terça-feira, 7 de setembro de 2010

Só mesmo assim

Só pega quem pode pegar

Só perde quem tem algo

Só dá quem quer

Só fica só quem se afasta

Só quer ir quem já veio

Só ficará quem não vai

Só pára quem anda

Só anda quem vai

Só sobe quem quer ver de cima

Só desce quem não sobe mais

Só vê quem quer saber

Só escuta quem presta atenção

Só sabe quem pergunta

Só responde quem escuta

Só acha ruim quem reclama

Só acha bom quem tem sorte

Só come quem tem comida

Só não come quem já comeu

Só se enxerga quem tem espelho

Só vive quem respira

Só morre quem não viverá mais

Só morrerá quem nunca existiu

Só viverá quem for lembrado

Só lembrará quem ficar vivo

Só quem sabe é quem concorda

Só com corda é que se enforca

Só se enforca quem tem pescoço

Só é enforcado quem discorda

de quem tem a forca e a corda

domingo, 5 de setembro de 2010

Casa de Marina

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Carta para Eugenio

Pegaste a nossa empregada, hein, safado (rs)! Demorei a me lembrar de ti, compadre. "Quem diabos é Eugenio?" - Pensei. Aí, lembrei. Faz uma pá de tempo né? 96, 97, se não me falha, de novo, a memória. Que bom que estás bem.
Já fui embora do Acre duas vezes. No fim daquele ano, me apaixonei, em Maringá, no Paraná, por uma linda artesã que tinha um olho de gato. Depois de quase um ano de namoro por carta e telefone, me mandei pra lá. Ficamos juntos por uns seis meses, morando em Curitiba. Certo dia, disse pra ela: Vou ali comprar cigarro, amor! Peguei o ônibus e fui em Casimiro de Abreu, Rio de Janeiro, pra ver minha mãe. De lá, fui bater no Piauí, depois segui pra Fortaleza, Ceará.

Fiquei uns oito meses. Certo dia disse pro meu patrão: Vou ali comprar cigarro, tá? Peguei o avião e voltei pro Acre. Quando cheguei, Antônio ainda estava morando naquela mesma casa, onde ficaste hospedado. E a farra continuou.

Mas não foi só farra não. Eu voltei pra fazer o marketing da campanha de um amigo que era candidato a deputado federal. Perdemos a eleição e, quando eu tava me arrumando pra pegar a estrada mais uma vez. Me apaixonei de novo.

Dessa vez foi do vera mesmo. Mas, antes de juntarmos as trouxas, ela me trocou pelo futuro pai dos filhos que ela sempre quis ter e eu não. Meu cabelo caiu, fiquei um ano em tratamento, completamente careca. Pirei.

Quase morro de depressão. Era um fungo que se alimentava de cabelo, imagina! As pessoas demonstravam um misto de pena e medo, até nojo de ficar perto de mim, de pegar na minha mão. Foi foda! Pior de tudo era ter que beber cerveja sem álcool. Fiz uma coleção gigantesca de chapéus e bonés, precisava ver.

Bem, aconteceram muitas coisas. Me tornei o chargista mais festejado da imprensa acriana. Fiz exposição de charges, publiquei livro, ganhei quatro prêmios José Chalub Leite de Jornalismo, na categoria charge... Tudo isso graças à mulher da minha vida: Soraya. Vivi com ela por quatro anos. Fomos embora pro Rio de Janeiro. Foi o fim. Disse pra ela: Vou ali, em Brasília, fazer uma noite de autógrafos e volto já! Faz três anos que moro,
de novo, em Rio Branco.

A gente precisa se reencontrar, quem sabe vou aí em Itacaré, tomar um banho de mar na Praia da Concha ou no Havaizinho, beber cerveja e saber mais de ti, né, parceiro? E contar todos os detalhes interessantes desses longos anos de história.

Fica com Deus.

Abraço do velho Braga

Candidato filho da...

O Tiririca é um ignorante, sortudo, que acha engraçado ser banguela. Agora quer ser deputado porque a mãe dele disse que é uma ideia genial. Isso também não tem graça nenhuma. Não vote nesse idiota, já tem muito energúmeno em Brasília.

Previsão de Callori

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Existência

Aqui ri,
Chorei,
aprendi
a criar
Amor,
raizes
como apui.
Ah,
criando,
Aqui
passei
a existir.
Ah, creio sim!
Ah, o Acre!...
Não existe
Lugar
Que eu ame
tanto assim.

domingo, 15 de agosto de 2010

Babanacã

Fiquei gaguejando no afã
De encontrar a palavra certa
Aspergindo boa baba na cã
brotada abaixo da boca aberta.

Sem graça, patético eu ri.
Não disse nada. Perdi a idéia.
Travado, trincado eu tremi...
Me apavorei com a platéia.

Eu que me achava o tal.
Orgulhoso, arrogante, superior
Levei uma surra de pau,
Aprendi o que diabo era dor.

Sem ver o que era evidente,
Quis ser isso e aquilo
Falastrão, boçal, inconveniente,
Chato que nem um grilo.

Oh, noite de aprendizado!
Confesso, gostei da peia.
Agora sei que calado,
Abestado não se aperreia.

domingo, 8 de agosto de 2010

Geração

Hoje é o Dia dos Pais.
Não dos homens que geraram filhos.
Hoje é dia dos pais.

Do Pai que gerou Adão,
Que gerou Caim,
Pai do homicídio

De FHC, pai do Real
Do Diabo, pai da mentira
De Maurício, pai da Mônica
De Adolph, pai da eutanásia

Hoje é dia de Santos,
Pai da Aviação
De Sigmund,
Pai da Psicanálise
De Cezar,
Pai de Brutus

Hoje é dia de Deus
E de José,
Pais de Jesus,
Que não gerou filhos

Hoje não é o dia de quem gerou
Ana Carollina, Beatriz e Pedro Otávio

É o Dia do Pai das Rumas

sábado, 7 de agosto de 2010

Focalização

Se olhos assistirem sóis
Sem se cerrarem assaz
Cílios separados e sós
Se separarão inda mais

As íris refletirão só lilás
As pupilas, só arrebóis
E as glândulas lacrimais
Não mais molharão lençóis

E os cristalinos, segundos após
Se ofuscarem com visões tais,
Serão das retinas heróis
Das córneas, memórias bifocais

E a imagem tão linda, de paz
Brilhará para sempre em nós
Marcará as cavidades orbitais
Apagará de nossa boca a voz

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Carapanã encheu, voou


Esse novo jingle da prefeitura de Rio Branco (“Foi Deus que me deu este lugar...”), não sai da minha cabeça. Pense numa musiquinha que pega a gente! Depois daqueles aedes aegypti falantes, da campanha de combate à dengue, esse é o VT institucional mais chato já criado pela CIA de Selva, agência detentora da conta publicitária municipal. Tomara que comece logo a propaganda eleitoral, pra gente ouvir coisas mais agradáveis e criativas. É bom lembrar que os mosquitos falantes voaram da mídia, mas os picantes, transmissores de uma ruma de doenças, além da dengue, continuam zunindo pelo ar.

Eu sou cristão

Eu sou cristão. Não católico, não protestante. Pecador. Creio que Deus sacrificou seu único filho, para que todo humano soubesse que é assim que Ele age, que é desse jeito que Ele quer que as coisas sejam. Eu creio no que está escrito na Bíblia. Adão e Eva, Noé e Matusalém, Daniel e os leões, Davi e Golias e na conceição imaculada. No livre arbítrio e no pecado. Nas árvores do Conhecimento e da Vida Eterna.

Não pergunte para mim porque que eu, logo eu, digo que sou cristão. Eu nunca li a Bíblia desde o primeiro livro, o Gênesis, até o último, o Apocalipse. Nunca decorei qualquer salmo de Salomão ou de Davi. Abomino atitudes belicistas em nome de Deus, sacerdotes assassinos e pedófilos e milagreiros manipuladores da fé. Eu creio que Deus esteve entre nós, na forma humana de Jesus Cristo. Entregou-se à morte para vencê-la e ressuscitar.

Claro que eu digo que sou cristão porque ouvi e li e acreditei na história de Jesus Cristo. No homem que morreu crucificado e que sua vida e sua morte faziam parte de um plano de Deus para nos redimir de nossos pecados. Creio em Deus, criador de todas as coisas e que ele me ama. Conheço, portanto sei que, quando estiver diante Dele, não terei como argumentar a meu favor, para escapar de Seu veredito.

Homens como Abraão, Mao Tse-Tung, Hitler, Che Guevara, Getúlio Vargas, Karl Marx, Massaharu Tanigushi, Buda, Kennedy, Ramses, Khomeini, Deng Xiaoping, Churchill, George Washington, Kubitschek, Cristóvão Colombo, Neil Armstrong, Napoleão Bonaparte, Gorbatchev, Isaac Newton, Einstein, Nicolau Machiavel e muitos outros também tiveram conhecimento de Deus. E usaram do livre arbítrio que lhes foi dado. E formaram suas opiniões.

Beijo no sapo

Esperei tanto esse beijo!
- Disse inda tonto, o sapo,
Por detrás do guardanapo,
Tenaz em cobrir seu aleijo.

Timidamente feliz, ele riu.
O adonte, batráquio anuro,
Outrora, descrente, inseguro
Agora, desnudo dançante no frio.

Fugaz, tão fugaz é a beleza.
Perdura por uma só juventude.
Veloz, atrevida e imatura

Com lábios, tais quais de princesa,
Num átimo, em audaz atitude,
Desmancha com beijo, feiúra.

Pedro Otávio Paiva Braga

Escrevi para meu filho, pelo seu aniversário. Publico agora.


Cara, eu tenho orgulho de ti, ó?! Porque tu existe e é o que é, eu vou sempre saber que acertei em algo nessa minha vidinha medíocre! Tu é meu! Tô contigo e não abro! E quem bolir contigo, boliu comigo. Morro, mas tu não. Apanho por ti, me lasco por ti. Nunca duvide disso!

É, neguim! Tu tá aqui, ó! Aqui, na minha veia! Aqui no meu peito, na minha mente, nos meus dedos, no meu olho, na minha mira, na minha venta, no meu choro, no meu beijo. No meu pulso. Nos meus sonhos...

Nos sonhos em que tu sempre estiveste desde o tempo em que eu nem sabia quem era tu. Quando eu simplesmente sonhava contigo. Quando eu ainda achava que sonho não se realizava. Tu tá aqui! Tatuado pra sempre na pele mais fina do meu coração.

Mas, Deus, em sua infinita sabedoria, autor de tudo que tu venha imaginar, inventor do bom humor, da alegria, do prazer e da saia justa, me criou e criou também a tua mãe. Pois é! E... parará, parará... Criou tu também.

E, por mais que o meu livre arbítrio questione Suas invencionices, tipo esse negócio de “eu te amo!”, posso fazer o quê, né, meu filho?! Vou bem eu peitar o Criador, né não?!
Eu mermo, hein!

Pois é... Então... Feliz aniversário!

Eu te amo!

terça-feira, 20 de julho de 2010

Silêncio

Não ria assim, como a pouco ria.
Não ria assim com sarcasmo e dolo
Pois fechados os lábios, até os do tolo,
Transmitem admirável sabedoria.

Olhe e aprenda com a cabeça dos sábios
Duas grandes orelhas atentas eles tem
Dois olhos que veem o que não vê ninguém
E, abaixo de um nariz, discretos dois lábios

Quando, entre os sábios manter-se assim
Vendo, ouvindo, prestando atenção
Deles ganhará respeito e amarão você

Até te arguirão com perguntas sem fim
E satisfeitos, eles certamente ficarão
Se calado, ignorante, você não responder.