quarta-feira, 20 de abril de 2011

Nudez

Do que tens medo, garota?
Não existe sentido nisto
Tentar cobrir teu priquito
Agora que estás sem roupa

Te despes também de receios
Que já sinto tua libido fecunda
Nos pelos eretos de tua bunda
E nos biquinhos de teus seios

Porque essa crueldade comigo?
Pois que, ao beijar teu umbigo,
Cheirosos pelinhos pubianos vejo

Não me imponhas tal castigo
Tira tua mão. Não tem perigo
Dá pra mim a visão do teu desejo

terça-feira, 19 de abril de 2011

Soutando o verso ou Rogando Braga a verso Souto

Sérgio Souto quero te perguntar
Já pedindo que tu não fiques puto
Diga aí, amigo véi, o que é que há?
Porque tua voz não mais escuto?

Vai! Puxa da memória e pensa
Nas conversas que teve comigo
Há em mim, saudade imensa
De querer ouvir a voz do amigo

Quando eu ouvi seu canto e voz
Vi, remeninado aluno de escola,
A mala aberta, cheia de fá-lá-si-dós
De um mestre em poesia e viola

Cadê ele, alguém me diga! Cadê?
Aonde tá o acreanador tão criativo
Mixador de dó-ré-mis no que dizer
Porque que se calou, qual motivo?

Como nenhum de nós dois é modesto
Que assim, sem falsa modéstia (Não ria!)
Receba estas letras, não como protesto
É um pedido encarecido por sua poesia

O jardineiro, a flor e o poeta

O jardineiro
Vê a flor
Cheira a flor
Rega a flor
Colhe a flor
Leva a flor

O poeta
Olha a flor
Admira a flor
Deixa a flor
Leva o perfume
Da flor

O jardineiro
Volta
Vê a flor
Cheira a flor
Rega a flor
Deixa a flor
Murcha
Sem perfume
Sem cor
no celofane

O poeta
Guarda
Para sempre
o perfume
da flor
que volta
sempre
sempre
sempre...

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Estratagema

A cheia do Rio Acre é uma das maiores dos últimos anos. As administrações estadual e municipal (da capital) podem até usar suas ações em prol dos desabrigados como uma de suas plataformas de campanha, na próxima eleição. Tanto é que, extraordinariamente o prefeito transferiu seu gabinete para dentro do parque de exposições. Estão admiravelmente preparados tecnicamente para segurar essa adversidade natural e transformá-la em dividendo eleitoral.

Raciocinemos pois. Recursos para os programas Bolsa Família e Minha Casa, Minha Vida, por exemplo, estão aparentemente em stand by. Podem ser facilmente desviados e destinados, de forma estritamente legal e de consenso popular para os flagelados da cheia. O recente episódio da invasão das casas do bairro Ilson Ribeiro, inexplicavelmente não entregues à população é, teoricamente, uma prova desta minha simplória elucubração.

Projetos paisagísticos e ecoturísticos, diga-se de passagem, excelentes, como o do Parque do Igarapé São Francisco, emperrados por questões indenizatórias e ambientais, entre outros entraves jurídicos podem ser rapidamente liberados mediante um evento catastrófico natural. Achei muito providencial essa transferência da prefeitura para junto dos flagelados que, frágeis, mediante modernas técnicas psicopedagógicas podem ser facilmente doutrinados.

Comunidades que vivem em favelas às margens do Rio Acre e do Igarapé São Francisco, podem ter dissolvidos, assim, instantaneamente seus problemas sociomonumentais, politicamente difíceis e caros de resolver, através de um simples decreto estadual de calamidade pública. É uma sacada genial. A oposição tem que rezar pra não chover mais uma gota d'água. Ou, por outro lado, se resignar e agradecer a Deus por terem adversários tão eficientes.

Enquanto eu divago em teorias conspiratórias, o tempo passa por mim. Daqui da minha janela vejo um céu de brigadeiro. Deixo minha imaginação voar. Não ouço trovões, não há vento nenhum. As folhas do pé de cupuaçu estão bem quietinhas. Esse calor me incomoda. Geralmente isso é prenúncio de tempestade. Estou apenas supondo. Por via das dúvidas, comprei um par de galochas e um guarda-chuva bem grandão.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Filha da Zorra

Antônia Lúcia, desde que voltou ao Acre para, única e exclusivamente conquistar um qualquer cargo eletivo, se utilizando da boa fé e também da má de alguns eleitores conseguiu se eleger deputada federal, mas deixou um rastro de seboseira por onde passou.

Após cada pleito em que a deputada participou nos últimos anos, se seguiram saraivadas de denúncias de negócios escusos, pedidos de prisão, cizânia no mundo pseudo-cristão-evangélico que comanda, diversos processos judiciais e sem número de versões nada esclarecedoras, tampouco convincentes publicadas na imprensa.

Colecionadora de ex-empregados revoltados, ex-apoiadores engalobados e ex-sócios pernapassados a deputada é mais conhecida na sociedade acriana, não como a Filha da Terra – Slogan de campanha que adotou, quando voltou ao Acre - , mas como praticante contumaz do conto-da-missionária – versão celular do velho conto-do-vigário.

Cheia de rolo com a justiça e a polícia, acusada de compra de votos mais uma montanha de crimes eleitorais, metida numa ruma de negociata política, cercada de parceiros irados com os resultados nada satisfatórios de seus negócios mau enjambrados a Filha da Terra poderia até mudar seu nome e apodo numa próxima campanha eleitoral. Tipo assim: Vote Antônia Súcia, a Filha da Zorra.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Súcia

Para o pífio
é mais fácil
Que o sócio
Desde o início
Seja néscio
Sem astúcia
Ou audácia

Seja dócil
Com ausência
De malícia
Tenha o vício
Da inocência
Mestre em ócio
e ignorância

É do pífio
a ganância
a falácia
a milícia
o comício
a delícia
e o palácio

terça-feira, 5 de abril de 2011

Rosa

Os nomes das flores são fáceis
Vulgares, difíceis, exóticos
Impronunciáveis, científicos
Simbólicos, óticos, fonéticos

Das flores, nos vem à memória
Suas qualidades mais óbvias
Suas singulares características
Assíduas em todas as línguas

Das quais, suas cores tão várias
Suas vastas formas complexas
E suas inesgotáveis essências
Relembramos bem mais rápido

Porém, seus nomes múltiplos
Sempre nos surgem, heroicos
Na frustrante ausência de ideias
Para um batismo de emergência

Eles, usados em versos poéticos,
Editados em páginas jornalísticas
Registrados todo dia em cartórios
Ditos em papos, cartas e músicas

De tão constantes em nossos lábios
Nos apropriamos de seus domínios
Destituímos das flores seus títulos
Desde o Gênesis, suas proprietárias

Aí, nominamos nossas famílias
Nossos bichos, nossos negócios
E tudo que possa ser nominável
Listados numa soma inconcebível

E arbitrários, em nossa empáfia
Adotamos alguns nomes ótimos
Todavia, outros nos soam patéticos
Destes, cito abaixo pouquíssimos

Meu tio, de nome Crisântemo,
É irmão de Flor-de-lis e Begônia
Lírio é o meu filho primogênito
A Margarida é a minha caçula

A do meio é chamada Orquídea
Soraia é uma prima legítima
Açucena nasceu em Brasília
Onde estudou Ciências Políticas

Quem nasceu aqui foi Acácio
Junto com a sua irmã gêmea
Criativamente chamada Acácia
Nomes dados pela avó, Azaleia

Violeta quer ser arqueóloga
Raquel é que foi pra Bulgária
Doutor Cravo mora no térreo
E é casado com dona Camélia

Girassol é o nome da síndica
Nosso porteiro é seu Crescêncio
Antúrio é meu amigo de infância
Filho adotivo do Cabo Gerânio

Jasmim é o sobrenome de Dália
Fui apaixonado pela Gardênia
E Hortêncio conheceu a Vitória
No Bar do Papoula, lá na Bahia

Rosa, nome da flor mais pública
Dona da mais popular fragrância
De mais bela forma arquitetônica
Onde mistura espinhos a pétalas

A flor dos verdadeiros românticos
De todas as flores, a mais simpática
Que também de amor ela é sinônimo
É o nome da minha mãe, coincidência

Stélio e a escada

Diálogo entre o escritor Antonio Stélio e o cardiologista, após suas três pontes de safena e uma mamária.

MÉDICO
Cigarro, bebedeiras, comidas gordurosas, doces... Enfim, nada de excessos. Excessos nunca mais!

STÉLIO
E sexo, doutor?

MÉDICO
Bem devagar. Como se sobe numa escada: degrau por degrau. Entende?

STÉLIO
E se for uma escada rolante, doutor?

MÉDICO
Aí, tudo bem. É só você ficar paradinho, apreciando a paisagem e deixar ela fazer o serviço. Elevador também pode.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Sérgio Souto escreve

Com todo apreço

Primeiro eu peço licença
Pra todo povo presente
Pra falar sobre um decreto
Que jogaram sobre a gente

Pra mudar nossos costumes
Nossos hábitos primeiros
Nesse planeta encantado
Nesse grotão Brasileiro

É preciso ter coragem
E também muita vontade
Pra fazer voltar o tempo
Que Deus nos deu de verdade

Não pra agradar o poder
E atropelar sua gente
Em nome de uma tevê
Mas que coisa deprimente!

Mas que falta de carinho
Com o povo que o elegeu
Seu Sebastião Viana Neves
Me diga o que aconteceu?

Não empurre com a barriga
Que o povo vem e lhe cobra
Qual é meu governador?
Não é do senhor essa obra?

Não bula com nossos brios
Com a nossa simplicidade
Temos total consciência
Da sua capacidade

Então respeite a escolha
E a nossa sabedoria
Se perguntar não ofende
Onde anda a democracia?

Não vou mudar meu discurso
Sei muito bem onde eu piso
Sou povo e quero respeito
Pode até chover granizo
“Que eu perco a minha cabeça
Mas não perco o meu juízo”

Não subestime que eu grito
Não grite senão eu canto
Não rasgue minha poesia
Que eu faça mais outro tanto
A liberdade ainda espero
Chegará cheia de encanto.

Deixe alguma coisa boa
Na sua grande biografia
O tempo às vezes perdoa
Mas pode cobrar um dia.

Atrasar nosso relógio
Mexer na nossa harmonia
Quando amanhece de noite
Quando anoitece de dia.

Vai fundo no teu trabalho
Com as ovelhas da Bahia
Com as exportações de peixes
Com as enormes melancias.

Com as camisas da Natex
Com as plantações de cana
Com as toras de madeira
Que saem em caravana.

Cuidando bem dessa gente
Da saúde e educação
Dando mais pão e poesia
E menos prospecção.

É que o povo anda cansado
Meu nobre governador
E não quer por no jornal
O tamanho da sua dor.

Da sua desesperança
Do seu brio e pudor
Gente simples é assim mesmo
Sua bandeira é o amor.

Mas sabe bem o que quer
Conhece bem o seu mundo
Seus rios e varadouros
Seus grutiões mais profundos.

Agora sim me despeço
Mas antes faço um pedido
Espero que o senhor atenda
Esse poeta esquecido.

Palavra é documento
Sei que o senhor não ignora
Faz um carinho pra nós
Traz de volta a nossa hora!!!

Sérgio Souto é poeta, compositor e meu amigo de faz é hora

terça-feira, 29 de março de 2011

Aquarela

Quando vi que era azul o joelho
Daquele velho cano amarelado
E torneira de bronze niquelado
Cujo registro PVA era vermelho

E que o encaixe da mangueira
Atada por um cinzento elástico
Tinha um acessório de plástico
Rosa de listras verde-bandeira

Que contrastava com o marrom
De dois tijolos debaixo d'água
Mais o colorido de uma tábua
Forrada com papéis de bombom

Sob um arbusto de flores lilás
Vendo a fila de formigas saúva
Com os olhos tingidos de chuva
Senti bem ali um aroma de paz

sexta-feira, 25 de março de 2011

Vernaculofobia

Ria não, que é sério! Uma ruma de intelectual tem preconceito - como direi?... vocabular? - por palavras do nosso idioma. Apesar de constarem em dicionários, romances, editoriais, poemas, até em bulas de remédio, livros técnicos e monografias palavras como pus, catarro, puta e sovaco, entre outras são evitadas ou substantivadas por jornalistas, publicitários e oradores. A número zero destas palavras malditas é CU. Pura vernaculofobia.

Esta palavrinha monossilábica, taxada de palavrão, que tem, por sua fácil pronúncia gutural, o extraordinário dom de ser dita até por alguns mudos é marginalizada e excluída do texto e da fala de comunicadores e outros tipos que se julgam doutores, juízes e comandantes do “brasilis modus falandi”. Mas, no recôndito de sua brasilidade, para um xingamento ou um xiste, eles sempre tem CU na ponta da língua.

Poderosa geradora de neologismos e expressões idiomáticas, CU tem sido evitada, descriminada, proscrita, não escrita. Mas a Língua Portuguesa é viva. Novas palavras surgem a cada conversa, cada carta, cada discurso, sigla, logotipo. Nesse gênesis evolutivo, CU não se encolheu. Participativa que é, popular que é não sai da boca do povo. Por mais que se tente ocultar, CU está lá. Se ler com acuro, verá que ali tem CU no meio.

Achava que o grupo mais sem bom humor, que não ria de piada nenhuma era o dos religiosos. Mas não. Tecnólogo de governo ganha de lavada. Não é nem mau humorado, é sem humor algum. A palavra CU é recorrente em anedotas e vitupérios. Se tiver CU, invariavelmente a anedota é engraçada. Se vociferar CU, a ofensa é bem maior. Esses caras sem noção - como publicitário critico, como humorista aprovo.- criaram o Cadastro Único – CU. Ah, fala sério!

É muito distanciamento da gente, né não? Como se vivessem no país onde fizeram intercâmbio, mestrado, MBA, do alto de sua empáfia, esse magote de CDF (Cu de ferro) acha que a palavra CU não significa nada, que nós vamos deixar de fazer piada, que vamos prender o riso. Aí vem o governo estadual, nessa mesma linha, sem graça e lança um programa de pesca, chamado PACU. E haja CU, né? Ô, palavrinha bendita!

Você e eu

Você é desfile de moda
Eu sou topada
Você é cantiga de roda
Eu sou zoada

Você é balanço de rede
Eu sou quentura
Você é água fria na sede
Eu sou só secura

Você é papel de presente
Eu sou embrulho
Você é a feijoada quente
Eu sou gorgulho

Você é muito dinheiro
Eu sou cheque
Você é veículo ligeiro
Eu sou breque

Você é hora do recreio
Eu sou dever
Você não tem nada feio
Eu amo te ver

Você é o que Deus deu
Eu sou de fé
Você é tudo que é meu
Eu sou teu, né?

terça-feira, 22 de março de 2011

Sim, e daí?

Um cara que não gosta de mim, anda a me criticar. Um amigo meu me falou. Eu fiquei puto com aquilo. Não sou de ouvir afronta e ficar calado. Porra! - Eu disse. – Caralho! Mas que merda! Não tenho nada contra ninguém, procuro fazer amizade, agradar, ser cortês, divertido... Obviamente, muitas vezes, sem maldade, achando que tô agradando, desagrado um aqui, outro acolá. Mas, se percebo a tempo, busco remediar, desfazer o mal feito. Não faço por mal. Sou do bem.

Agora, dá licença! Minha vida – quem me conhece, sabe – é achando graça, fazendo por onde os outros riam. Minha profissão é essa! Como ator, poeta, chargista eu busco agradar, descontrair, pacificar. Eu quero é aplauso e não vaia. Prefiro um beijo do que um tabefe. Eu vou bem atrás de tabefe! Ora mais na verdade! Como tudo quanto é artista, eu quero aparecer e ser ovacionado e não levar ovo podre na cara onde quer que eu apareça.

Me orgulho de ser um fazedor de amizades. Inimizades todos nós temos, por isso, por aquilo, por aquilo outro. Tem gente que se realiza quando ofende, desagrada, briga, agride e gera inimigos. Tem outro tipo de gente que não faz impem de desafetos, que coleciona admiradores, que conquista amizades. O primeiro, não suporta o som de risada. Odeia ver gente se acabando de achar graça. Em seu devaneio, vai ao circo só pra vaiar o palhaço.

O segundo, o palhaço, bem humorado, absorve a vaia e se defende, devolvendo o vilipêndio com uma tirada de improviso, muito bem respaldada pela gargalhada do resto da plateia que o apoia e bate palmas. A solitária vaia mau humorada volta, garganta a dentro, empurrada por uma saraivada de outras vaias bem humoradas. O pobre de espírito, iracundo, sorriso amarelo, sai sem graça da arquibancada e, humilhado vai terminar, com punhalada certeira, a vida de quem só queria fazer rir.

Aí é nessas horas que eu fico puto. Quando eu tô feliz, rindo e escutando risada, contando anedota, mangando de um e de outro amigo da roda, embriagados, noite a dentro, na satisfação da alegria aparentemente infinita vem um porra de um “amigo”- Amigo o caralho! -, com fuxico sem futuro, disse-me-disse fuleiro, querendo abaixar o meu astral, cutucando meu mau humor... Um sujeito desses tem que ouvir, né mermo?! “Porra! Vai à merda, caralho!”

Tambaqui

Enquanto eles
Camarão
Caranguejo
No Rio de Janeiro

Nós
Tambaqui
Na cuia

Rioacreando
E nadando
De bubuia
No banzeiro

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

A roda e o Choco

Márcio Adriano Chocorosqui é meu amigo de "faz é hora!". É amigo daquele naipe que a gente não pega em arapuca, num sabe? Amigo do vera mesmo. Do tipo que empresta dinheiro e esquece, e quando a gente vai pagar, não aceita de jeito nenhum. Inda fica puto! Manda a gente tomar no cóxi e ir pra casa do Kamai. E, só de mau, espalha pra todo mundo que a gente deve pra ele. É gente fina, o Chocorosqui.

Poeta, jornalista, cartunista, exímio jogador de sinuca, professor de Língua Portuguesa, ator, cineasta, culinarista, bar tender e corintiano. O Choquito é um talento em expansão perpétua. Opinioso, contestador, prestador de atenção... Quando decide ir por um caminho que todos concordam não ser o mais apropriado, ele teima e vai assim mesmo. É intuitivo, impetuoso, destemido e destrambelhado.

Isturdia, lendo em seu blog Blecaute, me instruindo com sua letra sem garrancho e me divertindo com seu talento de contador de boas estórias, soube que ele sofrera acidente locomotivo. Tinha levado uma bela duma queda de bicicleta. O velho Choco, adepto do fisiculturismo, difusor do lema “Saúde é o que interessa, o resto não tem pressa!”, gosta muito de testar suas habilidades adormecidas, no que diz respeito a seus limites físicos ante as Leis da Física.

Roto, todo escoriado, esfolado, asfaltificado levantou e arrastou para fora a ferruginada grade (Outrora luxuoso portão residencial cadeadado) e entrou. Herculiamente carregou para dentro as ferragens do que fora sua bicicleta. Silenciosa e cautelosamente, procurando não chamar atenção de Rutinha, sua consorte, nem de Vanessinha, sua conselheira e dona do veículo de diversão e transporte, tropegou pelo beco, além da varanda, no rumo do quintal matagalhado.

Uma ruma de pegadas, de pé direito nu e pé esquerdo calçado, imprimiram no assoalho rastros de lama encarnada. Uma marca preta, na forma duma mão toda, que ficou no retrovisor direito do carro, que tava na garagem, mais outra, igualzinha, na parede que fora pintada, um dia desses, da cor-da-pele, mais uma bituca de cigarro mentolado foram providenciais para o paramédico do SAMU encontrar o Choquito desabado, dormindo enganchado no único aro ainda redondo, que sobrou da bike.

Dias depois do sinistro, numa de nossas costumeiras pelejas de bilhar, no Sinucão do Cowboy, o Márcio, mostrando o carnegão do joelho pra Raquel (amiga gentil, profissional em cerveja gelada e simpatia), Dona Ruth (respeitável conselheira e experiente prestadora de atenção) e Marcelão (macaco véi, do cu pelado), disse que, para pião rodado, aquilo era besteira e que não há arranhado que Merthiolate não arda, bandeide não cicatrize, patins não aprimore, skate não finalize. E roda a bola, que roda a vida e viva o Choco!

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Othelo no Acre

Cia. Irreverentes de Teatro estréia, no mês que vem a tragédia Othelo, de Shakespeare, no Teatrão.
A direção é de Adriana Santelli.

- Não, minha senhora! Pela milésima vez! Pelo amor de Deus, preste atenção! Só vou falar mais essa vezinha, tá? Eu me chamo Othelo, o mouro de Veneza, e não Océlio Mourão de Meneses. Sou esposo de Desdêmona, amigo de Cassio e filho de William Shakespeare, entendeu?

- Ah! Num tô dizendo?! Eu tô ficando é velha, né doida não! Eu sabia que já conhecia o senhor de algum lugar. Mais olha só, o filho de Suila e Zé Crispim! Da outra vez que lhe vi, era bem miudim assim. Foi lá na farmácia do Tácio, da Lucinda, num foi? Tu te lembra?

- Quem? Aonde? Como é que é?

- Marrapais! Só se eu fosse bem me esquecer do marido da Dedê! Ora, mais na verdade! Hum! Intão, nego véi, como é que vai levando? Ainda tá vendendo muito quebe com mingau de banana?

- Vendendo o quê, minha senhora!... A senhora tá é doida!... Pelo amor de Deus, minha senhora!

- Fecharo a banquinha, de vocês, lá no mercado do Bosque, foi?

- Que banquinha, que bosque! Eu sou soldado, minha senhora.. Que porra de mingau de banana...

- Senhor serve no 7° BEC ou no 4° BIS?

- Olha aqui, velha maluca, antes que eu perca de vez a paciência, só me diga aonde fica o Teatro Plácido de Castro.

- Ah! Mudaram a banquinha de bribôte pra lá, né? Boa ideia! Diz que tá tendo uma peça muito boa lá.

- Mas, com os seiscentos diabos! Minha senhora, não me faça cometer uma barbaridade, pelo amor de Deus! Eu mato gente, minha senhora! Eu mato gente!

- Rê-rê-rê! Eu sei, seu negão. Todo mundo conhece os bribôtes que o senhor vende! Até mais Océlio. Diga pra Dedê que Emília, de Iago, manda lembranças.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

O Fantasma da OCA

Aí, a única atendente da OCA que ficou,
Que de seu guichê, na carreira não saiu
diante da aparição, que todo mundo viu
Profissionalmente, ao fogo fátuo indagou:

Em que posso estar ajudando, cidadão?
Diga seu nome, RG, CPF, de onde vem,
CIC, PIS/PASEP, e-mail e C.U. Também.
O que quer, entre os vivos, assombração?

Venho das profundezas do sono eterno,
Bruscamente acordado da perpétua cama
Por alarido tal, que nem tirei meu pijama
Até esqueci documentos, sapato e terno

Quero saber se procede nefanda notícia,
Que tem me tirado o sossego, meu amor.
Me chamo Legião. Diga que não acabou,
Que ainda tenho aposentadoria vitalícia.

Conheça o Fantasma da OCA

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Respostas cretinas para perguntas imbecis

Tu já fumou maconha?
R.: Faz tempo, na faculdade...

E tu fez faculdade?
R.: Não. Só ia lá pra fazer a cabeça.

Tu fumou maconha na faculdade?
R.: Tinha como não. Os professores não deixavam. Nem uma bia.

E os professores num percebiam que tu tava doidão?
R.: Só quando eles não estavam.

Já pensou em transar com outro homem?
R. 1: Qualé, meu? Tu sabe muito bem que eu sou fiel.

R. 2: Não. Tem coisas que a gente faz sem pensar.

R. 3: Sim. Adoraria foder o advogado da minha ex-mulher.

O que tu mais gosta de fazer na cama?
R.: Peidar.

Que tipo de mulher você mais gosta?
R.: As que transam comigo.

E as que menos gosta?
R.: As que fodem comigo.

Qual parte do corpo feminino mais te atrai?
R.: O pâncreas.

O que uma mulher deve fazer pra ter um relacionamento duradouro com você?
R.: Terapia

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

A festa

Foi cerveja gelada na cuia grande
Matemo um boi, assemo carneiro
E o forró ao vivo, com sanfoneiro?
Inda vimo, a tarde futebol na Band

Vei todo mundo, faltou tu somente
“Besta, num sabe o que tá perdeno!”
Foi o que o todo mundo saiu dizeno
Logo tu, que vai a festa até doente!

Num vei na minha, mas deixa pra lá
Tu foi quem perdeu co'essa desfeita
A turma que vei, saiu toda satisfeita
Nem deu notícia, desligou o celular...

Já falou tudo? Posso me defender?
Cumpade, só estou tu, ora mais esta,
Imaginar q'eu num quis ir na tua festa
No zeroitocentos, eu ia bem perder?

Nem pra saber o que se deu comigo!
É. Isso é que é a tal da “consideração”...
Mas, destá. Num vai ser por isso não
Que nós vamo deixar ser bom amigo

De ser parceiro de dominó e sinuca,
De ser colega até debaixo d'água.
Amizade que desconhece mágua
Té porque num foi pega em arapuca

Sei que eu perdi teu grandioso pizeiro
E que o cumpade queria eu lá, junto
Mas, pra botar uma pedra no assunto,
Eu até aceito minha parte em dinheiro.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Atrapalhado

Sempre me atrapalhei em tentar me fazer entender pelas mulheres. As mulheres que me conhecem mesmo são: Dona Rosa, que me pariu, Laluce e Dijé, minhas irmãs de sangue, Simone, prima/irmã de coração e, provavelmente, uma ou duas das que mantive relacionamentos mais duradouros que uma noite de intimidades. O fato é que eu não conheço nenhuma delas e isso é a única coisa, nesta vida, de que eu tenho certeza absoluta.

Quando me afastei dessa ruma de mulher, me encontrei com outro tanto. Inevitavelmente, propositalmente, diga-se de passagem, me atrapalhei mais ainda. Minha primeira atração (sexual, obviamente) deu-se aos dez anos, quando me apaixonei por Lucy Rocha Lima, que tinha treze. Era tão linda! Obviamente não me lembro, de jeito nenhum da fisionomia de Lucy. Sei que era linda. E seus lábios foram os primeiros que beijei.

Descobri que mulher é uma delícia muito superior a mel de rapadura com farinha d'água, mais atraente que álbum de figurinha, mais cheirosa que café com tapioca, mais preciosa e desejável que bicicleta debaixo da cama, em manhã de natal. Dez anos! Eu só tinha dez anos quando senti o cheiro do perfume da Terezinha. Não sei... não dá pra descrever, mas acabei de lembrar o cheiro da Terezinha, o cheiro que atrapalhou meu romance eterno com a Lucy.

A Diana me fez desaprender a desenhar o Leão do Pici (mascote do Fortaleza). Larguei as peladas, no campinho, no terreno da dona Maria do Chicó, batizado Mar del Toco, alusão ao Estádio Mar del Plata (Copa da Argentina, lembra?), pra ficar em casa lendo O Pequeno Príncipe, O Menino do dedo verde e sonetos de Vinícius de Moraes, ouvindo Bolero de Ravel e Ópera do Malandro pra depois escrever uma carta pra minha amada, que morava a duas quadras da minha casa.

No turno da tarde, do Colégio Joaquim Albano, só estudavam meninas. Era uma ruma de mulher! Os treinos de voleibol, handebol, basquetebol, dança moderna e o escambol aconteciam depois da aula da tarde e entravam pela noite. De manhã, a carteira 18, da 6ª A perguntava: “Oi. Como é teu nome? Sou Márcia, quer me conhecer?”. De tarde, a atrapalhada carteira 18, da 6ª A respondia com rimas toscas e desenhos idem. A Márcia era de tirar o fôlego. Linda, ruía as unhas e jogava vôlei.

O treino de handebol acabou mais cedo. Aproveitei pra distribuir nas salas, cheio de moral, com o aval do diretor Sebastião Praciano, o jornalzinho do Centro Cívico e recolher material (poesias, redações, etc) para a próxima edição. A Gracinha era uma morena de olhos grandes, peitos grandes e grandes lábios que escondiam o fim do fecho-ecler do jeans. Exímia instrutora de beijo de língua, sentava na carteira 18, da 6ª A, do turno da noite. Fiquei tão atrapalhado que perdi o último ônibus.

A Lucrécia tinha o corpo perfeito. Andava como se tivesse uma tachinha sob cada calcanhar. Meio que saltitante, flutuava na ponta dos pés. Praticava Dança Moderna na Academia Regina Coelis. Seus seios jamais recuaram sob a pressão dos meus abraços. Sua língua, invariavelmente me deixava sem fôlego, seus braços me deixavam sem forças, suas coxas me adormeciam da cintura pra baixo, sua magnífica bunda atrapalhava o trânsito.

A Terezinha era surda. Com sua vozinha gemida, frágil, infantil falava pouco. De sua boquinha linda só saíam sussurros, sorrisos e palavras essenciais. O Jaílson foi um bom amigo e mestre, talentoso artista plástico, me deu preciosos livros e dicas que impulsionaram minha carreira. Namorado da Terezinha, Jaílson era perito em LIBRAS e alfabeto manual. Mas, o que ajuda, as vezes atrapalha. Jaílson acabou o namoro porque Terezinha falava demais.

Mulheres falam mesmo. A primeira vez que ouvi a palavra “buceta” foi pela boca de uma mulher. Numa briga de vizinhas, iracunda, saia levantada até os peitos, mão espalmada, batendo no tufo enorme de pelos pubianos, que se espalhavam pelas virilhas, além de sua calcinha tamanho G, dona Amália reclamava para si o exclusivo e irrepreensível direito de bater em seus filhos, pois em seu ventre foram gestados e por aquela respeitável buceta saíram.

Me atrapalhei demais, naquele tempo de ignorância acerca das mulheres. As que desejei e nunca tive, as que rejeitei, as que me rejeitaram, as amigas que me amaram e eu nem percebi, as professoras que me reprovaram, as prostitutas que me adoeceram. Joana D'Arc, Suzana, Verônica, Cristiane, Sílvia, Ângela, Teca, Marisol, Fernanda, Virgínia, Roberta, Regina, Tâmara, Norma... Norma?... Não, espera aí. Nunca houve Norma alguma! Hum! Tá vendo, me atrapalhei de novo.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Deus é fiel

A fidelidade é um dos dons de Deus.
Dos muitos dons que dele herdamos
Quando ao criar-nos disse: Façamo-lo

Tal qual nossa semelhança e igual face
Assim será, semelhante a nós esse ser
Que estou satisfeito e sentindo-me feliz

Por assim desse mesmo jeito fazê-lo
Que, tais quais os nossos, os dons seus
Talvez os faça saberem que são deuses

Pois se mesmo assim, não acertarem
Quais coisas são dons ou apenas coisas
Saberão fazer a coisa certa a ser feita

Se soberbos, sucumbes às suas ideias
Seus lindos modos e atos desastrados
Os farão, em seus travesseiros saber

Que desde sempre estou, sem cansar,
Cientes que sou Deus e jamais canso,
Com meu abraço fiel para os consolar.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Os bons

Essa é para jornalistas que se transformam em notícia. Surgiu quando fui receber, juntamente com os colegas vitoriosos, o Prêmio José Chalub Leite do ano passado.


Agora somos o alvo, somos a mosca.
De tanto tentar querer mostrar,
Por prazer... porque sim... sei lá
Feito parafuso no meio da rosca,

Fendidos, apertados, frouxos, marrons
Destemperados, tortos, inconvenientes.
Jornalistas "ruela"! Uns incompetentes!
Mesmo assim, ainda premiados como bons.

Somos hoje a pauta, amanhã a notícia.
Nossos amigos enaltecem nosso talento.
Nossa pepeta é a que sobe sem vento.
A gente hoje é que é "o cara". Delícia!

Hoje somos a mosca, diante da infalível mira,
Dos olhos da sociedade que nos tem como alvo
A mosca que voou acreditando estar a salvo
Da ruma de bosta em que nascera, de onde saíra.

Mosca que muito voa encontra língua de sapo.
Isso se não se enrroscar em teia de aranha,
E, tentando voar, mais e mais se emaranha
E gruda na teia como pentelho em esparadrapo

Sejamos pois, vagalumes, pequenos pirilampos.
Com luz própria, atraentes insetos faiscantes,
De bicos pontiagudos, discretos seres picantes
Feito alfinete escondido em caixinha grampos.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Márcio Chocorosqui escreve

A medicina e as letras

A conversa entre médicos sobre assunto da profissão se manifesta por uma linguagem pouco amistosa para leigos. O mesmo ocorre entre professores de Português ou gramáticos versando sobre assuntos de linguagem. E se misturássemos as duas áreas de atuação, ressaltando a citada por último? Poderíamos imaginar, mais ou menos, uma cena como esta:
Após uma gravíssima colisão entre duas onomatopeias, um texto entra em coma. Um gramático-cirurgião analisa o sujeito paciente quando chega, às pressas, o estagiário residente trazendo os exames:
— Doutor, qual é o quadro?
— Bem... Aqui quase houve um infarto da mesóclise. Mais adiante, vemos um tumor no núcleo do sujeito já em estado de metáfora.
— Mas isso não é grave, doutor.
— Para este texto sim. Provavelmente não seguiu as orientações linguísticas que lhe proibiam o consumo excessivo de figuras de linguagem. O caso pede uma operação semântica para lhe restituir a denotação.
— E este outro tumor aqui, doutor?
— Ah, este não é maligno. É apenas proveniente de um acúmulo de lipídios ocasionado pela repetição do pronome proclítico ao verbo.
— Perdão, doutor, mas vejo, como sintoma recorrente, a repetição de verbos no gerúndio em estranha aglomeração frasal, como aqui, olha: “vamos estar providenciando...”.
— Bravo, rapaz! Trata-se de um típico caso de gerundismo, uma epidemia que assola a língua portuguesa.
— E tem cura?
— Infelizmente, é quase incurável. Muitos textos têm que conviver com essa doença. Alguns não a conseguem tolerar e morrem.
— Doutor, os exames mostram que o texto estava alcoolizado.
— Um texto alcoólatra. Isso agrava a situação. Vamos proceder à intervenção gramatical imediatamente.
— Espere, doutor, aqui diz, também, que este texto não tem plano de revisão gramatical.
— Não! Sendo assim...
— Deixemos para mais tarde, doutor?
— Certamente. Agora vamos examinar aquele paciente com crises de pleonasmo.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Natal

Hoje é natal
Feriado principal
Tradicional
Anual
Cultural
Ocidental
Multinacional
Legal
Social
Providencial
Genial
Emocional
Funcional
Comercial
Tal qual
Em gênero, número e grau
Ao
Feriado sem igual
Teatral
Sensacional
Carnaval

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Reflexão

Havia naquele olhar um brilho

Tal qual precioso conselho

Daqueles que só mesmo espelho

Mostra onde está, sob o olho, o cílio


Vi sim! Com esses olhos aqui, viu?!

Ergui sobrancelhas, lequiei pestanas...

Não me assombram façanhas humanas,

Mas confesso que aquele olhar me atingiu


Não, não vou nem tentar descrever o que vi.

Só posso - por não poder falar – escrever

Em mais três versos, palavras que rimam


Que só com poesia – assim aprendi -

Se pode dividir o que não é só pra você

E só assim refletir olhares que brilham

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Penta


Oi. Me premiaram com o Chalub Leite de Jornalismo pela quinta vez. Tá bom demais, né não?
Essa foi a charge ganhadora originada a partir de uma piada criada pelo meu bom amigo, o humorista/publicitário Edmir Gadelha Jr.

sábado, 27 de novembro de 2010

Dalmir Ferreira escreve

Cansaço

Cansado, vou me despindo
das fantasias da juventude.
Acolhe-me a doce quietude
de quem está se despedindo

O coração em tal amplitude
se cala num desejo infindo
de outros ares sempre rindo,
em seu silêncio, que ilude...

Vai na ordinária decrepitude,
comum a quem já está indo
na luz que desfaz a negritude

Cantar o seu canto mais lindo,
no amor de maior magnitude
o canto de quem está partindo...

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Frango com Whisky

Enviada pelo meu quase futuro cunhado, mas sempre amigo Ivan de Castela. Muito boa a receita, Ivan.

Ingredientes

- 01 garrafa de whisky 18 anos (Do bom, é claro!)
- 01 frango de aproximadamente 02 quilos
- Sal, pimenta e cheiro verde a gosto
- 350 ml de azeite de oliva extra virgem
- Nozes moídas

Modo de preparar

- Pegue o frango
- Beba um copo de whisky
- Envolver o frango e temperá-lo com sal, pimenta e cheiro verde a gosto.
- Massageá-lo com azeite.
- Pré-aquecer o forno por aproximadamente 10 minutos.
- Sirva-se de uma boa dose de whisky enquanto aguarda o forno aquecer.
- Use as nozes moídas como tira-gosto.
- Colocar o frango em um a assadeira grande.
- Sirva-se de mais duas doses de whisky.
- Axustar o terbostato no drês e, debois de uns... vinch binutos, botar para assassinar... Digu: assar a ave.
- Derrubar uma dose de whisky debois de beia hora, formar abaertura egontrolar a assadura do peixe.
- Tentar zentar na gadeira, servir-se de uoooooooootra dose sarada de whisky.
- Cozer(?), costurar(?), cozinhar, sei lá, voda-se o pernil.
- Deixáááá o filho da buta do pato no vorno por umas 4 horas.
- Tentar retirar o vrango do vorno. Num vai guemar a mão, garaio!
- Mandar mais uma boa dose de whisky pra dentro. De você, é glaro!
- Tentar novamente tirar o sacana do vrango do vorno, porque na primeira teenndadiiiva dããão deeeeuuuuu nem coscarai de asa... essa borra.
- Begar o vrango que gaiu no jão e enjugar o filho da buta com o bano de jão e cologá-lo numa pandeja ou qualquer outra borra, bois avinal você nem gosssssssssta muito dessa bosta mesmo de bode azado.
- Bais uma toss dji cachaça iiiii... Tá bronto!

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Pedofilia

Faz muito tempo. Tenho uma vaga lembrança. Sei que foi algo divertido pra mim. No escuro, eu em cima dela, entre suas coxas suadas. Eu ria, mas acho que ela chorava e, ofegante dizia algo no meu ouvido, ou tentava dizer. Não entendia nada do que ela falava, não lembro. Só sei que eu ria e ela gemia muito.

Se chamava Maria, Mariazinha. Acho que ela deveria ter assim, uns quinze pra dezesseis anos, por aí. Me lembro bem do sorriso e do olhar dela. Lembro muito bem como ela olhava e sorria pra mim. Ela me deixava sem jeito. Morria de vergonha. Tinha medo que os outros percebessem. Mariazinha era muito atrevida.

Me beijava em público, assim, do nada. Me beliscava, dizia coisas no meu ouvido. Eu fugia dela. Fugia, sim! Quando não tinha ninguém por perto, ela me deixava ver suas intimidades e, nua, saindo do banho dizia, rindo: Vem cá, deixa de ser medroso! Eu gostava dela sim. Não tinha como não gostar.

Um dia, depois de muito tempo, com minha esposa, na casa de minha mãe, lá estava ela. Confesso que não a reconheci. Pedi a bênção de mamãe e cumprimentei a visita, me apresentando. Na mesma hora, me lembrei. O sorriso e o olhar ainda eram os mesmos. Minha mãe inquiriu: - Ah, filho, eu não acredito! Esqueceu da Mariazinha?
Respondi: - É, mãe, realmente não havia reconhecido. Faz muito tempo, mas a primeira babá a gente nunca esquece! Não é, Maria?

Epitáfio

Narizes tapados, cabeças com toucas,
Mascarados ouvidos, atentos,
Em chegados meus findos momentos,
Agüentarão as pobres falas poucas

As que hei de soprar da catingosa boca,
Por entre restos pretos de dentes,
Dirigidas aos benditos sobreviventes,
Parceiros, heróis de vida igualmente oca

Pra que ninguém nunca esqueça, ainda
Que os lábios e a língua não prestem mais,
Usarei até libras, farei grande alarde

Já que risada em hora de pranto é bem-vinda,
Na lápide, que não se escreva ”Aqui jaz”,
Que se leia em alto relevo “Me aguarde!”.