quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
Soniei
Tocou-me
Depois eu fui dormir
O teu beijo me acalentou
Enquanto eu sonhava
Com o próximo dia de sorte
Ontem foi tão rápido
O amanhã está atrasado
E o pior de tudo
É que não te verei hoje
Tu lembras de tudo?
Teu olhar me sequestrou
Ainda não pediu resgate
O que vais fazer comigo?
Não esqueço o teu sorriso
Nem o mistério
Que pairava sobre ele
Isto realmente me confundiu
Tua pele me faz delirar
Viajo no dopping do teu toque
Tu tens mágica nos dedos
Tocou-me, cativou-me
Teus cabelos tão travessos
Não me permitiram
A plenitude dos teus lábios
Entrepuseram-se no beijo
Hoje, quando fores dormir
Peço-te, Sonia!
Tô nem aí...
Sonha! Vem!
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
Archibaldo Antunes escreve
Flor de malva
Era de graça
Era inteiramente seu
Caloroso como abraço
Estava longe
De ser falso
Mas agora se perdeu
Era só seu
E de mais ninguém
E foi de graça
Que você o recebeu
Era como estrela
D’alva
Uma bela
Flor de malva
Que agora feneceu
Era lindo
Como as garças
Útil como a traça
Que devora os papéis
Que ninguém leu
Talvez você não saiba
Mas foi o destino,
Esse cretino,
Quem lhe deu
E que a culpa
É da desgraça,
Mãe de todas as trapaças,
Que mandou
Que fosse seu
Agora não há graça
Em ver que por pirraça
Você mo devolveu
Era de graça
E estava longe
De ser farsa.
Mas agora se perdeu...
Leia mais crônicas, textos jornalísticos e poemas excelentes como este, no blog do autor, aqui
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
Luz, quero luz!
Não falta luz em São Paulo, nem em Fortaleza, nem no Rio de Janeiro, que dirá em Brasília.
Não falta luz em Xangai, Nova York, Paris, Dubai.
Não falta luz em La Paz, Palestina, Tel Aviv e Pequim.
Nem distrito fabril de Manaus falta luz.
Também nunca falta luz em Dublim, Amsterdan, Washington, Londres, Moscou, Caracas, Atenas, Las Vegas, Miami, Washington, Honolulu e Buenos Aires e mais o Vaticano.
Esses lugares têm luz.
Falta luz em Rio Branco, capital do Acre.
Nesse lugar tem gente no escuro.
domingo, 11 de dezembro de 2011
Do Acre
Sempre, vez por outra, me perguntam assim, toda vida que eu digo que vim do Acre: “Do Acre? Meu Deus! Do Acre? Você é do Acre? Do Acre mesmo? Jesus! Do Acre?! Oh, meu Pai! Do Acre mesmo?!... Fala sério! Você veio mesmo do Acre?” E, antes que eu diga que sim, me perguntam mais ainda: “Mas... você nasceu lá? No Acre?” E exclamam: “Que legal! Gente! Esse cara acabou de vir do Acre! É sério! Ele veio do Acre! Olha! Do Acre! Sério mesmo! Do Acre!”
Sou nascido e criado na Aldeota, capital de Fortaleza, capital do Ceará. Estudei no Grupo Escolar São Pedro, dirigido pela irmã Maria do Carmo, professora de Religião, OSPB (Organização Social e Política Brasileira) e geografia, e juro por Nosso Senhor, que não perguntei nadinha ao Gúgol! Mas, tenho quase certeza absoluta plena, que, tanto a escola municipal São Pedro e o vizinho colégio particular Christus, eram mantidos pela Igreja Católica, financiados pela Ditadura Militar.
Eu tinha ali, pelunzoito ou dez anos quando meu pai, seu Otávio, pendurou na parede da cozinha (entenda como sala de jantar, tá!), três pôsteres, emoldurados, lado a lado. O primeiro, da esquerda para a direita, era o mapa do estado do Ceará, o do meio, era o mapa do Brasil e o último, o mapa múndi. Depois da janta, enquanto a mãe tirava os pratos da mesa, o pai apontava, com uma batuta (que parecia um pedaço de antena interna de televisão) um lugar, num daqueles mapas.
- Argentina! - Disse a Laluce, minha irmã mais velha – Capital? - inquiriu o Pai.
- Buenos Aires! - respondeu Dijé, a mais nova.
Olhou, franzindo o cenho, meu pai para mim. Como que ameaçando um surra de fivela de cinto, caso eu não respondesse à próxima arguição. Cutucou com sua bela batuta um ponto na beira do mapa do Brasil. Dali da onde eu tava, num dava pra ver o nome do lugar aonde a batuta apontava. Só num caguei, ali mesmo, na hora porque num tinha bosta pronta.
- Que lugar é esse, meu Deus? - Pensei. - Po-posso chegar mais perto, pai? - Pode. - Disse o pai. - Saia daí. Venha ver de perto.
- Ah! Já sei!
- Agora, responda então! Que lugar é esse, meu filho?
- É o Acre, né não?
- É. Acertou.
Mesmo assim, inda levei umas boas palmadas, por ter demorado a achar o Acre no mapa do Brasil.
Como dizia o velho escriba, José Chalub Leite: “ Ninguém vem ao Acre impunemente!”
sábado, 10 de dezembro de 2011
O Xerife
Indagorinha, nessa tarde de chuva, na serra, conheci Flavio Migliaccio, de quem sou fã, desde menino. Pedi uma foto (como todo bom tiete) e ele, apressado, mas gentil permitiu que eu publicasse aqui pra gente ver sua simpatia. Beijo, Xerife!
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
terça-feira, 29 de novembro de 2011
Só
Caí em amargura
Um féu me invadiu
A garganta ficou dura
Nada falei
quando você partiu
Chôro
Queixa
tudo
Gemi...
até ficar mudo
Acabei...
Escoei na bica
Queria dizer:
Fica! Fica!
Fica...
Morri em sono profundo...
Acordei em sono lento...
Vendo evadir-se ao vento
Tudo de doce meu
No mundo
Meu querer,
Quebrou-se
Como preciosa porcelana
caída no chão
Você partiu
Cansou-se
E eu?...
Sacana!?...
Fiquei...
Na solidão?!...
Fortaleza - 1988
Longe
Você está longe
De ser aquela pessoa especial que acha que é
De tudo que tem sentido em sua vida
De suas verdadeiras conquistas importantes
Das raízes em que brotaram suas flores
Daqueles que, vez por outra lembram de ti
Do vento, que você nunca valorizou
Dos desejos do seu coração
Da vida que sempre almejou
Da mulher que pensou ter amado
Do cheiro que você acabou de lembrar
Dos créditos que sonha receber
Do primeiro degrau da escada
Da escola onde nunca aprendeu nada
Do sucesso, seu afã
Do futuro que imaginou, quando garoto
Do garoto que nunca conseguiu ser
Do homem que nunca será
Você está longe
De casa.
Bom Jesus do Gurgueia, Piauí, 24 de setembro de 1992
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
Cartão de Natal
Feliz natal.
Desejo que o homem do saco vermelho possa penetrar profundamente no buraco de sua chaminé, trazendo um peru bem grande e bastante prazeroso. Que a pomba da paz penetre no seu interior e te rasgue de alegria e felicidade. E que na entrada do ano, você seja possuído por uma ardente euforia, esquecendo tudo o que ficou para trás. Estes são os meus mais sinceros votos de natal e ano novo para você, meu deputado querido!
terça-feira, 22 de novembro de 2011
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
terça-feira, 1 de novembro de 2011
Bolso furado
Perdi meu amigo Zé.
Num sei como.
Só sei que quando dei por mim, tinha perdido o Zé.
Tateei pelos arquivos da minha consciência, vasculhei as gavetas onde guardo meias e inteiras desculpas para o dia seguinte e não encontrei o Zé por lá
Perdi o Zé, meu amigo.
Quando, eu não sei.
Sei lá como isso foi acontecer!
Sou destrambelhado, vivo perdendo o azimute, o prumo.
De vez em quando sinto falta de algo valioso.
Me dá aquele vazio, uma secura na garganta...
Busco, não acho, me culpo por ser tão distraído.
Mas, perdi, tá perdido.
Aí, nessa procura, felizmente encontro as palavras da Dona Rosa, minha mãe, que diz, enquanto chuleia meus bolsos furados:
Só outro, meu filho!
sábado, 22 de outubro de 2011
A ciência do metal
Mandei flores de plástico
Pra um coração motor
É só um cérebro mecânico
É uma cor, ação, sei não
É uma alminha de metal
Pode ser ferro, ouro, mercúrio
Banhada em ácido sulfúrico
Feita de carne virada em PVC
Tem unhas postiças de madeira
E dente de porcelana afiado
De concreto mesmo, não sei
Sei que ali tem ciência no amor.
O roadie (roude)
Roadie é como chamamos o contra-regra de shows musicais. Uma homenagem minha e do grande compositor Rodrigo Silva a seu pai, meu velho amigo Walter "Gurgel", que é muito mais que o roadie de sua banda. Logo, logo, quando o rock estiver pronto, eu vou fazer o lançamento mundial aqui.
Tu que é o roadie?
O que puxa cabo
Leva choque
Ganha esporro
É tu que é soldado
Quebra queixo
Fura caixa
Perde a chave?
Quem ganha soldo?
É o roadie?
Querendo não
Querendo
Sobe o poste
Acende a luz
Chama o roadie
E quem faz isso
Tudo isso
que eu disse
Chama roadie
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
terça-feira, 4 de outubro de 2011
sábado, 1 de outubro de 2011
Moeda antiga
A juventude saiu de mim
Nem quer mais chegar
Perto de mim. Ela é assim
Ela tende a se afastar
Vem e vai sem que a gente
Perceba que ela veio e foi
Deixa lembrança, somente
Nada mais tem a deixar
Espera aí! Escuta! Ei! Oi!
Não ouve nada, nem ninguém
Pra ela, não tem nada ruim
Tão ligeira, a juventude voa
Vai embora. Aí a velhice vem
A moeda do jogo não perdoa
Cara no início, coroa no fim
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