terça-feira, 29 de março de 2011
Aquarela
sexta-feira, 25 de março de 2011
Vernaculofobia
Você e eu
terça-feira, 22 de março de 2011
Sim, e daí?
Tambaqui
Camarão
Caranguejo
No Rio de Janeiro
Nós
Tambaqui
Na cuia
Rioacreando
E nadando
De bubuia
No banzeiro
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
A roda e o Choco
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
Othelo no Acre
A direção é de Adriana Santelli.
- Não, minha senhora! Pela milésima vez! Pelo amor de Deus, preste atenção! Só vou falar mais essa vezinha, tá? Eu me chamo Othelo, o mouro de Veneza, e não Océlio Mourão de Meneses. Sou esposo de Desdêmona, amigo de Cassio e filho de William Shakespeare, entendeu?
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
O Fantasma da OCA
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
Respostas cretinas para perguntas imbecis
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
A festa
domingo, 9 de janeiro de 2011
Atrapalhado
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
Deus é fiel
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
Os bons
Agora somos o alvo, somos a mosca.
De tanto tentar querer mostrar,
Por prazer... porque sim... sei lá
Feito parafuso no meio da rosca,
Fendidos, apertados, frouxos, marrons
Destemperados, tortos, inconvenientes.
Jornalistas "ruela"! Uns incompetentes!
Mesmo assim, ainda premiados como bons.
Somos hoje a pauta, amanhã a notícia.
Nossos amigos enaltecem nosso talento.
Nossa pepeta é a que sobe sem vento.
A gente hoje é que é "o cara". Delícia!
Hoje somos a mosca, diante da infalível mira,
Dos olhos da sociedade que nos tem como alvo
A mosca que voou acreditando estar a salvo
Da ruma de bosta em que nascera, de onde saíra.
Mosca que muito voa encontra língua de sapo.
Isso se não se enrroscar em teia de aranha,
E, tentando voar, mais e mais se emaranha
E gruda na teia como pentelho em esparadrapo
Sejamos pois, vagalumes, pequenos pirilampos.
Com luz própria, atraentes insetos faiscantes,
De bicos pontiagudos, discretos seres picantes
Feito alfinete escondido em caixinha grampos.
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
Márcio Chocorosqui escreve
A conversa entre médicos sobre assunto da profissão se manifesta por uma linguagem pouco amistosa para leigos. O mesmo ocorre entre professores de Português ou gramáticos versando sobre assuntos de linguagem. E se misturássemos as duas áreas de atuação, ressaltando a citada por último? Poderíamos imaginar, mais ou menos, uma cena como esta:
— Doutor, qual é o quadro?
— Bem... Aqui quase houve um infarto da mesóclise. Mais adiante, vemos um tumor no núcleo do sujeito já em estado de metáfora.
— Mas isso não é grave, doutor.
— Para este texto sim. Provavelmente não seguiu as orientações linguísticas que lhe proibiam o consumo excessivo de figuras de linguagem. O caso pede uma operação semântica para lhe restituir a denotação.
— E este outro tumor aqui, doutor?
— Ah, este não é maligno. É apenas proveniente de um acúmulo de lipídios ocasionado pela repetição do pronome proclítico ao verbo.
— Perdão, doutor, mas vejo, como sintoma recorrente, a repetição de verbos no gerúndio em estranha aglomeração frasal, como aqui, olha: “vamos estar providenciando...”.
— Bravo, rapaz! Trata-se de um típico caso de gerundismo, uma epidemia que assola a língua portuguesa.
— E tem cura?
— Infelizmente, é quase incurável. Muitos textos têm que conviver com essa doença. Alguns não a conseguem tolerar e morrem.
— Doutor, os exames mostram que o texto estava alcoolizado.
— Um texto alcoólatra. Isso agrava a situação. Vamos proceder à intervenção gramatical imediatamente.
— Espere, doutor, aqui diz, também, que este texto não tem plano de revisão gramatical.
— Não! Sendo assim...
— Deixemos para mais tarde, doutor?
sábado, 25 de dezembro de 2010
Natal
Feriado principal
Tradicional
Anual
Cultural
Ocidental
Multinacional
Legal
Social
Providencial
Genial
Emocional
Funcional
Comercial
Tal qual
Em gênero, número e grau
Ao
Feriado sem igual
Teatral
Sensacional
Carnaval
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
Reflexão
Havia naquele olhar um brilho
Tal qual precioso conselho
Daqueles que só mesmo espelho
Mostra onde está, sob o olho, o cílio
Vi sim! Com esses olhos aqui, viu?!
Ergui sobrancelhas, lequiei pestanas...
Não me assombram façanhas humanas,
Mas confesso que aquele olhar me atingiu
Não, não vou nem tentar descrever o que vi.
Só posso - por não poder falar – escrever
Em mais três versos, palavras que rimam
Que só com poesia – assim aprendi -
Se pode dividir o que não é só pra você
E só assim refletir olhares que brilham
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
Penta
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
sábado, 27 de novembro de 2010
Dalmir Ferreira escreve
Cansado, vou me despindo
das fantasias da juventude.
Acolhe-me a doce quietude
de quem está se despedindo
O coração em tal amplitude
se cala num desejo infindo
de outros ares sempre rindo,
em seu silêncio, que ilude...
Vai na ordinária decrepitude,
comum a quem já está indo
na luz que desfaz a negritude
Cantar o seu canto mais lindo,
no amor de maior magnitude
o canto de quem está partindo...
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Frango com Whisky
Ingredientes
- 01 garrafa de whisky 18 anos (Do bom, é claro!)
- 01 frango de aproximadamente 02 quilos
- Sal, pimenta e cheiro verde a gosto
- 350 ml de azeite de oliva extra virgem
- Nozes moídas
Modo de preparar
- Pegue o frango
- Beba um copo de whisky
- Envolver o frango e temperá-lo com sal, pimenta e cheiro verde a gosto.
- Massageá-lo com azeite.
- Pré-aquecer o forno por aproximadamente 10 minutos.
- Sirva-se de uma boa dose de whisky enquanto aguarda o forno aquecer.
- Use as nozes moídas como tira-gosto.
- Colocar o frango em um a assadeira grande.
- Sirva-se de mais duas doses de whisky.
- Axustar o terbostato no drês e, debois de uns... vinch binutos, botar para assassinar... Digu: assar a ave.
- Derrubar uma dose de whisky debois de beia hora, formar abaertura egontrolar a assadura do peixe.
- Tentar zentar na gadeira, servir-se de uoooooooootra dose sarada de whisky.
- Cozer(?), costurar(?), cozinhar, sei lá, voda-se o pernil.
- Deixáááá o filho da buta do pato no vorno por umas 4 horas.
- Tentar retirar o vrango do vorno. Num vai guemar a mão, garaio!
- Mandar mais uma boa dose de whisky pra dentro. De você, é glaro!
- Tentar novamente tirar o sacana do vrango do vorno, porque na primeira teenndadiiiva dããão deeeeuuuuu nem coscarai de asa... essa borra.
- Begar o vrango que gaiu no jão e enjugar o filho da buta com o bano de jão e cologá-lo numa pandeja ou qualquer outra borra, bois avinal você nem gosssssssssta muito dessa bosta mesmo de bode azado.
- Bais uma toss dji cachaça iiiii... Tá bronto!
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Pedofilia
Se chamava Maria, Mariazinha. Acho que ela deveria ter assim, uns quinze pra dezesseis anos, por aí. Me lembro bem do sorriso e do olhar dela. Lembro muito bem como ela olhava e sorria pra mim. Ela me deixava sem jeito. Morria de vergonha. Tinha medo que os outros percebessem. Mariazinha era muito atrevida.
Me beijava em público, assim, do nada. Me beliscava, dizia coisas no meu ouvido. Eu fugia dela. Fugia, sim! Quando não tinha ninguém por perto, ela me deixava ver suas intimidades e, nua, saindo do banho dizia, rindo: Vem cá, deixa de ser medroso! Eu gostava dela sim. Não tinha como não gostar.
Um dia, depois de muito tempo, com minha esposa, na casa de minha mãe, lá estava ela. Confesso que não a reconheci. Pedi a bênção de mamãe e cumprimentei a visita, me apresentando. Na mesma hora, me lembrei. O sorriso e o olhar ainda eram os mesmos. Minha mãe inquiriu: - Ah, filho, eu não acredito! Esqueceu da Mariazinha?
Respondi: - É, mãe, realmente não havia reconhecido. Faz muito tempo, mas a primeira babá a gente nunca esquece! Não é, Maria?
Epitáfio
Mascarados ouvidos, atentos,
Em chegados meus findos momentos,
Agüentarão as pobres falas poucas
As que hei de soprar da catingosa boca,
Por entre restos pretos de dentes,
Dirigidas aos benditos sobreviventes,
Parceiros, heróis de vida igualmente oca
Pra que ninguém nunca esqueça, ainda
Que os lábios e a língua não prestem mais,
Usarei até libras, farei grande alarde
Já que risada em hora de pranto é bem-vinda,
Na lápide, que não se escreva ”Aqui jaz”,
Que se leia em alto relevo “Me aguarde!”.
terça-feira, 9 de novembro de 2010
Culturologistas se manifestam
“SEM RECUAR... SEM CAIR... SEM TEMER...”.
Passado o susto de advertência da população no pleito eleitoral no Acre, o futuro governo acreano promete, segundo a imprensa, nomes do secretariado pra já. O atual que sai comemora o Dia Nacional da Cultura sancionando a lei do Sistema Estadual de Cultura, mas no todo, já passam 12 anos de PT no poder e a cultura no Acre, de fato, não tem muito o que comemorar. Mudou alguma coisa mesmo? Que mudança? A pergunta se faz resposta.
Repetindo os velhos vícios da política local, em que predomina uma mentalidade não só imune como hostil às verdadeiras mudanças, podemos vislumbrar mais um quadriênio em que a cultura terá menos ainda o que comemorar, pois se não houve promessas de campanha, haverá o que fazer? Ou melhor, o novo governo, em estado de descompromisso pré e pós eleitoral, não fará o que bem entender?
Sem ouvir a comunidade cultural como deveria, antes e, principalmente, depois do pleito, ignorando que é constitucional a elaboração do plano plurianual da cultura pelo Conselho, o governo seguirá optando por opiniões próprias e autoritárias, por políticas alheias, inadequadas e ilegais, quanto ao que o setor aspira? Seguirá o governo, com ouvidos moucos?
O Conselho Estadual de Cultura, para melhor contribuir com a idéia de verdadeira participação popular na administração da cultura, criou, em seu Regimento, o poder de indicar, em lista tríplice, nomes para o comando da Fundação Estadual de Cultura. Há quatro anos, a lista tríplice endereçada à atual gestão, após processo democrático de escolha, recebeu como resposta, a indiferença. No atual momento, a Presidência do Concultura, infelizmente até agora não se manifestou sobre o processo de indicação da lista tríplice, o que esperamos seja feito imediatamente, para que o futuro governo não diga que não sabia da opinião da área cultural.
Nem as políticas de cultura, nem seus gestores devem ser imposição. Agir assim é ferir os princípios constitucionais da democracia, da participação e da legalidade, pois a participação social nas gestões públicas já é um imperativo constitucional. A opção pela imposição traz toda sorte de malefícios à gestão, a começar pela indicação aleatória e sem critério de seu comando até a consecução de eventos caros e sem resultados efetivamente sociais e culturais...
De tudo, além do alto custo público e do precioso tempo que se perde, há o fomento à mediocridade pelo qual se vê grande parcela da população incapaz da leitura, seja de livros ou da própria cultura. Vê-se em tal postura gestora, um crime de responsabilidade geracional, que tem condenado um povo à eterna condição política subalterna e de quase nenhuma auto estima cultural.
O Conselho de Cultura tem sofrido desse mal também. A grande evasão das boas mentes ali verificadas bem se explica: ninguém quer participar de um conselho de faz-de-conta. Estão ali cidadãos que exigem o respeito a que tem direito. É lamentável que ainda se criem leis para não serem cumpridas e que não seja garantido seu cumprimento por quem deveria.
A classe artística, sem visibilidade ou reconhecimento, de modo geral, vai se tornando descrente e indiferente às promessas e discursos que se acumulam sem maiores resultados. Não desejamos que os que persistem no Conselho sejam derrotados pelo cansaço e que só reste espaço para os que não acreditam, mas ficam por proveitos pessoais ou os que têm pouca noção do processo, oportunistas que ao fim não têm legitimidade representativa.
Com leis, eventos e silêncios nosso estado é um prodígio de gestão cultural e educacional democráticas: enquanto o governo propaga a noticia de que possui a melhor educação do país, não existe em seus quadros licenciados em artes, nem sala de aula voltada para a arte-educação. Sem falar que os seus espaços culturais como galerias, teatros, bibliotecas, museus, rádios e TVs educativas são geridos sem a participação e controle popular e sem os especialistas da área. Enfim, tem uma série de outras coisas inexplicáveis que pode tudo dizer, menos que há efetivamente políticas culturais e educacionais de qualidade.
Diante desse quadro, que exige um firme posicionamento, mais do que o silencio conivente, nós produtores culturais, que abaixo assinamos o presente manifesto, exigimos do governo eleito que não tenha medo da democracia e que abra as portas do poder para a participação popular na área cultural, sem recuar a legislação da cultura, sem cair em gestão participativa de faz-de-contas, e sem temer os artistas e a cultura.
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Manoel Laércio escreve
- Palíndromo, ignorante! - Disse, com sua peculiar delicadeza e, para o deleite dos presentes sapecou este exemplar de sua lavra.
Lâmina animal
A pata a tapa,
Acata e ataca.
O corte troco,
A vala lava.
A terra arreta
E
Lima a mil.
sábado, 6 de novembro de 2010
Gesierres
Faz-se esfirra
Com gripe
Se espirra
Com rei mago
Se tem mirra
Com galega
Se tem hija
Sem trégua
Sobra birra
E a guerra
Se acirra
He-Man grita
Por She-Ha
E a galera
Grita "Irra!"
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Plurais
Cútis, crânios e sonhos
Sextas, sexos, festas
Danças, testas, taxas
Bônus, graxas, ânus
Crentes, cristos tristonhos
Textos, revistas, palestras
Livros socados em caixas
Debaixo de beliches e panos
Ingressos vendidos, eventos de graça
Buchichos, fuxicos, senhas secretas
Copos de plástico cheirando a cachaça
Discursos escritos por mãos analfabetas
Rachas, faixas, marchas, sussurros
Descrenças, mitos e controles remotos
Bancos de praça, pombos e churros
Conquistas, danos, contagem de votos
Rasgos de risos estranhos
Doses a mais, exageros
Zoadas, escárnio e dentes
Coxas encostadas em coxas
Bocas fechadas ou frouxas
Coisas tóxicas e dependentes
Bostas, destroços e cheiros
Humanos, perdas e ganhos
Espasmos, orgasmos escrotos
Espinhos de rosas esquecidas
Em vasos – começos de esgotos –
De paixões mal resolvidas
Doenças de mentes aflitas
Conversas cretinas, sem nexo
Propostas, mentiras bem ditas
Pra encaixar côncavo em convexo
Convites, pizzas e táxis
Distâncias, rancores, corações
Telefonemas, cartas, faxes
Palavras incolores, perdões
Xistudos, excessos de refrigerantes
Chuvas, tosses, atchins
Beijos, xaropes expectorantes
Samambaias suspensas em xaxins
Mãos bobas, astutas, espertas
Entre pernas abertas, suspiros de sins
Paus duros esfregando xoxotas alertas
Cobertas por grossas calças jeans
Audaciosos aprendizes, peitos e pés descalços
Areias movediças, gulosas até o pescoço
Algozes profissionais, reis de nós e cadafalsos
Silenciosos, à espreita da caça pro almoço
Rimas pobres, surgidas em assentos de ônibus
Esperanças cansadas, doutoradas em dor
Teimosos achistas que amor tem sinônimos
Antônimos, talvez, mas só plurais tem amor
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Eu acho é graça
Um milhão e quinhentos mil brasileiros disseram que não acreditam em políticos. Eles vivem na maior cidade, do maior estado, do maior país da América do Sul. Eles fazem parte da gigantesca engenhoca que move essa nação.
Para essa ruma de trabalhadores, estudantes, intelectuais, desempregados, artistas, empresários, aposentados, ignorantes, professores, formadores de opinião não existe seriedade no Congresso Nacional.
Esse povo foi às urnas por força de lei e confirmou naquele botão verde, que dá aquela risadinha eletrônica, seu desejo de ser feliz elegendo o palhaço Tiririca como o único político capaz de fazer a gente rir.
Isto é democracia. E assim, os cento e oitenta e tantos milhões de brasileiros, que não votaram no abestado, que não acharam isso nada engraçado terão que pagar por quatro anos de show, que certamente não será de graça.








