terça-feira, 29 de março de 2011

Aquarela

Quando vi que era azul o joelho
Daquele velho cano amarelado
E torneira de bronze niquelado
Cujo registro PVA era vermelho

E que o encaixe da mangueira
Atada por um cinzento elástico
Tinha um acessório de plástico
Rosa de listras verde-bandeira

Que contrastava com o marrom
De dois tijolos debaixo d'água
Mais o colorido de uma tábua
Forrada com papéis de bombom

Sob um arbusto de flores lilás
Vendo a fila de formigas saúva
Com os olhos tingidos de chuva
Senti bem ali um aroma de paz

sexta-feira, 25 de março de 2011

Vernaculofobia

Ria não, que é sério! Uma ruma de intelectual tem preconceito - como direi?... vocabular? - por palavras do nosso idioma. Apesar de constarem em dicionários, romances, editoriais, poemas, até em bulas de remédio, livros técnicos e monografias palavras como pus, catarro, puta e sovaco, entre outras são evitadas ou substantivadas por jornalistas, publicitários e oradores. A número zero destas palavras malditas é CU. Pura vernaculofobia.

Esta palavrinha monossilábica, taxada de palavrão, que tem, por sua fácil pronúncia gutural, o extraordinário dom de ser dita até por alguns mudos é marginalizada e excluída do texto e da fala de comunicadores e outros tipos que se julgam doutores, juízes e comandantes do “brasilis modus falandi”. Mas, no recôndito de sua brasilidade, para um xingamento ou um xiste, eles sempre tem CU na ponta da língua.

Poderosa geradora de neologismos e expressões idiomáticas, CU tem sido evitada, descriminada, proscrita, não escrita. Mas a Língua Portuguesa é viva. Novas palavras surgem a cada conversa, cada carta, cada discurso, sigla, logotipo. Nesse gênesis evolutivo, CU não se encolheu. Participativa que é, popular que é não sai da boca do povo. Por mais que se tente ocultar, CU está lá. Se ler com acuro, verá que ali tem CU no meio.

Achava que o grupo mais sem bom humor, que não ria de piada nenhuma era o dos religiosos. Mas não. Tecnólogo de governo ganha de lavada. Não é nem mau humorado, é sem humor algum. A palavra CU é recorrente em anedotas e vitupérios. Se tiver CU, invariavelmente a anedota é engraçada. Se vociferar CU, a ofensa é bem maior. Esses caras sem noção - como publicitário critico, como humorista aprovo.- criaram o Cadastro Único – CU. Ah, fala sério!

É muito distanciamento da gente, né não? Como se vivessem no país onde fizeram intercâmbio, mestrado, MBA, do alto de sua empáfia, esse magote de CDF (Cu de ferro) acha que a palavra CU não significa nada, que nós vamos deixar de fazer piada, que vamos prender o riso. Aí vem o governo estadual, nessa mesma linha, sem graça e lança um programa de pesca, chamado PACU. E haja CU, né? Ô, palavrinha bendita!

Você e eu

Você é desfile de moda
Eu sou topada
Você é cantiga de roda
Eu sou zoada

Você é balanço de rede
Eu sou quentura
Você é água fria na sede
Eu sou só secura

Você é papel de presente
Eu sou embrulho
Você é a feijoada quente
Eu sou gorgulho

Você é muito dinheiro
Eu sou cheque
Você é veículo ligeiro
Eu sou breque

Você é hora do recreio
Eu sou dever
Você não tem nada feio
Eu amo te ver

Você é o que Deus deu
Eu sou de fé
Você é tudo que é meu
Eu sou teu, né?

terça-feira, 22 de março de 2011

Sim, e daí?

Um cara que não gosta de mim, anda a me criticar. Um amigo meu me falou. Eu fiquei puto com aquilo. Não sou de ouvir afronta e ficar calado. Porra! - Eu disse. – Caralho! Mas que merda! Não tenho nada contra ninguém, procuro fazer amizade, agradar, ser cortês, divertido... Obviamente, muitas vezes, sem maldade, achando que tô agradando, desagrado um aqui, outro acolá. Mas, se percebo a tempo, busco remediar, desfazer o mal feito. Não faço por mal. Sou do bem.

Agora, dá licença! Minha vida – quem me conhece, sabe – é achando graça, fazendo por onde os outros riam. Minha profissão é essa! Como ator, poeta, chargista eu busco agradar, descontrair, pacificar. Eu quero é aplauso e não vaia. Prefiro um beijo do que um tabefe. Eu vou bem atrás de tabefe! Ora mais na verdade! Como tudo quanto é artista, eu quero aparecer e ser ovacionado e não levar ovo podre na cara onde quer que eu apareça.

Me orgulho de ser um fazedor de amizades. Inimizades todos nós temos, por isso, por aquilo, por aquilo outro. Tem gente que se realiza quando ofende, desagrada, briga, agride e gera inimigos. Tem outro tipo de gente que não faz impem de desafetos, que coleciona admiradores, que conquista amizades. O primeiro, não suporta o som de risada. Odeia ver gente se acabando de achar graça. Em seu devaneio, vai ao circo só pra vaiar o palhaço.

O segundo, o palhaço, bem humorado, absorve a vaia e se defende, devolvendo o vilipêndio com uma tirada de improviso, muito bem respaldada pela gargalhada do resto da plateia que o apoia e bate palmas. A solitária vaia mau humorada volta, garganta a dentro, empurrada por uma saraivada de outras vaias bem humoradas. O pobre de espírito, iracundo, sorriso amarelo, sai sem graça da arquibancada e, humilhado vai terminar, com punhalada certeira, a vida de quem só queria fazer rir.

Aí é nessas horas que eu fico puto. Quando eu tô feliz, rindo e escutando risada, contando anedota, mangando de um e de outro amigo da roda, embriagados, noite a dentro, na satisfação da alegria aparentemente infinita vem um porra de um “amigo”- Amigo o caralho! -, com fuxico sem futuro, disse-me-disse fuleiro, querendo abaixar o meu astral, cutucando meu mau humor... Um sujeito desses tem que ouvir, né mermo?! “Porra! Vai à merda, caralho!”

Tambaqui

Enquanto eles
Camarão
Caranguejo
No Rio de Janeiro

Nós
Tambaqui
Na cuia

Rioacreando
E nadando
De bubuia
No banzeiro

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

A roda e o Choco

Márcio Adriano Chocorosqui é meu amigo de "faz é hora!". É amigo daquele naipe que a gente não pega em arapuca, num sabe? Amigo do vera mesmo. Do tipo que empresta dinheiro e esquece, e quando a gente vai pagar, não aceita de jeito nenhum. Inda fica puto! Manda a gente tomar no cóxi e ir pra casa do Kamai. E, só de mau, espalha pra todo mundo que a gente deve pra ele. É gente fina, o Chocorosqui.

Poeta, jornalista, cartunista, exímio jogador de sinuca, professor de Língua Portuguesa, ator, cineasta, culinarista, bar tender e corintiano. O Choquito é um talento em expansão perpétua. Opinioso, contestador, prestador de atenção... Quando decide ir por um caminho que todos concordam não ser o mais apropriado, ele teima e vai assim mesmo. É intuitivo, impetuoso, destemido e destrambelhado.

Isturdia, lendo em seu blog Blecaute, me instruindo com sua letra sem garrancho e me divertindo com seu talento de contador de boas estórias, soube que ele sofrera acidente locomotivo. Tinha levado uma bela duma queda de bicicleta. O velho Choco, adepto do fisiculturismo, difusor do lema “Saúde é o que interessa, o resto não tem pressa!”, gosta muito de testar suas habilidades adormecidas, no que diz respeito a seus limites físicos ante as Leis da Física.

Roto, todo escoriado, esfolado, asfaltificado levantou e arrastou para fora a ferruginada grade (Outrora luxuoso portão residencial cadeadado) e entrou. Herculiamente carregou para dentro as ferragens do que fora sua bicicleta. Silenciosa e cautelosamente, procurando não chamar atenção de Rutinha, sua consorte, nem de Vanessinha, sua conselheira e dona do veículo de diversão e transporte, tropegou pelo beco, além da varanda, no rumo do quintal matagalhado.

Uma ruma de pegadas, de pé direito nu e pé esquerdo calçado, imprimiram no assoalho rastros de lama encarnada. Uma marca preta, na forma duma mão toda, que ficou no retrovisor direito do carro, que tava na garagem, mais outra, igualzinha, na parede que fora pintada, um dia desses, da cor-da-pele, mais uma bituca de cigarro mentolado foram providenciais para o paramédico do SAMU encontrar o Choquito desabado, dormindo enganchado no único aro ainda redondo, que sobrou da bike.

Dias depois do sinistro, numa de nossas costumeiras pelejas de bilhar, no Sinucão do Cowboy, o Márcio, mostrando o carnegão do joelho pra Raquel (amiga gentil, profissional em cerveja gelada e simpatia), Dona Ruth (respeitável conselheira e experiente prestadora de atenção) e Marcelão (macaco véi, do cu pelado), disse que, para pião rodado, aquilo era besteira e que não há arranhado que Merthiolate não arda, bandeide não cicatrize, patins não aprimore, skate não finalize. E roda a bola, que roda a vida e viva o Choco!

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Othelo no Acre

Cia. Irreverentes de Teatro estréia, no mês que vem a tragédia Othelo, de Shakespeare, no Teatrão.
A direção é de Adriana Santelli.

- Não, minha senhora! Pela milésima vez! Pelo amor de Deus, preste atenção! Só vou falar mais essa vezinha, tá? Eu me chamo Othelo, o mouro de Veneza, e não Océlio Mourão de Meneses. Sou esposo de Desdêmona, amigo de Cassio e filho de William Shakespeare, entendeu?

- Ah! Num tô dizendo?! Eu tô ficando é velha, né doida não! Eu sabia que já conhecia o senhor de algum lugar. Mais olha só, o filho de Suila e Zé Crispim! Da outra vez que lhe vi, era bem miudim assim. Foi lá na farmácia do Tácio, da Lucinda, num foi? Tu te lembra?

- Quem? Aonde? Como é que é?

- Marrapais! Só se eu fosse bem me esquecer do marido da Dedê! Ora, mais na verdade! Hum! Intão, nego véi, como é que vai levando? Ainda tá vendendo muito quebe com mingau de banana?

- Vendendo o quê, minha senhora!... A senhora tá é doida!... Pelo amor de Deus, minha senhora!

- Fecharo a banquinha, de vocês, lá no mercado do Bosque, foi?

- Que banquinha, que bosque! Eu sou soldado, minha senhora.. Que porra de mingau de banana...

- Senhor serve no 7° BEC ou no 4° BIS?

- Olha aqui, velha maluca, antes que eu perca de vez a paciência, só me diga aonde fica o Teatro Plácido de Castro.

- Ah! Mudaram a banquinha de bribôte pra lá, né? Boa ideia! Diz que tá tendo uma peça muito boa lá.

- Mas, com os seiscentos diabos! Minha senhora, não me faça cometer uma barbaridade, pelo amor de Deus! Eu mato gente, minha senhora! Eu mato gente!

- Rê-rê-rê! Eu sei, seu negão. Todo mundo conhece os bribôtes que o senhor vende! Até mais Océlio. Diga pra Dedê que Emília, de Iago, manda lembranças.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

O Fantasma da OCA

Aí, a única atendente da OCA que ficou,
Que de seu guichê, na carreira não saiu
diante da aparição, que todo mundo viu
Profissionalmente, ao fogo fátuo indagou:

Em que posso estar ajudando, cidadão?
Diga seu nome, RG, CPF, de onde vem,
CIC, PIS/PASEP, e-mail e C.U. Também.
O que quer, entre os vivos, assombração?

Venho das profundezas do sono eterno,
Bruscamente acordado da perpétua cama
Por alarido tal, que nem tirei meu pijama
Até esqueci documentos, sapato e terno

Quero saber se procede nefanda notícia,
Que tem me tirado o sossego, meu amor.
Me chamo Legião. Diga que não acabou,
Que ainda tenho aposentadoria vitalícia.

Conheça o Fantasma da OCA

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Respostas cretinas para perguntas imbecis

Tu já fumou maconha?
R.: Faz tempo, na faculdade...

E tu fez faculdade?
R.: Não. Só ia lá pra fazer a cabeça.

Tu fumou maconha na faculdade?
R.: Tinha como não. Os professores não deixavam. Nem uma bia.

E os professores num percebiam que tu tava doidão?
R.: Só quando eles não estavam.

Já pensou em transar com outro homem?
R. 1: Qualé, meu? Tu sabe muito bem que eu sou fiel.

R. 2: Não. Tem coisas que a gente faz sem pensar.

R. 3: Sim. Adoraria foder o advogado da minha ex-mulher.

O que tu mais gosta de fazer na cama?
R.: Peidar.

Que tipo de mulher você mais gosta?
R.: As que transam comigo.

E as que menos gosta?
R.: As que fodem comigo.

Qual parte do corpo feminino mais te atrai?
R.: O pâncreas.

O que uma mulher deve fazer pra ter um relacionamento duradouro com você?
R.: Terapia

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

A festa

Foi cerveja gelada na cuia grande
Matemo um boi, assemo carneiro
E o forró ao vivo, com sanfoneiro?
Inda vimo, a tarde futebol na Band

Vei todo mundo, faltou tu somente
“Besta, num sabe o que tá perdeno!”
Foi o que o todo mundo saiu dizeno
Logo tu, que vai a festa até doente!

Num vei na minha, mas deixa pra lá
Tu foi quem perdeu co'essa desfeita
A turma que vei, saiu toda satisfeita
Nem deu notícia, desligou o celular...

Já falou tudo? Posso me defender?
Cumpade, só estou tu, ora mais esta,
Imaginar q'eu num quis ir na tua festa
No zeroitocentos, eu ia bem perder?

Nem pra saber o que se deu comigo!
É. Isso é que é a tal da “consideração”...
Mas, destá. Num vai ser por isso não
Que nós vamo deixar ser bom amigo

De ser parceiro de dominó e sinuca,
De ser colega até debaixo d'água.
Amizade que desconhece mágua
Té porque num foi pega em arapuca

Sei que eu perdi teu grandioso pizeiro
E que o cumpade queria eu lá, junto
Mas, pra botar uma pedra no assunto,
Eu até aceito minha parte em dinheiro.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Atrapalhado

Sempre me atrapalhei em tentar me fazer entender pelas mulheres. As mulheres que me conhecem mesmo são: Dona Rosa, que me pariu, Laluce e Dijé, minhas irmãs de sangue, Simone, prima/irmã de coração e, provavelmente, uma ou duas das que mantive relacionamentos mais duradouros que uma noite de intimidades. O fato é que eu não conheço nenhuma delas e isso é a única coisa, nesta vida, de que eu tenho certeza absoluta.

Quando me afastei dessa ruma de mulher, me encontrei com outro tanto. Inevitavelmente, propositalmente, diga-se de passagem, me atrapalhei mais ainda. Minha primeira atração (sexual, obviamente) deu-se aos dez anos, quando me apaixonei por Lucy Rocha Lima, que tinha treze. Era tão linda! Obviamente não me lembro, de jeito nenhum da fisionomia de Lucy. Sei que era linda. E seus lábios foram os primeiros que beijei.

Descobri que mulher é uma delícia muito superior a mel de rapadura com farinha d'água, mais atraente que álbum de figurinha, mais cheirosa que café com tapioca, mais preciosa e desejável que bicicleta debaixo da cama, em manhã de natal. Dez anos! Eu só tinha dez anos quando senti o cheiro do perfume da Terezinha. Não sei... não dá pra descrever, mas acabei de lembrar o cheiro da Terezinha, o cheiro que atrapalhou meu romance eterno com a Lucy.

A Diana me fez desaprender a desenhar o Leão do Pici (mascote do Fortaleza). Larguei as peladas, no campinho, no terreno da dona Maria do Chicó, batizado Mar del Toco, alusão ao Estádio Mar del Plata (Copa da Argentina, lembra?), pra ficar em casa lendo O Pequeno Príncipe, O Menino do dedo verde e sonetos de Vinícius de Moraes, ouvindo Bolero de Ravel e Ópera do Malandro pra depois escrever uma carta pra minha amada, que morava a duas quadras da minha casa.

No turno da tarde, do Colégio Joaquim Albano, só estudavam meninas. Era uma ruma de mulher! Os treinos de voleibol, handebol, basquetebol, dança moderna e o escambol aconteciam depois da aula da tarde e entravam pela noite. De manhã, a carteira 18, da 6ª A perguntava: “Oi. Como é teu nome? Sou Márcia, quer me conhecer?”. De tarde, a atrapalhada carteira 18, da 6ª A respondia com rimas toscas e desenhos idem. A Márcia era de tirar o fôlego. Linda, ruía as unhas e jogava vôlei.

O treino de handebol acabou mais cedo. Aproveitei pra distribuir nas salas, cheio de moral, com o aval do diretor Sebastião Praciano, o jornalzinho do Centro Cívico e recolher material (poesias, redações, etc) para a próxima edição. A Gracinha era uma morena de olhos grandes, peitos grandes e grandes lábios que escondiam o fim do fecho-ecler do jeans. Exímia instrutora de beijo de língua, sentava na carteira 18, da 6ª A, do turno da noite. Fiquei tão atrapalhado que perdi o último ônibus.

A Lucrécia tinha o corpo perfeito. Andava como se tivesse uma tachinha sob cada calcanhar. Meio que saltitante, flutuava na ponta dos pés. Praticava Dança Moderna na Academia Regina Coelis. Seus seios jamais recuaram sob a pressão dos meus abraços. Sua língua, invariavelmente me deixava sem fôlego, seus braços me deixavam sem forças, suas coxas me adormeciam da cintura pra baixo, sua magnífica bunda atrapalhava o trânsito.

A Terezinha era surda. Com sua vozinha gemida, frágil, infantil falava pouco. De sua boquinha linda só saíam sussurros, sorrisos e palavras essenciais. O Jaílson foi um bom amigo e mestre, talentoso artista plástico, me deu preciosos livros e dicas que impulsionaram minha carreira. Namorado da Terezinha, Jaílson era perito em LIBRAS e alfabeto manual. Mas, o que ajuda, as vezes atrapalha. Jaílson acabou o namoro porque Terezinha falava demais.

Mulheres falam mesmo. A primeira vez que ouvi a palavra “buceta” foi pela boca de uma mulher. Numa briga de vizinhas, iracunda, saia levantada até os peitos, mão espalmada, batendo no tufo enorme de pelos pubianos, que se espalhavam pelas virilhas, além de sua calcinha tamanho G, dona Amália reclamava para si o exclusivo e irrepreensível direito de bater em seus filhos, pois em seu ventre foram gestados e por aquela respeitável buceta saíram.

Me atrapalhei demais, naquele tempo de ignorância acerca das mulheres. As que desejei e nunca tive, as que rejeitei, as que me rejeitaram, as amigas que me amaram e eu nem percebi, as professoras que me reprovaram, as prostitutas que me adoeceram. Joana D'Arc, Suzana, Verônica, Cristiane, Sílvia, Ângela, Teca, Marisol, Fernanda, Virgínia, Roberta, Regina, Tâmara, Norma... Norma?... Não, espera aí. Nunca houve Norma alguma! Hum! Tá vendo, me atrapalhei de novo.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Deus é fiel

A fidelidade é um dos dons de Deus.
Dos muitos dons que dele herdamos
Quando ao criar-nos disse: Façamo-lo

Tal qual nossa semelhança e igual face
Assim será, semelhante a nós esse ser
Que estou satisfeito e sentindo-me feliz

Por assim desse mesmo jeito fazê-lo
Que, tais quais os nossos, os dons seus
Talvez os faça saberem que são deuses

Pois se mesmo assim, não acertarem
Quais coisas são dons ou apenas coisas
Saberão fazer a coisa certa a ser feita

Se soberbos, sucumbes às suas ideias
Seus lindos modos e atos desastrados
Os farão, em seus travesseiros saber

Que desde sempre estou, sem cansar,
Cientes que sou Deus e jamais canso,
Com meu abraço fiel para os consolar.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Os bons

Essa é para jornalistas que se transformam em notícia. Surgiu quando fui receber, juntamente com os colegas vitoriosos, o Prêmio José Chalub Leite do ano passado.


Agora somos o alvo, somos a mosca.
De tanto tentar querer mostrar,
Por prazer... porque sim... sei lá
Feito parafuso no meio da rosca,

Fendidos, apertados, frouxos, marrons
Destemperados, tortos, inconvenientes.
Jornalistas "ruela"! Uns incompetentes!
Mesmo assim, ainda premiados como bons.

Somos hoje a pauta, amanhã a notícia.
Nossos amigos enaltecem nosso talento.
Nossa pepeta é a que sobe sem vento.
A gente hoje é que é "o cara". Delícia!

Hoje somos a mosca, diante da infalível mira,
Dos olhos da sociedade que nos tem como alvo
A mosca que voou acreditando estar a salvo
Da ruma de bosta em que nascera, de onde saíra.

Mosca que muito voa encontra língua de sapo.
Isso se não se enrroscar em teia de aranha,
E, tentando voar, mais e mais se emaranha
E gruda na teia como pentelho em esparadrapo

Sejamos pois, vagalumes, pequenos pirilampos.
Com luz própria, atraentes insetos faiscantes,
De bicos pontiagudos, discretos seres picantes
Feito alfinete escondido em caixinha grampos.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Márcio Chocorosqui escreve

A medicina e as letras

A conversa entre médicos sobre assunto da profissão se manifesta por uma linguagem pouco amistosa para leigos. O mesmo ocorre entre professores de Português ou gramáticos versando sobre assuntos de linguagem. E se misturássemos as duas áreas de atuação, ressaltando a citada por último? Poderíamos imaginar, mais ou menos, uma cena como esta:
Após uma gravíssima colisão entre duas onomatopeias, um texto entra em coma. Um gramático-cirurgião analisa o sujeito paciente quando chega, às pressas, o estagiário residente trazendo os exames:
— Doutor, qual é o quadro?
— Bem... Aqui quase houve um infarto da mesóclise. Mais adiante, vemos um tumor no núcleo do sujeito já em estado de metáfora.
— Mas isso não é grave, doutor.
— Para este texto sim. Provavelmente não seguiu as orientações linguísticas que lhe proibiam o consumo excessivo de figuras de linguagem. O caso pede uma operação semântica para lhe restituir a denotação.
— E este outro tumor aqui, doutor?
— Ah, este não é maligno. É apenas proveniente de um acúmulo de lipídios ocasionado pela repetição do pronome proclítico ao verbo.
— Perdão, doutor, mas vejo, como sintoma recorrente, a repetição de verbos no gerúndio em estranha aglomeração frasal, como aqui, olha: “vamos estar providenciando...”.
— Bravo, rapaz! Trata-se de um típico caso de gerundismo, uma epidemia que assola a língua portuguesa.
— E tem cura?
— Infelizmente, é quase incurável. Muitos textos têm que conviver com essa doença. Alguns não a conseguem tolerar e morrem.
— Doutor, os exames mostram que o texto estava alcoolizado.
— Um texto alcoólatra. Isso agrava a situação. Vamos proceder à intervenção gramatical imediatamente.
— Espere, doutor, aqui diz, também, que este texto não tem plano de revisão gramatical.
— Não! Sendo assim...
— Deixemos para mais tarde, doutor?
— Certamente. Agora vamos examinar aquele paciente com crises de pleonasmo.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Natal

Hoje é natal
Feriado principal
Tradicional
Anual
Cultural
Ocidental
Multinacional
Legal
Social
Providencial
Genial
Emocional
Funcional
Comercial
Tal qual
Em gênero, número e grau
Ao
Feriado sem igual
Teatral
Sensacional
Carnaval

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Reflexão

Havia naquele olhar um brilho

Tal qual precioso conselho

Daqueles que só mesmo espelho

Mostra onde está, sob o olho, o cílio


Vi sim! Com esses olhos aqui, viu?!

Ergui sobrancelhas, lequiei pestanas...

Não me assombram façanhas humanas,

Mas confesso que aquele olhar me atingiu


Não, não vou nem tentar descrever o que vi.

Só posso - por não poder falar – escrever

Em mais três versos, palavras que rimam


Que só com poesia – assim aprendi -

Se pode dividir o que não é só pra você

E só assim refletir olhares que brilham

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Penta


Oi. Me premiaram com o Chalub Leite de Jornalismo pela quinta vez. Tá bom demais, né não?
Essa foi a charge ganhadora originada a partir de uma piada criada pelo meu bom amigo, o humorista/publicitário Edmir Gadelha Jr.

sábado, 27 de novembro de 2010

Dalmir Ferreira escreve

Cansaço

Cansado, vou me despindo
das fantasias da juventude.
Acolhe-me a doce quietude
de quem está se despedindo

O coração em tal amplitude
se cala num desejo infindo
de outros ares sempre rindo,
em seu silêncio, que ilude...

Vai na ordinária decrepitude,
comum a quem já está indo
na luz que desfaz a negritude

Cantar o seu canto mais lindo,
no amor de maior magnitude
o canto de quem está partindo...

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Frango com Whisky

Enviada pelo meu quase futuro cunhado, mas sempre amigo Ivan de Castela. Muito boa a receita, Ivan.

Ingredientes

- 01 garrafa de whisky 18 anos (Do bom, é claro!)
- 01 frango de aproximadamente 02 quilos
- Sal, pimenta e cheiro verde a gosto
- 350 ml de azeite de oliva extra virgem
- Nozes moídas

Modo de preparar

- Pegue o frango
- Beba um copo de whisky
- Envolver o frango e temperá-lo com sal, pimenta e cheiro verde a gosto.
- Massageá-lo com azeite.
- Pré-aquecer o forno por aproximadamente 10 minutos.
- Sirva-se de uma boa dose de whisky enquanto aguarda o forno aquecer.
- Use as nozes moídas como tira-gosto.
- Colocar o frango em um a assadeira grande.
- Sirva-se de mais duas doses de whisky.
- Axustar o terbostato no drês e, debois de uns... vinch binutos, botar para assassinar... Digu: assar a ave.
- Derrubar uma dose de whisky debois de beia hora, formar abaertura egontrolar a assadura do peixe.
- Tentar zentar na gadeira, servir-se de uoooooooootra dose sarada de whisky.
- Cozer(?), costurar(?), cozinhar, sei lá, voda-se o pernil.
- Deixáááá o filho da buta do pato no vorno por umas 4 horas.
- Tentar retirar o vrango do vorno. Num vai guemar a mão, garaio!
- Mandar mais uma boa dose de whisky pra dentro. De você, é glaro!
- Tentar novamente tirar o sacana do vrango do vorno, porque na primeira teenndadiiiva dããão deeeeuuuuu nem coscarai de asa... essa borra.
- Begar o vrango que gaiu no jão e enjugar o filho da buta com o bano de jão e cologá-lo numa pandeja ou qualquer outra borra, bois avinal você nem gosssssssssta muito dessa bosta mesmo de bode azado.
- Bais uma toss dji cachaça iiiii... Tá bronto!

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Pedofilia

Faz muito tempo. Tenho uma vaga lembrança. Sei que foi algo divertido pra mim. No escuro, eu em cima dela, entre suas coxas suadas. Eu ria, mas acho que ela chorava e, ofegante dizia algo no meu ouvido, ou tentava dizer. Não entendia nada do que ela falava, não lembro. Só sei que eu ria e ela gemia muito.

Se chamava Maria, Mariazinha. Acho que ela deveria ter assim, uns quinze pra dezesseis anos, por aí. Me lembro bem do sorriso e do olhar dela. Lembro muito bem como ela olhava e sorria pra mim. Ela me deixava sem jeito. Morria de vergonha. Tinha medo que os outros percebessem. Mariazinha era muito atrevida.

Me beijava em público, assim, do nada. Me beliscava, dizia coisas no meu ouvido. Eu fugia dela. Fugia, sim! Quando não tinha ninguém por perto, ela me deixava ver suas intimidades e, nua, saindo do banho dizia, rindo: Vem cá, deixa de ser medroso! Eu gostava dela sim. Não tinha como não gostar.

Um dia, depois de muito tempo, com minha esposa, na casa de minha mãe, lá estava ela. Confesso que não a reconheci. Pedi a bênção de mamãe e cumprimentei a visita, me apresentando. Na mesma hora, me lembrei. O sorriso e o olhar ainda eram os mesmos. Minha mãe inquiriu: - Ah, filho, eu não acredito! Esqueceu da Mariazinha?
Respondi: - É, mãe, realmente não havia reconhecido. Faz muito tempo, mas a primeira babá a gente nunca esquece! Não é, Maria?

Epitáfio

Narizes tapados, cabeças com toucas,
Mascarados ouvidos, atentos,
Em chegados meus findos momentos,
Agüentarão as pobres falas poucas

As que hei de soprar da catingosa boca,
Por entre restos pretos de dentes,
Dirigidas aos benditos sobreviventes,
Parceiros, heróis de vida igualmente oca

Pra que ninguém nunca esqueça, ainda
Que os lábios e a língua não prestem mais,
Usarei até libras, farei grande alarde

Já que risada em hora de pranto é bem-vinda,
Na lápide, que não se escreva ”Aqui jaz”,
Que se leia em alto relevo “Me aguarde!”.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Culturologistas se manifestam

Um manifesto pela cultura no Acre:
“SEM RECUAR... SEM CAIR... SEM TEMER...”.


Passado o susto de advertência da população no pleito eleitoral no Acre, o futuro governo acreano promete, segundo a imprensa, nomes do secretariado pra já. O atual que sai comemora o Dia Nacional da Cultura sancionando a lei do Sistema Estadual de Cultura, mas no todo, já passam 12 anos de PT no poder e a cultura no Acre, de fato, não tem muito o que comemorar. Mudou alguma coisa mesmo? Que mudança? A pergunta se faz resposta.

Repetindo os velhos vícios da política local, em que predomina uma mentalidade não só imune como hostil às verdadeiras mudanças, podemos vislumbrar mais um quadriênio em que a cultura terá menos ainda o que comemorar, pois se não houve promessas de campanha, haverá o que fazer? Ou melhor, o novo governo, em estado de descompromisso pré e pós eleitoral, não fará o que bem entender?

Sem ouvir a comunidade cultural como deveria, antes e, principalmente, depois do pleito, ignorando que é constitucional a elaboração do plano plurianual da cultura pelo Conselho, o governo seguirá optando por opiniões próprias e autoritárias, por políticas alheias, inadequadas e ilegais, quanto ao que o setor aspira? Seguirá o governo, com ouvidos moucos?

O Conselho Estadual de Cultura, para melhor contribuir com a idéia de verdadeira participação popular na administração da cultura, criou, em seu Regimento, o poder de indicar, em lista tríplice, nomes para o comando da Fundação Estadual de Cultura. Há quatro anos, a lista tríplice endereçada à atual gestão, após processo democrático de escolha, recebeu como resposta, a indiferença. No atual momento, a Presidência do Concultura, infelizmente até agora não se manifestou sobre o processo de indicação da lista tríplice, o que esperamos seja feito imediatamente, para que o futuro governo não diga que não sabia da opinião da área cultural.

Nem as políticas de cultura, nem seus gestores devem ser imposição. Agir assim é ferir os princípios constitucionais da democracia, da participação e da legalidade, pois a participação social nas gestões públicas já é um imperativo constitucional. A opção pela imposição traz toda sorte de malefícios à gestão, a começar pela indicação aleatória e sem critério de seu comando até a consecução de eventos caros e sem resultados efetivamente sociais e culturais...

De tudo, além do alto custo público e do precioso tempo que se perde, há o fomento à mediocridade pelo qual se vê grande parcela da população incapaz da leitura, seja de livros ou da própria cultura. Vê-se em tal postura gestora, um crime de responsabilidade geracional, que tem condenado um povo à eterna condição política subalterna e de quase nenhuma auto estima cultural.

O Conselho de Cultura tem sofrido desse mal também. A grande evasão das boas mentes ali verificadas bem se explica: ninguém quer participar de um conselho de faz-de-conta. Estão ali cidadãos que exigem o respeito a que tem direito. É lamentável que ainda se criem leis para não serem cumpridas e que não seja garantido seu cumprimento por quem deveria.

A classe artística, sem visibilidade ou reconhecimento, de modo geral, vai se tornando descrente e indiferente às promessas e discursos que se acumulam sem maiores resultados. Não desejamos que os que persistem no Conselho sejam derrotados pelo cansaço e que só reste espaço para os que não acreditam, mas ficam por proveitos pessoais ou os que têm pouca noção do processo, oportunistas que ao fim não têm legitimidade representativa.

Com leis, eventos e silêncios nosso estado é um prodígio de gestão cultural e educacional democráticas: enquanto o governo propaga a noticia de que possui a melhor educação do país, não existe em seus quadros licenciados em artes, nem sala de aula voltada para a arte-educação. Sem falar que os seus espaços culturais como galerias, teatros, bibliotecas, museus, rádios e TVs educativas são geridos sem a participação e controle popular e sem os especialistas da área. Enfim, tem uma série de outras coisas inexplicáveis que pode tudo dizer, menos que há efetivamente políticas culturais e educacionais de qualidade.

Diante desse quadro, que exige um firme posicionamento, mais do que o silencio conivente, nós produtores culturais, que abaixo assinamos o presente manifesto, exigimos do governo eleito que não tenha medo da democracia e que abra as portas do poder para a participação popular na área cultural, sem recuar a legislação da cultura, sem cair em gestão participativa de faz-de-contas, e sem temer os artistas e a cultura.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Manoel Laércio escreve

Perguntei ao amigo Manel (Manoel Laércio, conhecido nas memoráveis conversas etílicas como Guga, uma referência ao Google, que tal qual Manel, sempre responde o que a gente pergunta) se ele, que é excelente poeta, já havia criado algum palíndrome.
- Palíndromo, ignorante! - Disse, com sua peculiar delicadeza e, para o deleite dos presentes sapecou este exemplar de sua lavra.


Lâmina animal

A pata a tapa,

Acata e ataca.

O corte troco,

A vala lava.

A terra arreta

E

Lima a mil.

sábado, 6 de novembro de 2010

Gesierres

Com trigo
Faz-se esfirra
Com gripe
Se espirra
Com rei mago
Se tem mirra
Com galega
Se tem hija
Sem trégua
Sobra birra
E a guerra
Se acirra
He-Man grita
Por She-Ha
E a galera
Grita "Irra!"

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Plurais

Cútis, crânios e sonhos

Sextas, sexos, festas

Danças, testas, taxas

Bônus, graxas, ânus

Crentes, cristos tristonhos

Textos, revistas, palestras

Livros socados em caixas

Debaixo de beliches e panos

Ingressos vendidos, eventos de graça

Buchichos, fuxicos, senhas secretas

Copos de plástico cheirando a cachaça

Discursos escritos por mãos analfabetas

Rachas, faixas, marchas, sussurros

Descrenças, mitos e controles remotos

Bancos de praça, pombos e churros

Conquistas, danos, contagem de votos

Rasgos de risos estranhos

Doses a mais, exageros

Zoadas, escárnio e dentes

Coxas encostadas em coxas

Bocas fechadas ou frouxas

Coisas tóxicas e dependentes

Bostas, destroços e cheiros

Humanos, perdas e ganhos

Espasmos, orgasmos escrotos

Espinhos de rosas esquecidas

Em vasos – começos de esgotos –

De paixões mal resolvidas

Doenças de mentes aflitas

Conversas cretinas, sem nexo

Propostas, mentiras bem ditas

Pra encaixar côncavo em convexo

Convites, pizzas e táxis

Distâncias, rancores, corações

Telefonemas, cartas, faxes

Palavras incolores, perdões

Xistudos, excessos de refrigerantes

Chuvas, tosses, atchins

Beijos, xaropes expectorantes

Samambaias suspensas em xaxins

Mãos bobas, astutas, espertas

Entre pernas abertas, suspiros de sins

Paus duros esfregando xoxotas alertas

Cobertas por grossas calças jeans

Audaciosos aprendizes, peitos e pés descalços

Areias movediças, gulosas até o pescoço

Algozes profissionais, reis de nós e cadafalsos

Silenciosos, à espreita da caça pro almoço

Rimas pobres, surgidas em assentos de ônibus

Esperanças cansadas, doutoradas em dor

Teimosos achistas que amor tem sinônimos

Antônimos, talvez, mas só plurais tem amor

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Eu acho é graça

Um milhão e quinhentos mil brasileiros disseram que não acreditam em políticos. Eles vivem na maior cidade, do maior estado, do maior país da América do Sul. Eles fazem parte da gigantesca engenhoca que move essa nação.

Para essa ruma de trabalhadores, estudantes, intelectuais, desempregados, artistas, empresários, aposentados, ignorantes, professores, formadores de opinião não existe seriedade no Congresso Nacional.

Esse povo foi às urnas por força de lei e confirmou naquele botão verde, que dá aquela risadinha eletrônica, seu desejo de ser feliz elegendo o palhaço Tiririca como o único político capaz de fazer a gente rir.

Isto é democracia. E assim, os cento e oitenta e tantos milhões de brasileiros, que não votaram no abestado, que não acharam isso nada engraçado terão que pagar por quatro anos de show, que certamente não será de graça.