terça-feira, 10 de novembro de 2009

Expulsa

domingo, 1 de novembro de 2009

Nada

Neguim tinha uns doze anos quando viu ele chorando, por trás da bananeira, no fundo do quintal. Ficou espantado e parou. Até esqueceu que ia tomar banho dentro da caixa d’água, que ficava depois da bananeira. Aprendeu mais uma lição com ele. Aprendeu que herói chora.

Olhos vidrados, olhos molhados. Situação esquisita. Neguim não sabia se continuava ou voltava pra dentro de casa. Em pé, congelado, Neguim viu e ouviu o choro. Era um choro grande, o choro de um homem grande. Neguim não entendeu nada. Como era possível aquele homão chorar?

Neguim chorou de medo quando ele o puxou pelo braço, o ergueu contra o sol e o abraçou carinhosamente, um abraço bem apertado, daqueles de tirar o fôlego. Ele chorou grandemente, gemeu, urrou assustadoramente. Neguim pensou na pisa que ia levar, por que achou que ele tinha descoberto a desobediência da ordem de não nadar dentro da caixa d’água do fundo quintal.

Nada foi dito. Palavra não foi falada. Os dois choraram. Cada um por seu motivo. Os dois sofreram. Os dois se amaram. Neguim entendeu, inexplicavelmente, que aquilo era a última lição, que não era uma reprimenda, que não aprenderia dele mais nada, que não haveria mais lição nenhuma. Neguim o abraçou com mais força. Não queria largá-lo nunca mais.

Neguim viu o papel, com manuscrito ilegível, com carimbo borrado, com assinatura de médico, jogado no buraco do fundo do quintal, o buraco onde se enterrava o lixo, o buraco antes da bananeira que ficava antes da caixa d’água, a caixa d’água onde Neguim não nadou nunca mais.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Reflexos

Sabe aquelas tiradas rápidas, aquelas piadas criadas de momento, de pura criatividade, como diz o Elson Dantas: “Só no reflexo.”? Pois é, aqui vão algumas que a memória me permite.

Marx Dantas
Chegando na redação do Página 20, bem vestido, sempre cheiroso, modernoso, cabelo impecável, unhas brilhando, o MD foi logo sapecando, com sua peculiar voz de locutor:
- Foi daqui que chamaram um homem?... Ele tá vindo ali atrás.

Pheyndews
Enquanto o Pheyndews Carvalho, nosso saudoso Fé, relaxava em sua rede, debaixo do chapéu-de-palha, no fundo do quintal, a Marinete passava o rodo na lamaceira que os “ninjas” (como o Fé se referia a Pedro e João, seus dois filhos mais novos) tinham levado, da piscina para a sala do computador. De repente a “Rainha da Floresta” escorrega numa poça e leva um baita tombo. Os garotos correm desesperados para acordar o pai, em busca de socorro. Fé, mesmo mal humorado, não perdeu o reflexo.
- Pai, pai! A mamãe caiu na área.
- Caiu na área? Então pode marcar que é pênalti!

Beneilton Damasceno
Após revisar, corrigir e copidescar a matéria, o professor Bené depara-se com um dilema ao ver a assinatura do autor do texto. Tratava-se do jornalista Diego, que possui um sobrenome bastante original: Pintro. Ora, como é corriqueiro no mundo das redações, words, teclados mal tratados e digitadores apressados, Bené foi tirar a dúvida com o editor Tião Vitor que prontamente esclareceu, confirmou e tranquilizou o nobre revisor.
- É Pintro mesmo, professor. Pode ficar sossegado.
O Rei dos Trocadilhos, professor Bené, não podia perder mais esse e sapecou:
- Tá vendo chefinho, se a gente não presta atenção. Se fosse um erro, o revisor é quem pagaria o “patro”!

Quando eu me lembrar, conto mais

Sem comentários

Veja mais no Acredite se Quiser.

Arquitetura do cacete

Veja mais no Acredite se Quiser

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Digo nada!

Se você visse a mulher de seu amigo, num ato suspeito, de provável traição, você contaria pro "pobizim"? Pense bem! Diria é?
Pois eu não, num diria pro bidongado nem coscarai! Deixava ele descobrir sozinho, porque, inevitavelmente a gente sempre descobre, mesmo que seja depois que todo mundo e as capas do fundo já saibam.

Aprendi, faz é hora, que quando você fala um tipo de coisa dessas, perde o amigo, ganha fama de fuxiqueiro, mata a confiança do amigo, justamente quando você procura ser leal com ele, que inda diz mermo assim: - E tu sabia de tudo isso, o tempo todo, fí de rapariga, e num me disse nada!?

Termina que a mulher convence o malagradecido de que ela sempre foi fiel, que é tudo mentira, que fulano é só um primo-segundo que mora na colônia e "vei ver se arruma um jeito de ir pra Goiânia, pá se operar da prósta!".

E desce a lenha em quem disse uma calúnia dessas. Se defendendo e te atacando, diz que é a mulher mais honesta do mundo, que o sujeito é que devia escolher melhor as amizades, que isso e aquilo outro. Diz que não era nada daquilo que "esse fela da puta desse teu amigo tá falando!" e que "ele é que vive dando em cima de mim e tu nunca prestou atenção, viu!”

Resultado:

Teu ex-amigo, além de perdoar a safada, sair numa segunda lua-de-mel pela Europa com a bandida, comprar uma Hilux, zero bala, pra pistoleira, nunca mais vai pagar umas geladas pra ti, num vai querer te ver nem pintado de ouro. Capaz até de te chamar pros paus, te meter uma pisa, te dar uma facada e te botar pra correr debaixo de chumbo.

Digo nada! Sinto muito meu amigo, mas eu mermo num digo não, tá? Vou até ficar abismado, estarrecido e tomar umas com você, quando tudo vier à tona. Eu hein!

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Bulindo com Shakespeare

Soneto I

From fairest creatures we desire increase
That thereby beauty’s rose might never die,
But as the riper should by time decease
His tender heir might bear his memory:

But thou, contracted to thine own bright eyes,
Feed’st thy light’s flame with self-substancial fuel,
Making a famine where abundance lies,
Thyself thy foe, to thy sweet self too cruel.

Thou that art now the world’s fresh ornament
And only herald to the gaudy spring,
Within thine own bud buriest thy content
And, tender churl, mak’st waste in niggarding.

Pity the wold, or else this glutton be:
To eat the world’s due, by the grave and thee.


Tradução de Jorge Wanderley

Dos raros, desejamos descendência,
Que assim não finde a rosa da beleza,
E morto o mais maduro, sua essência
Fique no herdeiro, por inteiro acesa.

Mas tu, que só ao teu olhar te alias,
Em flama própria ao fogo te consomes
Criando a fome onde fartura havia,
Rival perverso de teu próprio nome.

Tu que és do mundo o mais fino ornamento
E a primavera vens anunciar,
Enterras em botão teus suprimentos:

- Doce avareza, estróina em se poupar.
Doa-te ao mundo ou come com fartura
O que lhe deves, tu e a sepultura


Tradução de Ivo Barroso

Dos seres ímpares ansiamos prole
Para que a flor do belo não extinga,
E se a rosa madura o Tempo colhe,
Fresco botão sua memória vinga.

Mas tu, que só com os olhos teus contrais,
Nutres o ardor com as próprias energias
Causando fome onde a abundância jaz,
Cruel rival, que o próprio ser crucias.

Tu, que do mundo és hoje o galardão,
Arauto da festiva Natureza,
Matas o teu prazer inda em botão
E, sovina, esperdiças na avareza.

Piedade, senão ides, tu e o fundo
Do chão, comer o que é devido ao mundo.


Tradução Fabrício Souza

Ao mais raro desejamos que cresça
Que a rosa da beleza nunca morra
Mas o fim do maduro é que apodresça
Só o doce herdeiro evita que isto ocorra

Mas tu, que só aos teus olhares atenta
Alimenta a ti com teu próprio ser
Passando fome onde abundância assenta
A ti mesmo hostil sendo sem saber.

Tu que já do mundo é fresco ornamento
Da primavera único mensageiro
Enterra em botão teu contentamento
Desperdiça em acumular dinheiro.

Apiede-se do mundo, ou se é sem fé:
Come o que do mundo por direito é.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Carta para Ribinha

O Piauí é um dos lugares do mundo, que o mundo não conhece. É um dos lugares mais lindos do mundo. Mas agora estou falando das pessoas de lá, que são as pessoas mais lindas do mundo de lá, daqui e dacolá.

Foi lá no Piauí, em Bom Jesus do Gurguéia, sul de lá, beirando a Bahia, bem longe do Ceará que eu conheci o Ribinha, um fuleiro (antes de mais nada), locutor, comunicador, entendedor da vida e uma bela criatura de Deus. Foi o Ribinha quem me disse que aquele inseto andando no meu braço era um chato.

Outro dia (naquele tempo), o Ribinha foi preso.

- Prenderam o Ribinha! – Disse a recepcionista da Rádio Cultura do Gurguéia. Eu a ouvi dizer isso para o diretor da rádio, meu chefe. Mas o Ribinha era meu “subordinado” (É. Entre aspas mesmo, porque ninguém tinha poder para subordinar o Ribinha). Tomei as dores.

-Vem cá. Que estória é essa? O Ribinha foi preso porque?
- Cachaça, né, Braga!
- Então vamos lá, nos entregar também! – Risos.
- Tu sabe como ele é. Tu conhece o Ribinha né, Braga!?...

Eu num conhecia era porra nenhuma, mas sabia que ali, naquele lugar tão pequeno, tinha muito mais gente pra ser encarcerada e privada de fazer o mal e o Ribinha não fazia parte deste rol. Ele apenas falava. O Ribinha falava. Ele vivia da fala. E, quando bebia, longe do microfone, aí é que ele falava.

Pois bem:

O Ribinha foi preso por conta de uma discussão político-ideológica-de-balcão-de-boteco com um advogado, o delegado, que tinha perdido oito partidas de sinuca pro Ribinha, o bebo. E, segundo a lei da sinuca, não sendo aposta em dinheiro, o perdedor teria que pagar as fichas e as doze cervejas que o Ribinha não bebeu sozinho. De fora apenas a garrafa de cachaça que o Ribinha bebeu sozinho.

- Bora lá, ver o que a gente pode fazer?
- Hum... Deixa de ser besta, Braga – Disse o chefe. – O Ribinha se vira!
- Hum... – Disse eu.- Então tá. Daqui a vinte minutos, tu vai ali no estúdio e, ao vivo, responde às oitenta cartas dos ouvintes do Ribinha, que chegaram hoje de manhã. Galho fraco pra ti, né não?
- Bora.

Era um domingo de sol quente, uns quarenta e dois graus, naquela tarde de setembro, no Vale do Gurgúéia, sul do Piauí (Pleonasmo). Faltavam quinze minutos para entrar no ar o melhor programa da Rádio Cultura do Gurguéia, a maior audiência, o melhor locutor, o maior número de participação ao vivo, o maior faturamento.

Eu tava suado e apreensivo, ouvindo o papo prolixo do diretor com o oficial do dia (O delegado faltou). Enquanto todos os livros de Direito eram dissecados, peguei pelo braço um plantonista que também prestava atenção na conversa e, achando graça, sacudia um chavezona destamãe.

- Cadê o baitola? – Eu disse- Me leva lá na cela do encrenqueiro.

Uma gargalhada, daquelas que só são produzidas por homens livres ecoou pelo corredor do chilindró e uma voz irreverente sentenciou:

- Tu é foda mesmo, Braguinha! Esperou que faltasse só cinco minutos pra começar o programa, pra vir aqui me soltar. Nem adiantou eu te agradar com aquela lata de Neocid, mode tu matar tua carga de chato.

Vinte cartas foram lidas e atendidas no programa do Ribinha daquele dia. O restante delas eu não consegui entender a caligrafia.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Chocorosqui escreve


Deu no blog do Márcio Chocorosqui, o Blecaute.

Como trabalho do Curso de Cinema e Vídeo da Usina de Arte João Donato, o curta-metragem Amor em pedaços, que filmamos no começo do ano, já está finalizado desde março. Estamos aguardando o lançamento oficial para breve.
A história se passa em Rio Branco-AC. Um colono desorientado entra numa delegacia e declara-se culpado de um crime, dizendo ao delegado que matou a si mesmo e que foi enterrado pelo vizinho. Após interrogatório, descobre-se que a jovem esposa do colono foi esquartejada. Uma tragédia amorosa amazônica.
Francisco Braga representa o Caseiro, um personagem atormentado pela dúvida do adultério.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Diversas fantasias

Rio Branco-Acre se prepara para mais uma Parada da Diversidade, evento que se consolida como um dos maiores do país.
É um verdadeiro carnaval fora de época com direito a blocos (um deles, da turma do Clube do Chop, se chama "Bota no meu caneco"), carros alegóricos e fantasias criativas. Aqui eu tentei desenhar algumas das idéias que me foram enviadas, para um provável concurso de fantasias da V Parada da Diversidade.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Diversidade

Origami


Mestre Yoda. Você pode ver muito mais personagens de Star War e outros filmes, séries e games feitos em peças Lego, bolos de aniversário, croché dentre diversas outras formas de arte no Geekstir

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Raul escreve


A LEI DA INSEQUAPIBILIDADE

Muita gente ainda hoje se pergunta se é insequapível ou não. A resposta é clilófricamente simples: A Lei da Insequapibilidade pode ser explicada baseando-se no método do Diafragma de Aquiles. Tomando-se por base os crepúsculos de diferentes dimensões, alia-se ao pentagrama diluvial pela quinta lei de Newton, lei esta referente à gravitação das histórias em quadrinhos em torno dos velocípedes. Daí onde a teoria vigente entra em desacordo com a referida insequapibilidade.
Insequapíveis? Sim, porém insequapóveis em certos aspectos, quando examinados pelo oblíquo lado da patinete.


FÓRMULA

(Segundo ou terceiro Godofredo IV do Irã)

I. Retumblências transpurcar com azôto de carbono.

II. 3% de Rataclenas quentes.

III. 6 litros de pisceleto à gampôla na manteiga.


FÓRMULA ALGÉBRICA DA INSEQUAPIBILIDADE

X3 + nada = ou parecido

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Marminino, o Saara é aqui!

Com 48 graus centígrados, conforme foto de Hermington Franco, que apareceu no blog do Altino Machado, faltam dois graus pra termos clima desértico em Rio Branco-Acre.

Deputado Moisés Diniz, meu comunista predileto, iniciou hoje uma luta que, segundo ele, será ridicularizada no futuro: Ônibus com ar-condicionado obrigatório, em regiões com um calor tão lascado como o nosso.

Os empresários do ramo de transportar pobres já caíram de pau em cima da idéia do deputado. Diz ele que se assombrou com a virulência da turma das Hilux.

A idéia de Moisés é porreta. Perigoso é o pessoal que sair de 48 graus, entrar em 20, depois em 48 de novo pegar uma pneumonia coletiva.

Se essa onda de calor continuar, a V Parada do Orgulho LGBT, que acontece na semana que vem vai ser como o diabo gosta: a coisa vai ficar Preta Gil.

O estilo Abrahim “Lhé” Farhat, nosso querido Brachula, tá em alta com essa quentura do “mei dos inferno”. O negócio é andar de camiseta velha, calça de algodão esfolada e chinela de dedo.

Por falar nisso, o jornal O Rio Branco tá dando um par daquela sandália que todo mundo usa pra novos assinantes. No calçado vem impressa a marca do jornal. Isso é que é gostar de ser pisado.

Os jornais Página20, A Tribuna e A Gazeta também querem dar um par. Ainda não se decidiu par de quê.

Enquanto meu comunista predileto quer refrescar os cata-pobre da cidade, o governador se adianta e compra um ventiladorzão, pra assoprar e refrescar a mente dos acreanos. A novidade foi utilizada pela primeira vez pelo Barão Vemelho, na Segunda Guerra Mundial. É o novo!

E vamo-que-vamo, caminhando e se abanando no rumo do Bar do Bigode.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Genial

O Belchior, cantor e compositor cearense, anda aparecido agora em tudo quanto é site de relacionamento, anúncio em caixa de cereais e por aí vai. O chargista Mariosan, do jornal O Popular, de Goiânia fez a melhor charge sobre o assunto que marcou esta semana, na minha modesta opinião, é claro.

Inglês procês

Depois de um longo período de inferno astral, estou de volta. Fim de agosto e de desgosto. Acabou-se a opressão, se liberta a expressão. Quartel, pra mim, é coisa do passado. Ufa!

A minha amiga Magali Damasceno (Quase irmã, pois é filha da minha madrinha Margarida), me enviou um curso específico de inglês para a Copa do Brasil – 2014.

Veja como é fácil e rápido nos comunicarmos, do nosso jeitinho brasileiro, com os estrangeiros!

Is we in the tape! = É nóis na fita.

Tea with me that I book your face = Chá comigo que eu livro sua cara.

I am more I = Eu sou mais eu.

Do you want a good-good? = Você quer um bom-bom?

Not even come that it doesn't have! = Nem vem que não tem!

She is full of nine o'clock = Ela é cheia de nove horas.

I am completely bald of knowing it. = Tô careca de saber.

Ooh! I burned my movie! = Oh! Queimei meu filme!

I will wash the mare. = Vou lavar a égua.

If you run, the beast catches, if you stay the beast eats! = Se correr, o bicho pega, se ficar o bicho come!

Before afternoon than never. = Antes tarde do que nunca.

Take out the little horse from the rain = Tire o cavalinho da chuva.

The cow went to the swamp. = A vaca foi pro brejo!

To give one of John the Armless = Dar uma de João-sem-Braço.

Infelizmente não haverá jogo da Copa 2014 no Acre, mas como aqui é terra de "Marina Silva Presidente!", logo nós teremos que exercitar nosso inglês para recepcionar turistas e jornalistas de todo canto do mundo.

Vamos falar mais ou menos assim:

Butboy! = Marrapaiz!

Are you mad, are? = Tu é doido, é?

Care, boy! = Cuida, menino!

Hury, little brother! = Avia, maninho!

Let's eat a bread corn with egg in the market = Bora comer uma baixaria no mercado?

E não esqueça: The book is on the table!