - Por Deus!- te odiar.

O ódio é mau hálito.

Sai da gente, aparece, tapa os narizes, afasta as pessoas...

Fede...

E quem tem não sabe.

Não sente.

Eu sei...

Te odeio.

Tanto ódio...

Não desejo tua morte.

Anseio que tu tenhas uma vida muito longa.

Que vivas centênios doente, caquético. Putrefundo.

Que tuas mãos encolham e as juntas dos teu dedos ranjam.
E as unhas dos dedos dos teus pés arranhem quem tentar te limpar a bunda e te assear.

Que espirres muito e que te escorra catarro pelas tuas ventas a noite toda, o dia inteiro.

Que sobre uma raiz, um caco de ciso, lá dentro, no fundo da tua boca.

Que doa sempre e mais ainda quando lembrares de mim e sequer tentares pronunciar meu nome.

Que este fim de dente te sirva apenas para cortar a base da tua esverdeada e mau cheirosa língua.

Que doa mais.

Que teus ouvidos também doam. E doam muito.

Que tua pele doa demais. 

Que arda com a escuridão.

Que teu suor feda e arda e goteje pelos teus glóbulos e que tuas pálpebras ardam também
sempre que tu chorares de dor.

Queria poder te empalar e te esfolar e esfregar a tua cara na sola da minha bota,
enquanto tu rires.

Tenho vontade de quebrar-te e espalhar teus pedaços ensanguentados pela rua.

Que pares de brilhar.

Que não mais reflitas.

Que se escureça a luz em ti.

Que te espatifes,

Que te apagues,

espelho meu.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Outro dia eu falei mal do Sérgio Souto. Falei sim, num nego! Tava puto com ele! Mas esse puto resolveu escrever de novo. Eu tava puto com ele sim! Cobrei dele! Cobrei sua velha poesia. Aí ele veio com uma poesia nova. A sua velha poesia. A sua vida.


NEM MORTO
Sergio Souto

Vou armar um barraco e tanto
Provocar a maior confusão
Sem essa de levar a minha vida
No momento mais feliz de uma paixão.

Diga lá que eu não vou nem amarrado
Dispensa o padre e os convidados
Que o cortejo não sai não.

Eu sei que o povo vai entender
Que eu não pedi pra morrer
Veja que situação.

Tenho alergia a flores e a cheiro de velas
Eu me recuso a deitar num caixão
Detesto gente chorando ao meu lado
Que coisa mais sem graça e sem razão.

Partirei contrariado outro dia
Mesmo quando for a minha hora
Mas hoje eu não vou nem morto
Cancela esse enterro agora!!

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

VENDEDOR DE REDE NO OESTE EUROPEU

Dia, sinhorinha! Dia, sinhozão!
Desculpe taqui na casaquistão
Sou Zezim das rede do sertão.
Comequicestão?
E essas rede né cara não
Duzentos e catorze mais seis tostão
Se azucrine mermo assim não
O negócio que cestão fazenébão
Rapaz, mas aqui faz um frio do cão
E sem casaquequicestão?!
Oramais. Eu vendo casaquentão!
Mas num faço a menos de cenzão!
Avia, pega que é negoção!
Se der pra fazer, nós faz então
Se num dé, nóis fica os mermo irmão
Fechado? Fazido sem questão!
Obrigado! Té mais vê! Abração!

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Os Raimundos e o mandim do Dim


Em 1993 eu cheguei ao Acre. Fiz muitos amigos, no meio deste tanto, três caros chamados Raimundo cada um. O primeiro desses caras foi o Raimundo Fernandes, editor de esportes do jornal O Rio Branco, onde consegui meu primeiro emprego na Terra de Galvez. Então, na hora do almoço, no refeitório, me enturmando com os colegas de redação ouvi do Raimundo o que me pareceu ser uma pegadinha. Que ele estava me gozando.

- Ô cearense, ainda vou te levar pra passar um final de semana na colônia, pra gente pescar e caçar! – Disse o jornalista, se gabando de ser de origem humilde e ter chegado aonde chegou vindo do seringal. Certa vez vi a carteira de trabalho dele e ri muito, pois seus empregos anteriores ao de repórter e radialista eram de pedreiro, servente e marceneiro. “Nossa que evolução!”, pensei. Aí ele completou: “Já viu chover peixe? Aqui no Acre chove peixe!”.

Aí eu dei aquela gargalhada, falei que ele tava de sacanagem, isso e aquilo. Ninguém riu como eu ri. O pessoal que estava ao redor da mesa, os de outras mesas próximas, todos criticaram minha risada de deboche. Confirmaram com Raimundo de que sim, de vez em quando, chove peixe na floresta. Eu fiquei sem graça, me sentindo um abestado incrédulo, vindo de uma terra (Ceará), que não chove nem água sequer.

O segundo, Raimundo Melo, meu grande amigo Ray, com quem dividi o aluguel de uma casa, aonde fazíamos belas cervejadas e churrascadas nos inúmeros finais de semana daquele ano, também estava ali, almoçando e contando estórias. Ele era o chefe da gráfica que imprimia o jornal O Rio Branco e trabalhava como diagramador. Ray “mangou” foi muito de mim e exagerou mais ainda ampliando as lendas amazônicas.

Falou do tal mapinguari, criatura que se iguala à lenda do pé grande na América do Norte e da cobra grande que vive debaixo da catedral. E, no assunto cobra, meu chapa Ray Melo é “cobra” mesmo. Em papo de pescador e caçador ele é um monstro amazônico. Me falou das grandes serpentes que já viu pelas matas acrianas. E jurou, beijando os indicadores cruzados que aquela estrada que ia dar no rio, era mesmo na verdade um caminho de anaconda.

Anos depois, numa das festas do Prêmio de Jornalismo José Chalub Leite, eu, Ray Melo, Raimundo Fernandes, junto com o então presidente do sindicato, repórter cinematográfico Raimundo Afonso,  nos lembrávamos dos velhos tempos em que trabalhamos na mesma empresa (conheci o terceiro Raimundo na TV Rio Branco), mas agora quero lembrar mesmo é da estorinha que o quarto Raimundo contou naquele dia.

Raimundo Mendes, o Dim. Chargista em quem me espelhei e observei e estudei para me tornar também um chargista acriano. Esse cara, o Dim é um safaDIM (era assim que ele assinava sua página semanal no jornal Página 20). Com seu sorriso gozador, agradável ele se aproxima, já com a piada pronta e sapeca em cima da gente. Não dá tempo de se proteger, a saída é só cair na gargalhada mesmo. Só isso.

Fernandes disse que pegou um tambaqui, no Rio Acre, que era isso assim, ó! O Ray, menosprezando o colega falou que aquilo era nada, que ele mesmo já pescou, de anzol, um bichãozão que dava “marromeno” uns dois desses do Fernandes, mas o Dim – Ah, o Dim! – disse que eles nunca pescaram peixe coisa nenhuma, que eram dois pescadorezinhos de nada, pois ele já pegou foi um mandim que dava palmo.

Aí foi onde eu me lasquei.
- Ah, porra Dim! Peraí, né?! Mandim de um palmo? Grandes coisas, meu. Todo mandim chega a um palmo. Fica até maior, ora mais!
E o Dim completou:
- Um palmo de um olho pro outro, cearense abestado!

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Antonio Alves escreve


REJEIÇÃO AO PT NO ACRE

Do jornalista Antonio Alves, ex-petista e ex-secretário do governo do Acre, autor de "Política Zero", livro que terá breve resenha neste blog na terça-feira:

"Por que o Lula e o PT ganham eleições no Brasil e perdem no Acre? Por que as dificuldades do PT no Acre são maiores a cada eleição?

Acho que, entre vários fatores, existe um que é muito importante: Lula e o PT contam, no Brasil, com uma vantagem que o PT do Acre não tem. Essa vantagem é a campanha contrária na imprensa.

Boa parte da imprensa brasileira esculhamba com Lula e o PT, dá destaque a cada bobagem que dizem ou trapalhada que fazem. Isso lhes garante a popularidade e ainda os transforma em vítimas, angariando a simpatia do povo.

No Acre o PT, coitado, não tem isso. A imprensa é toda a favor, vive numa bajulação explícita, um puxassaquismo vergonhoso. O povo vê e fica desconfiado, cria rejeição."

Texto copiado do Blog do Altino MAchado

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Potocas


Né isso não, viu?!
É nada disso, tá!
Peraí, peraê!
Assim dá não, ó!
Assim não dá!
Dexeudizê comequifoi
Dexeufalá, pô!
Então, comequié?
Tá belê então
Destá!
Tu vai ver só!
Inté.