terça-feira, 30 de março de 2010

Imoralidades

Minha amiga Angélica Paiva me enviou esta. Achei muito legal. Vê aí.

Um texto para reflexão...


Um coelhinho felpudo estava fazendo suas necessidades matinais quando olha para o lado e vê um enorme urso fazendo o mesmo.
O urso se vira para ele e diz:

- Hei, coelhinho, você solta pêlos?

O coelhinho, vaidoso e indignado, respondeu:


- De jeito nenhum, venho de uma linhagem muito boa...
Então o urso pegou o coelhinho e limpou a bunda com ele.

MORAL:
CUIDADO COM AS RESPOSTAS PRECIPITADAS, PENSE BEM NAS
POSSÍVEIS CONSEQÜÊNCIAS ANTES DE RESPONDER!

No dia seguinte, ao passar pelo urso, diz o leão:

- Aí, hein, seu urso! Com toda essa pinta de bravo, fortão, bombado...! Te vi ontem, dando o rabo prum coelhinho felpudo e já contei pra todo mundo!

MORAL DA MORAL:
VOCÊ PODE ATÉ SACANEAR ALGUÉM, MAS LEMBRE-SE QUE SEMPRE EXISTE ALGUÉM MAIS F.D.P. QUE VOCÊ!

sexta-feira, 12 de março de 2010

Mamonas do lado de lá

Outro dia eu vi aquele programa da Globo, Por toda a sua vida, num sabe?
Então... Foi sobre o meteoro Mamonas Assassinas. Muito legal. Imaginei como é que foi a chegada deles na outra vida. Eles saíam de seu último show no Brasil, iam a Portugal, mas terminaram indo cantar muito mais longe.

Quando chegaram no Céu, na presença de Deus, Dinho disse, ao ver o Todo Poderoso dando gargalhadas e batendo palmas: “Égua! Não sabia que os portugueses gostavam tanto da gente!”
Glenn Miller e sua orquestra já tocavam, acompanhando Louis Armstrong, em dueto com Elvis Presley, com arranjo para piano de Mozart e Jerry Lee Lewis, sob regência de Carlos Gomes, uma versão nunca antes escutada em vida de Pelados em Santos.

- Cara, eu acho que a gente morreu e foi pro Céu, ó! – Cochichou Dinho para Júlio – Porque eu tenho certeza absoluta que aquele garçom ali é o Charles Chaplim.
- Pode crer, velho. Bem que tu disse que a gente chegava lá! – Disse Bento, se afastando do grupo, indo cumprimentar Stan Laurel e Oliver Hardy que achavam graça de Oscarito e Grande Otelo fazendo palhaçadas.

- E nossos pais, amigos, parceiros? - Dinho perguntou a Deus – E nossos fãs?
- Estão vivos ainda, ora mais! – Disse Deus – Depois eles vêem, mas agora eu queria era vocês aqui comigo. E aí? Vai entrar numas? Quer voltar?
E o Céu inteiro deu uma grande gargalhada. E Deus contendo o riso disse: “Tô brincando, meninos. Vai, canta uma aí pra mim.”

Sem graça

terça-feira, 9 de março de 2010

Dia Internacional da Mulher

Uma homenagem a todas as mulheres, em especial as bem humoradas, assim como minha grande amiga Karla Martins. Beijos.

terça-feira, 2 de março de 2010

Wilson Pinheiro - 30 anos

Já vão fazer trinta anos que o líder seringueiro Wilson Pinheiro foi assassinado e até hoje nenhum mandante do crime sentou no banco dos réus, mas a família nunca perdeu a esperança na Justiça. Enquanto isso, noutra instância judicial, a poderosa Warner Bros, que produziu o filme Amazônia em Chamas, onde conta a história de Chico Mendes e se atrapalha toda nessa contação é processada mais uma vez. A ação não fala mais em direitos autorais, como na primeira, em 2003, onde a empresa foi condenada a pagar indenização de 4 milhões de reais, mas conseguiu reduzir para 160 mil. A briga da família com a gigante do entretenimento é por danos morais, onde argumenta falsidade no roteiro filmado por John Frankenheymer em 1994, onde mostra Wilson Pinheiro de cabelo comprido e seus companheiros com chapelão mexicano. Leia mais aqui

Bispo jornalista

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio de Janeiro divulgou nesta semana a informação de que o desembargador Fernandes Marques, do Tribunal Regional Federal, determinou que seja expedida a Carteira de Identidade Profissional de Jornalista para o bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus e que comanda a rede de televisão Record. Leia mais em AGazeta.net

Abra o olho no fumacê

Nova campanha da prefeitura de Rio Branco-Acre, para combater o mosquito transmissor da dengue pede para que o cidadão abra as portas de casa e deixe entrar o "soldado anti-dengue", com aquela máquina de fazer fumaça. Agora, preste atenção, não vá deixar qualquer fazedor de fumaça entrar na sua casa, não! Peça identificação, veja se o cabra é mesmo funcionário da Vigilância Epidemiológica porque, se não for, suas coisinhas de valor podem virar fumaça num piscar de olhos.

Mambembe

Grupo do Palhaço Tenorino arrebentando com seu novo espetáculo, pelo interior do Estado do Acre, por meio do Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz com apoio do SESC e Governo do Estado, via Aldeia FM. Confira.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Currículo

Gosto de Geografia,
Quer ver?
Uma de cór, que agora vei-me:
A capital de Suriname,
Mar agora, esqueci o name.

Como vê, arranho Inglês,
Francês, Mandarim,
Enfim...
Ah, sim e Japonês.
Tenho dificuldade é com Português.

Sou auto-didata.
Estudar estudei.
Faça a pergunta
Que responderei.
Se não,
Me lascarei.

Já buli com Teatro,
Diagramação de jornal,
Publicidade, Propaganda
E Dança Moderna. Que tal?

Escrevi livro, veja só!
Um, muito ruim
E outro muito pior.

Fiz também artesanato
E palhaçada em aniversário.
Raiva a padre chato,
Na missa vendendo rosário.

E graças a Nosso Senhor,
Fiz coisas que nem me lembro,
Até imitar meu redentor
Nascendo no mês de dezembro.

Sou fã de Roberto e Wandeca.
Se tiver festa, tou dentro
Fazendo aquela moqueca,
Com dendê, leite de côco e coentro.

Faço rima rica e prosa.
Faço até rima miserável.
Sou filho de Dona Rosa.
Sou filho do Seu Otávio.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Naufrágios


Dois naufrágios marcaram os últimos dias no Brasil. O primeiro, em Tocantins, matou afogado o grande humorista Arnaud Rodrigues. O segundo, a 300 milhas da costa brasileira, fez soçobrar uma belíssima embarcação canadense com uma ruma de estudantes dentro. Todos sobreviveram e, resgatados pela Marinha, foram levados de helicóptero para o Rio de Janeiro. Espero que, de lá voltem todos vivos para casa.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Acabou-se tudo


Órfãos do Bigode
Márcio Chocorosqui

É o fim de uma era. O nosso ponto de encontro, o Bar do Bigode, localizado no centro da capital Rio Branco, não está mais com suas portas abertas. Uso esse eufemismo porque me recuso a dizer a palavra fechou (opa! falei). O bar morreu, mas seu proprietário, com a graça de Deus, está bem vivo. O Francisco Carlos, bom e velho Bigode, virou marajá (lembram dessa palavra? muito em moda na época de Collor). E foi no tempo desse ex-presidente que ele foi demitido da Eletronorte, ilegalmente. Até que, nos dias de hoje, mandaram-lhe novamente ao “trabalho”. Quer dizer, readmitiram-no. Culpa do barbudão de lá — o Lula lá.
Ao vislumbrar que ganharia um salário de marajá, o Bigode vai e fecha o bar, deixando para trás uma legião de órfãos. O Manuel, agrônomo da Secretaria de Desenvolvimento Agrário, quase que diariamente saía do trabalho e ia curtir o happy-hour no Bigas. Quando o bar fechou, passou uns dias vagando pelas cercanias, sem saber o que fazer. O professor Bosco confessa que até chorou. O Wagner “Zé do Limão” viajou para esquecer a tristeza. Imagino o que tantos outros fregueses assíduos estejam passando. Em que bares estarão andando o Cocada, o Adal “Cara-de-Onça”, o Mucura, o Dias, o Homem de Nazaré, o Danilo de S'Acre, o Álamo Kário?...
Sei que, um sábado desses, encontrei o Abel, o Tonhão, o Gustavo “Tarzã”, o Gato Rom-Rom, o Dote “Coalhada”, os professores Sandro e Bosco no bar do Gel (o Gel do Seu Chiquinho). Foi aí que um pensamento piegas percorreu-me o espírito: quando uma porta se lhe fecha, abrir-se-lhe-ão sempre outras (assim mesmo, gastando a mesóclise, pois essas reflexões vêm geralmente em tom epopeico).
Sinto dizer: o Bar do Bigode fechou. Tem nada não. Já fomos órfãos de tantos outros bares. Mas esse deixou profundas marcas em nossas histórias. Talvez seja um símbolo das mudanças que ocorrem em nossas vidas. Devemos acatá-las com ternura, porque o tempo é mesmo deste jeito: cíclico. Não iremos medir o tempo em “antes do Bar do Bigode” e “depois do Bar do Bigode”. As tempestades passam, retornam depois e assim vai. Que este seja o marco de outra era de realizações etílicas. Sempre haverá uma luz nos direcionando para um mar aberto de belas e novas possibilidades. Parece que os sinais da mudança estão impregnando os ares.

* A arte acima foi feita por Francisco Braga para celebrar o “Xarope do Semestre”, eleição que ocorria no Bar do Bigode. O retratado é o próprio dono do bar, com todo carinho.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Pedro Otávio, meu filho

Super orgulhoso. Meu filho Pedro Otávio Paiva Braga (pense num nome boça!l) foi o único acreano, de Rio Branco a passar na seleção para bolsa de estudos do SESC -Rio, onde vai cursar o ensino médio profissionalizante. É o fraco! Puxou a mãe.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Novas cédulas

E para diminuir e dificultar as falsificações de dinheiro no país, o Banco Central vai lançar as novas cédulas de real.
Design modernizado, tamanhos diferenciados, verniz especial "pega-falsário"... enfim, alta tecnologia aplicada à proteção do nosso rico dinheirinho.
Rico sim, porque com todas essa parafernália high tech, uma nota de 1 real vai sair aí por uns 250, mas vai ficar uma lindeza, né mermo?
O poder de compra? É claro que vai ficar menor também, ora mais!

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Ói nóis aqui travêz!

E o Márcio Chocorosqui me enviou esta:

Braga é uma brasa
que se não paga
muito menos se apaga

Sempre aceso aparece
na vida nunca esmorece
dia-a-dia erra e padece

Mas corre atrás da sorte
se mais perto está a morte

Qualquer coisa tem Lisboa
se a vida não é boa

E é assim que ele pratica
que ninguém lhe rogue praga
se fundo ainda fica
o bom arroz de Braga

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Tamos aí

Amigo Sérgio Souto rebolou este poema, mermo no mei do meu e-mail. Repara só.

Meu bom amigo Braga
Que nada tem de brega
Manda bem na briga
E nunca escorrega.

Que nunca jogou praga
Mas ganhou na mega
Quando acende,traga
E vive na bodega.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Márcio Chocorosqui escreve


Só para ser politicamente incorreto
Márcio Chocorosqui*

Alguém faz uma proposta instigante ao modesto escriba:
— Por que não escrever algo politicamente incorreto?
— O quê, por exemplo?
— Talvez um texto que defenda o consumo do cigarro ou algo do tipo.
Então foi plantada uma semente. Eis que nasceu este pé de fumo, que não recomendo seja cultivado. Vejamos:
O cigarro traz grandes benefícios para a economia de um país. Gera milhares de empregos nas fábricas e plantações do tabaco, arrecada muito em impostos e, por mais estranho que pareça, ajuda a economizar na área de saúde. Pois a morte antecipada de fumantes propicia ao governo a redução de gastos com idosos e com o sistema de pensão e da previdência social.
Significa que o cigarro contribui para diminuir o número de pessoas que dão despesa na saúde pública, porque, muitas delas, se fumam, morrem antes do tempo. Com menos gente para cuidar, sobremodo na velhice, mais economia para os cofres públicos. Por outro lado, há de se destacar as vantagens que o fumo proporciona ao indivíduo. Entre as principais, estão os efeitos terapêuticos e psicológicos do tabaco: serve para acalmar os nervos, reduzindo o estresse e a ansiedade; ajuda a pensar melhor, aumentando a capacidade de concentração; consola nas horas de sofrimento, funcionando como um paliativo para as dores do espírito.
E não é somente isso. O cigarro emagrece, à medida que colabora para a diminuição gradual do paladar, tirando um tanto do sabor dos alimentos. Por isso, quando alguém para de fumar, tende a aumentar de peso. Além de contribuir para o controle da obesidade, um sério problema contemporâneo, o cigarro não embriaga, como o álcool. Se, ao invés de ingerir algumas cervejas, o indivíduo fumar uma carteira de cigarro e for dirigir seu automóvel, normalmente estará isento do risco de causar um grave acidente de trânsito. Já um bêbado...
Outra coisa: fumar é elegante. Existe uma satisfação estética na ação do fumante em tragar e soltar a fumaça com charme. Algumas formas de manifestação da arte exploram esse lado estético do tabagismo. O cinema é um exemplo sempre lembrado. O filme Casablanca, de Michael Curtiz, é uma citação clássica. Já na música, cita-se a ópera Carmen, de Bizet. Na literatura, os poemas de Mallarmé, entre outros. Lembro-me desses versos de “Vagabundo”, escrito por Álvares de Azevedo:

Eu durmo e vivo ao sol como um cigano,
Fumando meu cigarro vaporoso;
Nas noites de verão namoro estrelas;
Sou pobre, sou mendigo e sou ditoso!

Nessa estrofe, nota-se a expressão do personagem completamente despojado, que vive ao léu, livre das convenções sociais. No caso, o cigarro está associado à transgressão. E sempre foi ligado também a lutas de liberação sexual e política. Como se tudo isso não bastasse, fumar é legal. Ou seja, o cigarro é vendido livremente a qualquer pessoa, maior de idade, que queira consumi-lo. E não existe mais propaganda da indústria do tabaco. Trata-se de uma questão de escolha individual, de livre-arbítrio. O fumante sabe que o fumo é prejudicial à saúde. Se escolhe fumar, está por sua própria conta e risco.
A propósito, é interessante a conclusão do autor de Cigarros são sublimes, Richard Klein, crítico literário americano: “a própria vida é uma doença progressiva da qual só nos recuperamos postumamente. Se ter saúde é estar livre da doença, só se consegue ser saudável por meio da morte”. Eis aí: apenas algumas palavras filosóficas para encerrar o assunto.

*Professor de Língua Portuguesa, cineasta e um grande jogador de sinuca

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Professor Bené escreve

O patrão dá com uma mão, o banco tira com as duas

Beneilton Damasceno *
benedamasceno@pagina20.com.br

Recebi faz umas três semanas, via celular, ligação da minha gerente de relacionamento de um banco estatal do qual sou correntista desde 1988, pouco antes do confisco da era Collor de Mello. Apreensiva com minha angustiada trajetória financeira como servidor da Ufac, graças às constantes investidas do Tribunal de “Cortes” da União (TCU), a generosa bancária me propôs um “empurrãozinho” providencial na modalidade pegar-ou-largar.

Na simulação, ainda pelo telefone, chutei alguma coisa perto de R$ 30 mil. Não demorou dois segundos e o cálculo estava prontinho (depois que inventaram esse tal de Excel, ninguém mais precisa consumir neurônios à toa para somar oito mais sete): o banco, cujo nome não vou revelar – apenas sei que é, com certeza, do Brasil -, me repassaria, ato contínuo, o valor proposto e subtrairia em folha, durante cinco anos, R$ 854 todo mês.

Nem precisei do Excel – a calculadora do próprio celular me auxiliou bastante naquele momento. O sonho de trocar o Ford Ka 2002 azul-celeste por um veículo mais robusto evaporou-se em questão de minutos. As sessenta prestações somariam R$ 51.240, numa humilhante taxa de juros de 72 por cento durante esse período. Nem pensei em pechinchar.

Tanta facilidade assim me fez recordar o drama dos barnabés da minha época para conseguir um mísero empréstimo algumas décadas atrás. Agora, com um caixa eletrônico ao lado de cada botequim e o CDC acessível a quem interessar possa, basta ter na mão pelo menos um dedo saudável e o desejo inamovível de se endividar “ad eternum”, e o milagre acontece! Falta pouco para as cédulas descerem por um buraco qualquer feito no PC do cidadão ou mesmo pela impressora.

Voltando ao assunto… Em 1977, quando trabalhava no Serda (antiga imprensa oficial), um colega igualmente mal-remunerado conhecido por “Galo Branco” peregrinou durante um semestre nas agências do então Banacre, Caixa Econômica e Banco do Brasil. Implorava por 14 mil cruzeiros. “Caso de vida ou morte”, costumava repetir, resignado, gerando comoção no restante da confraria. Apesar da demora, tudo caminhava na normalidade, mas a liberação do principal dependia, infelizmente, de um personagem tão difícil quanto alcançar a porta do céu: o danado do avalista.

Mas “Galo Branco”, que era brasileiro e não desistia nunca, foi abençoado com a proposta do comparsa “Carlinhos Pipira” de assinar o documento, exigindo como cachê uma grade de cerveja San Juan, importada da cidade peruana de Pucallpa e que fazia enorme sucesso na cidade. Na sexta-feira seguinte, o gerente ligou confirmando que o cheque já podia ser “distentado”.

Fim do expediente. O novo-rico acercou-se de outros dois parceiros e pôs em curso o “caso de vida ou morte” num inferninho todo cheio de luzes que mais parecia o disco voador da Lenilda Cavalcante. No bolso, os 14 mil cruzeiros (pouco mais de R$ 1.500 na moeda atualizada) nem esperaram as quatro da manhã para se converter em taças de uísque, honorários às mulheres da vida pelo item “prestação de serviços” e turnê por vários bairros de Rio Branco a bordo de táxi na temida bandeira 2. Os outros amigos do peito convidados para a boa ação foram o “Pedro Caveira” e o lendário “Pirra” (nascido Carlos Roberto Vieira da Mota), linotipista da empresa e cachaceiro registrado em cartório.

Aqui ou acolá, encontro “Galo Branco” nas imediações do prédio do Detran, na Estação Experimental. Conversa vai, conversa vem, todas as vezes deixo de fazer duas perguntinhas bem básicas: a primeira é confirmar informações de terceiros de que ele atua no ramo de empréstimo consignado por essas empresas que prometem os menores juros da praça sem consulta ao SPC ou à Serasa. A segunda, e mais óbvia, é saber o nome dele. Jamais tomei essa iniciativa nos dois anos em que fomos companheiros de profissão. Pensando bem, melhor assim. Afinal, ninguém tem como processar um desafeto por danos morais só porque mencionou seu apelido.

* Jornalista seringueiro

UNITALIBAN

Expulsa

domingo, 1 de novembro de 2009

Nada

Neguim tinha uns doze anos quando viu ele chorando, por trás da bananeira, no fundo do quintal. Ficou espantado e parou. Até esqueceu que ia tomar banho dentro da caixa d’água, que ficava depois da bananeira. Aprendeu mais uma lição com ele. Aprendeu que herói chora.

Olhos vidrados, olhos molhados. Situação esquisita. Neguim não sabia se continuava ou voltava pra dentro de casa. Em pé, congelado, Neguim viu e ouviu o choro. Era um choro grande, o choro de um homem grande. Neguim não entendeu nada. Como era possível aquele homão chorar?

Neguim chorou de medo quando ele o puxou pelo braço, o ergueu contra o sol e o abraçou carinhosamente, um abraço bem apertado, daqueles de tirar o fôlego. Ele chorou grandemente, gemeu, urrou assustadoramente. Neguim pensou na pisa que ia levar, por que achou que ele tinha descoberto a desobediência da ordem de não nadar dentro da caixa d’água do fundo quintal.

Nada foi dito. Palavra não foi falada. Os dois choraram. Cada um por seu motivo. Os dois sofreram. Os dois se amaram. Neguim entendeu, inexplicavelmente, que aquilo era a última lição, que não era uma reprimenda, que não aprenderia dele mais nada, que não haveria mais lição nenhuma. Neguim o abraçou com mais força. Não queria largá-lo nunca mais.

Neguim viu o papel, com manuscrito ilegível, com carimbo borrado, com assinatura de médico, jogado no buraco do fundo do quintal, o buraco onde se enterrava o lixo, o buraco antes da bananeira que ficava antes da caixa d’água, a caixa d’água onde Neguim não nadou nunca mais.