sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Meu amigo Professor

Professor Beneilton Damasceno, me honra com este post do Blog do Bené, publicado em abril e só hoje que eu tomei conhecimento. Pra você ver como o correio anda arisco. Na verdade, é leseira minha mesmo, que nunca mais tinha visitado o blog do meu amigo. No retrato, intitulado Beneplácido, o erudito, fazendo pose de "tô nem aí!", estroi seu ordenado do jornal Página 20 adquirindo bugigangas em Vila Montevidéo, cidade da Bolívia, fronteira com a brasileira Plácido de Castro. Grande abraço Bené!


Meu amigo Braga


Direto da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, capital do Pan 2007, recebo notícias do cearense mais formidável do meu Brasil varonil. Francisco Braga, nascido "na capital de Fortaleza" (palavras do próprio), no chiquérrimo bairro da Aldeota, e um dos mais competentes chargistas da Amazônia Legal (e também da Ilegal), sem vê nem pra quê resolveu trocar o nosso "seringalvez" pelas delícias desse Sudeste de balas perdidas, com aquelas praias sem graça (argh! Odeio o mar!) e a cariocada chiando que nem panela de pressão. Mesmo assim, não esqueci o convite que você e dona Soraya me fizeram de visitar essa cidade horrorosa, desprovida de atrativos. Devo chegar por aí por esses meses, garanto. Apenas (e somente apenas) para cumprir a palavra, porque, como já falei, não sou de abandonar assim, sem mais nem menos, meu "garapé" São Francisco por qualquer praiazinha do Leblon, Copacabana...
Ah, Braga, antes que esqueca, aproveita e manda um pedaço da grama do Maracanã (vixe, não é para mim não, rapaz! É um amigo meu que faz coleção de capim famoso e ficou com vergonha de se identificar.) via Sedex, para chegar logo. Mas não envia antes do próximo dia 15. É que o "payday" (dia de pagamento) da empresa ainda promete demorar.

Abraços.
Bené

Tratamento de choque

A deputada Idalina Onofre (PPS do Acre) visitou os hospitais de Tarauacá e Feijó. Em Feijó, ela se deparou com uma incubadora que dá choque nas crianças. Leia mais

E a mãe do menino, já pra enlouquecer com as travessuras do moleque.

- Te aquieta, peste! Ô, saci-pererê, vai se deitar, criatura! Eu num agüento mais esse menino! Oí, ó! Não, meu Deus! Não sei mais o que é que eu faça!

E a madrinha ainda diz assim:

- É não, mulher! É porque o bichim nasceu de sete meses, por isso que ele é assim, com esses ói de fogo!

Ninguém disse pra mãe, nem pra comadre que a criança levou foi choque durante sessenta dias dentro da incubadora!

Olha que grandissíssimo...

Quem matou Taís?

A Princesa

Senadores do Caribe

Piratas do Planalto

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Sobre vida


A expectativa média de vida na África é de 47 anos. Logo ninguém saberá como é mesmo o olhar de uma pessoa idosa.
Não vamos abandonar a África para a aids.

Visite AIDES

Transgênico

O Greenpeace costuma exagerar na linguagem quando divulga suas idéias, mas sua propaganda é de altíssima qualidade, geralmente trazendo uma mensagem assustadora. Mas que o filme é bacana, isso é.


"Ninguém conhece as reais conseqüências da manipulação genética."
"Não aos pesticidas e à engenharia genética nos alimentos!"

sábado, 25 de agosto de 2007

Vai escrever bem assim num livro!


O lado de fora

A roupa tem dois lados: o certo e o avesso.

O certo não é garantido: a roupa pode estar suja, manchada, faltando um botão, pode até ser feia. Está do lado certo, mas não quer dizer que esteja certa.

O avesso é mais simples. Mesmo limpo, engomado e perfeito, é o avesso, tá errado e pronto.

Por isso, quem tem roupa feia usa ao avesso. Ninguém nota que é feia. É tática comum na política, usada pela oposição, parece protesto. Quando se elege e vai usar a roupa de governo - claro, do lado certo -, todo mundo percebe a feiúra.

Daí muitos governos, aconselhados pelo pessoal do marketing, começaram a usar a roupa pelo avesso. As empresas também, claro, não iam deixar de ver um mercado promissor como esse. Os jovens usam, porque são jovens. Os velhos, pra ter uma aparência mais jovem. As mulheres, porque querem afirmar-se iguais aos homens. Os homens, porque querem conquistar as mulheres. E por aí vai.

Depois passaram a fabricar roupas com as costuras à mostra, dos dois lados.

Agora só vai ter o avesso.

Do escriba e desenhista Antônio Alves, o Toinho, do blog O Espírito da coisa

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Bom Jesus

O grande Ribinha

Povo muito bem humorado, o piauiense. É uma virtude surgida da dificuldade, do sofrimento, da necessidade de rir. Assim como os judeus são os maiores humoristas do planeta, os nordestinos, tirando a Bahia que canta, são os maiores do Brasil.

Certa vez caí na besteira de fazer piada com o atraso do Piauí e burramente, usando um piada velha, provavelmente inventada por um piauiense só pra pegar gente metida a besta como eu.

O Ribinha era um cabrinha assim, sabe, cabecinha chata, carinha de abestado, mas esperto que só camelô no meio de turista. Era locutor da rádio Cultura do Gurguéia.

O Vale do Gurguéia é muito rico de belezas naturais chega a lembrar a selva amazônica. Chove muito e também faz um calor do Piauí. Não falei calor do inferno porque dizem que o Piauí é muito mais quente.

O Ribinha brincava comigo a respeito da seca do Ceará. Com uma bola de sinuca na mão dizia: “Braga, olha! Isso aqui é que é cor verde, ta vendo? E todo mundo ria com o Ribinha e de mim, que ria também e esperava o momento de devolver.

Eu devia mesmo ter ficado calado, mas não teria essa história pra contar. O Ribinha continuou na “alugação”, que naquele tempo se chamava “pegando no pé”.

- Vocês sabiam que lá no Ceará não tem pano de sinuca verde? Tem de toda cor: encarnado, amarelo, roxo, mas verde não tem, não! Se o dono da sinuca botar pano verde, jumento pensa que é capim, vai lá e come a sinuca!

Bom, aí perdi a esportiva e o bom senso. Resolvi me defender na mesma moeda. Quem era Ribinha pra me desmoralizar, falar daquela maneira sobre a minha terra! Não, eu não podia mais permanecer calado.

- Ô, Ribinha, logo você falar mal do Ceará, que é nascido em um lugar cujo a única coisa que vai pra frente é o atraso. Tão atrasado que até pouco tempo a bandeira do Piauí era um couro véi de bode esticado num pedaço de bambu. É ou não é?

-Era. Você tem razão, amigo Braga. A bandeira do Piauí realmente era assim como você falou, mas tivemos que mudar pra uma de pano porque passou por aqui um cearense fugindo da seca e, morrendo de fome comeu o couro véi e levou o bambu, não sei pra fazer o quê.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Inocência 2

Inocência

Que é que tem a ver?

Só mesmo o Jornal O Rio Branco pra publicar estas duas chamadas totalmente destoantes no mesmo box cor-de-rosa, a não ser que a foto do rapaz segurando a cobra seja o elo de ligação.

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Carta ao Juvenal

“Que tempos são esses: Nem o Juvenal tem paz!”

(Passante no calçadão da Gameleira ao ver que roubaram o livro da estátua)

Rio Branco, 21 de agosto de 2007.

Prezado Juvenal,

Já diz o povo: Agosto mês de desgosto! Pois quem nesta vida nasceu para rei, não vai se conformar com principado, não é mesmo?

Já não vivemos o tempo dos antigos bailes na Tentamen, do bilhar no Hotel Madri e do vai-e-vem dos nossos “batrícios” na Rua 17 de novembro, mas em compensação, vivemos dias de incerteza e de esquecimento...

Por que tudo isso? Ora, claro que você já sabe, senão lá vai: Roubaram teu livro! É. O de poemas, ali colocado para representar teu gosto pela leitura, tão necessário nos dias de hoje.

E não foi só isso: Atiraram com toda força possível um tijolo na tua cabeça, antes de levarem o livro, mas tens a cabeça dura nem sentistes. Em compensação sentimos nós, no nosso poeta de espírito “gavroche”, como bem conta teu parceiro de arruaças, Océlio. Sim ainda que alguns não se dêem conta, todos somos penalizados, explico:

O que faz alguém destruir um patrimônio coletivo, senão o desconhecimento de que também lhe pertence, isso é óbvio, mas o que a gente faz individualmente contra? NADA!

Sinceramente vejo todo mundo falando, mas poucas são as palavras pró-boa ação, o ato do roubo, da tijolada e do vandalismo acontecem, segundo a Christina*, em quase todas as estátuas de bronze que ela tem feito, mas o que a gente faz? A gente fala da atitude, mas não propõe algo para mudar isso, ficamos comentando o fato, mas o que mais?

Bem, eu decidi fazer algo, ah.... mas antes preciso te contar: roubaram o livro e quebraram o mármore, é fato. Imediatamente foi encomendado novo livro, colocaram outro mármore, te deram um banho e passaram cera incolor, ficaste brilhando, um luxo!

Na madrugada, hora que tu mais gostavas de andar pela rua, rindo e recitando poemas, aproveitaram e dessa vez roubaram o banco, é... o banco que permitia que alguém sentasse ao teu lado, ou que qualquer passante falasse contigo, dividisse um trago imaginário ou ficasse divagando.

Mentira? Quem dera... outra vez estás nas páginas dos jornais, nos blogs, nas rodas de conversa. Assim decidi de vez fazer algo, o que eu posso, dentro das minhas possibilidades: Todos os dias vou ao “Hotel Madri” onde trabalho. Ainda não tive a oportunidade de perguntar à dona Ida, “Mãezinha”, quem morava no “canto exato”, em que trabalho, mas tenho certeza que tu já andaste muito por lá.

O certo é que todos os dias vêm levas de alunos visitarem o prédio, acompanhados de suas professoras e seus cadernos, dos quais eles não tiram os olhos escrevendo compulsivamente, com se ao anotar pudessem aprender tudo.

Pois bem, a partir de hoje, cada vez que eu encontrar esses meninos, moças e crianças no prédio não perderei tempo e sem dó, nem piedade recitarei teus poemas e falarei de ti.

Contarei dos teus amores desvairados por Laura, das orgias que organizastes para as tuas “amigas” Esmeralda, Maria Cu-de-pau e tantas outras, só não direi do que não sei, apenas desconfio, prefiro que seja nosso segredo... deixa pra lá.

Acredito que desse jeito besta, da maneira mais simples, estarei colaborando para que os jovens conheçam as tuas poesias, que já não te pertencem, são patrimônio de cada um deles.

Espero colaborar para que não sejas só monumento e sim cada dia mais vivo e presente na nossa memória.

De resto te envio um beijo e aproveito para dizer que agora tens um segurança que zela pela tua integridade física, por que da moral é melhor nem falar.... Pra ver como são as coisas: Até hoje, passados tantos anos, ainda estás na “boca do povo”. Longa vida ao Juvenal!

Com carinho,

Karla.

*Christina Motta, é a escultora que fez a estátua e está providenciando o novo livro. Para ela, nosso abraço agradecido, meu e do Juvenal. Aproveito para convidar as pessoas para virem visitar o Juvenal, conhecê-lo, sentar com ele (o novo banco já foi providenciado) e aproveitar para escutar seus poemas, estarei às ordens.

Karla Martins, acreana, atriz e contadora de histórias.

Viva Juvenal!

Elogio da preguiça
Juvenal Antunes

Bendita sejas tu, Preguiça amada,
Que não consentes que eu me ocupe em nada!

Mas queiras tu, Preguiça, ou tu não queiras,
Hei de dizer, em versos, quatro asneiras.

Não permuto por toda a humana ciência
Esta minha honestíssima indolência.

Lá está, na Bíblia, esta doutrina sã:
-Não te importes com o dia de amanhã.

Para mim, já é grande sacrifício
Ter de engolir o bolo alimentício.

Ó sábios, dai à luz um novo invento:
A nutrição ser feita pelo vento!

Todo trabalho humano, em que se encerra?
Em, na paz, preparar a luta, a guerra!

Dos tratados, e leis, e ordenações,
Zomba a jurisprudência dos canhões!

Juristas, que queimais vossas pestanas,
Tudo que legislais dá em pantanas.

Plantas a terra, lavrador? Trabalhas
Para atiçar o fogo das batalhas!

Cresce o teu filho? É belo? É forte? É loiro?
- Mas uma rês votada ao matadouro!

Pois, se assim é, se os homens são chacais,
Se preferem a guerra à doce paz...

Que arda, depressa , a colossal fogueira
E morra assada, a humanidade inteira!

Não seria melhor que toda gente,
Em vez de trabalhar, fosse indolente?

Não seria melhor viver à sorte,
Se o fim de tudo é sempre o nada, a morte?

Queres riquezas, glórias e poder?
Para que, se amanhã tens de morrer?

Qual mais feliz? O mísero sendeiro,
Sob o chicote e as pragas do cocheiro...

Ou seus antepassados que, selvagens,
Viviam, livremente, nas pastagens?

Do Trabalho por serem tão amigas,
Não sei se são felizes as formigas!

Talvez o sejam mais, vivendo em larvas,
As preguiçosas, pálidas cigarras!

Ó Laura, tu te queixas que eu, farcista,
Ontem faltei, à hora da entrevista,

E, que ingrato, volúvel e traidor,
Troquei o teu amor - por outro amor.

Ou que, receando a fúria marital,
Não quis pular o muro do quintal.

Que me não faças mais essa injustiça,
Se ontem não fui te ver, foi por preguiça.

Mas, Juvenal, estás a trabalhar!
Larga a caneta e vai dormir, sonhar.

Cismas - 1908

Salvem Juvenal!

Montaram na estátua do poeta Juvenal Antunes, que fica ali em frente à Fundação de Cultura Elias Mansour, no Calçadão da Gameleira. Depois roubaram o livro de bronze que compunha o monumento e agora roubaram a cadeira do lado que também fazia parte da obra. Tudo isso tem acontecido num dos principais pontos turísticos de Rio Branco, o Centro Histórico Cultural da cidade. A polícia não tomou providências, o Ministério Público não se manifestou, a imprensa não divulgou. É, pra ti tá mal, Juvenal!