quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

A festa

Foi cerveja gelada na cuia grande
Matemo um boi, assemo carneiro
E o forró ao vivo, com sanfoneiro?
Inda vimo, a tarde futebol na Band

Vei todo mundo, faltou tu somente
“Besta, num sabe o que tá perdeno!”
Foi o que o todo mundo saiu dizeno
Logo tu, que vai a festa até doente!

Num vei na minha, mas deixa pra lá
Tu foi quem perdeu co'essa desfeita
A turma que vei, saiu toda satisfeita
Nem deu notícia, desligou o celular...

Já falou tudo? Posso me defender?
Cumpade, só estou tu, ora mais esta,
Imaginar q'eu num quis ir na tua festa
No zeroitocentos, eu ia bem perder?

Nem pra saber o que se deu comigo!
É. Isso é que é a tal da “consideração”...
Mas, destá. Num vai ser por isso não
Que nós vamo deixar ser bom amigo

De ser parceiro de dominó e sinuca,
De ser colega até debaixo d'água.
Amizade que desconhece mágua
Té porque num foi pega em arapuca

Sei que eu perdi teu grandioso pizeiro
E que o cumpade queria eu lá, junto
Mas, pra botar uma pedra no assunto,
Eu até aceito minha parte em dinheiro.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Atrapalhado

Sempre me atrapalhei em tentar me fazer entender pelas mulheres. As mulheres que me conhecem mesmo são: Dona Rosa, que me pariu, Laluce e Dijé, minhas irmãs de sangue, Simone, prima/irmã de coração e, provavelmente, uma ou duas das que mantive relacionamentos mais duradouros que uma noite de intimidades. O fato é que eu não conheço nenhuma delas e isso é a única coisa, nesta vida, de que eu tenho certeza absoluta.

Quando me afastei dessa ruma de mulher, me encontrei com outro tanto. Inevitavelmente, propositalmente, diga-se de passagem, me atrapalhei mais ainda. Minha primeira atração (sexual, obviamente) deu-se aos dez anos, quando me apaixonei por Lucy Rocha Lima, que tinha treze. Era tão linda! Obviamente não me lembro, de jeito nenhum da fisionomia de Lucy. Sei que era linda. E seus lábios foram os primeiros que beijei.

Descobri que mulher é uma delícia muito superior a mel de rapadura com farinha d'água, mais atraente que álbum de figurinha, mais cheirosa que café com tapioca, mais preciosa e desejável que bicicleta debaixo da cama, em manhã de natal. Dez anos! Eu só tinha dez anos quando senti o cheiro do perfume da Terezinha. Não sei... não dá pra descrever, mas acabei de lembrar o cheiro da Terezinha, o cheiro que atrapalhou meu romance eterno com a Lucy.

A Diana me fez desaprender a desenhar o Leão do Pici (mascote do Fortaleza). Larguei as peladas, no campinho, no terreno da dona Maria do Chicó, batizado Mar del Toco, alusão ao Estádio Mar del Plata (Copa da Argentina, lembra?), pra ficar em casa lendo O Pequeno Príncipe, O Menino do dedo verde e sonetos de Vinícius de Moraes, ouvindo Bolero de Ravel e Ópera do Malandro pra depois escrever uma carta pra minha amada, que morava a duas quadras da minha casa.

No turno da tarde, do Colégio Joaquim Albano, só estudavam meninas. Era uma ruma de mulher! Os treinos de voleibol, handebol, basquetebol, dança moderna e o escambol aconteciam depois da aula da tarde e entravam pela noite. De manhã, a carteira 18, da 6ª A perguntava: “Oi. Como é teu nome? Sou Márcia, quer me conhecer?”. De tarde, a atrapalhada carteira 18, da 6ª A respondia com rimas toscas e desenhos idem. A Márcia era de tirar o fôlego. Linda, ruía as unhas e jogava vôlei.

O treino de handebol acabou mais cedo. Aproveitei pra distribuir nas salas, cheio de moral, com o aval do diretor Sebastião Praciano, o jornalzinho do Centro Cívico e recolher material (poesias, redações, etc) para a próxima edição. A Gracinha era uma morena de olhos grandes, peitos grandes e grandes lábios que escondiam o fim do fecho-ecler do jeans. Exímia instrutora de beijo de língua, sentava na carteira 18, da 6ª A, do turno da noite. Fiquei tão atrapalhado que perdi o último ônibus.

A Lucrécia tinha o corpo perfeito. Andava como se tivesse uma tachinha sob cada calcanhar. Meio que saltitante, flutuava na ponta dos pés. Praticava Dança Moderna na Academia Regina Coelis. Seus seios jamais recuaram sob a pressão dos meus abraços. Sua língua, invariavelmente me deixava sem fôlego, seus braços me deixavam sem forças, suas coxas me adormeciam da cintura pra baixo, sua magnífica bunda atrapalhava o trânsito.

A Terezinha era surda. Com sua vozinha gemida, frágil, infantil falava pouco. De sua boquinha linda só saíam sussurros, sorrisos e palavras essenciais. O Jaílson foi um bom amigo e mestre, talentoso artista plástico, me deu preciosos livros e dicas que impulsionaram minha carreira. Namorado da Terezinha, Jaílson era perito em LIBRAS e alfabeto manual. Mas, o que ajuda, as vezes atrapalha. Jaílson acabou o namoro porque Terezinha falava demais.

Mulheres falam mesmo. A primeira vez que ouvi a palavra “buceta” foi pela boca de uma mulher. Numa briga de vizinhas, iracunda, saia levantada até os peitos, mão espalmada, batendo no tufo enorme de pelos pubianos, que se espalhavam pelas virilhas, além de sua calcinha tamanho G, dona Amália reclamava para si o exclusivo e irrepreensível direito de bater em seus filhos, pois em seu ventre foram gestados e por aquela respeitável buceta saíram.

Me atrapalhei demais, naquele tempo de ignorância acerca das mulheres. As que desejei e nunca tive, as que rejeitei, as que me rejeitaram, as amigas que me amaram e eu nem percebi, as professoras que me reprovaram, as prostitutas que me adoeceram. Joana D'Arc, Suzana, Verônica, Cristiane, Sílvia, Ângela, Teca, Marisol, Fernanda, Virgínia, Roberta, Regina, Tâmara, Norma... Norma?... Não, espera aí. Nunca houve Norma alguma! Hum! Tá vendo, me atrapalhei de novo.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Deus é fiel

A fidelidade é um dos dons de Deus.
Dos muitos dons que dele herdamos
Quando ao criar-nos disse: Façamo-lo

Tal qual nossa semelhança e igual face
Assim será, semelhante a nós esse ser
Que estou satisfeito e sentindo-me feliz

Por assim desse mesmo jeito fazê-lo
Que, tais quais os nossos, os dons seus
Talvez os faça saberem que são deuses

Pois se mesmo assim, não acertarem
Quais coisas são dons ou apenas coisas
Saberão fazer a coisa certa a ser feita

Se soberbos, sucumbes às suas ideias
Seus lindos modos e atos desastrados
Os farão, em seus travesseiros saber

Que desde sempre estou, sem cansar,
Cientes que sou Deus e jamais canso,
Com meu abraço fiel para os consolar.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Os bons

Essa é para jornalistas que se transformam em notícia. Surgiu quando fui receber, juntamente com os colegas vitoriosos, o Prêmio José Chalub Leite do ano passado.


Agora somos o alvo, somos a mosca.
De tanto tentar querer mostrar,
Por prazer... porque sim... sei lá
Feito parafuso no meio da rosca,

Fendidos, apertados, frouxos, marrons
Destemperados, tortos, inconvenientes.
Jornalistas "ruela"! Uns incompetentes!
Mesmo assim, ainda premiados como bons.

Somos hoje a pauta, amanhã a notícia.
Nossos amigos enaltecem nosso talento.
Nossa pepeta é a que sobe sem vento.
A gente hoje é que é "o cara". Delícia!

Hoje somos a mosca, diante da infalível mira,
Dos olhos da sociedade que nos tem como alvo
A mosca que voou acreditando estar a salvo
Da ruma de bosta em que nascera, de onde saíra.

Mosca que muito voa encontra língua de sapo.
Isso se não se enrroscar em teia de aranha,
E, tentando voar, mais e mais se emaranha
E gruda na teia como pentelho em esparadrapo

Sejamos pois, vagalumes, pequenos pirilampos.
Com luz própria, atraentes insetos faiscantes,
De bicos pontiagudos, discretos seres picantes
Feito alfinete escondido em caixinha grampos.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Márcio Chocorosqui escreve

A medicina e as letras

A conversa entre médicos sobre assunto da profissão se manifesta por uma linguagem pouco amistosa para leigos. O mesmo ocorre entre professores de Português ou gramáticos versando sobre assuntos de linguagem. E se misturássemos as duas áreas de atuação, ressaltando a citada por último? Poderíamos imaginar, mais ou menos, uma cena como esta:
Após uma gravíssima colisão entre duas onomatopeias, um texto entra em coma. Um gramático-cirurgião analisa o sujeito paciente quando chega, às pressas, o estagiário residente trazendo os exames:
— Doutor, qual é o quadro?
— Bem... Aqui quase houve um infarto da mesóclise. Mais adiante, vemos um tumor no núcleo do sujeito já em estado de metáfora.
— Mas isso não é grave, doutor.
— Para este texto sim. Provavelmente não seguiu as orientações linguísticas que lhe proibiam o consumo excessivo de figuras de linguagem. O caso pede uma operação semântica para lhe restituir a denotação.
— E este outro tumor aqui, doutor?
— Ah, este não é maligno. É apenas proveniente de um acúmulo de lipídios ocasionado pela repetição do pronome proclítico ao verbo.
— Perdão, doutor, mas vejo, como sintoma recorrente, a repetição de verbos no gerúndio em estranha aglomeração frasal, como aqui, olha: “vamos estar providenciando...”.
— Bravo, rapaz! Trata-se de um típico caso de gerundismo, uma epidemia que assola a língua portuguesa.
— E tem cura?
— Infelizmente, é quase incurável. Muitos textos têm que conviver com essa doença. Alguns não a conseguem tolerar e morrem.
— Doutor, os exames mostram que o texto estava alcoolizado.
— Um texto alcoólatra. Isso agrava a situação. Vamos proceder à intervenção gramatical imediatamente.
— Espere, doutor, aqui diz, também, que este texto não tem plano de revisão gramatical.
— Não! Sendo assim...
— Deixemos para mais tarde, doutor?
— Certamente. Agora vamos examinar aquele paciente com crises de pleonasmo.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Natal

Hoje é natal
Feriado principal
Tradicional
Anual
Cultural
Ocidental
Multinacional
Legal
Social
Providencial
Genial
Emocional
Funcional
Comercial
Tal qual
Em gênero, número e grau
Ao
Feriado sem igual
Teatral
Sensacional
Carnaval

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Reflexão

Havia naquele olhar um brilho

Tal qual precioso conselho

Daqueles que só mesmo espelho

Mostra onde está, sob o olho, o cílio


Vi sim! Com esses olhos aqui, viu?!

Ergui sobrancelhas, lequiei pestanas...

Não me assombram façanhas humanas,

Mas confesso que aquele olhar me atingiu


Não, não vou nem tentar descrever o que vi.

Só posso - por não poder falar – escrever

Em mais três versos, palavras que rimam


Que só com poesia – assim aprendi -

Se pode dividir o que não é só pra você

E só assim refletir olhares que brilham

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Penta


Oi. Me premiaram com o Chalub Leite de Jornalismo pela quinta vez. Tá bom demais, né não?
Essa foi a charge ganhadora originada a partir de uma piada criada pelo meu bom amigo, o humorista/publicitário Edmir Gadelha Jr.

sábado, 27 de novembro de 2010

Dalmir Ferreira escreve

Cansaço

Cansado, vou me despindo
das fantasias da juventude.
Acolhe-me a doce quietude
de quem está se despedindo

O coração em tal amplitude
se cala num desejo infindo
de outros ares sempre rindo,
em seu silêncio, que ilude...

Vai na ordinária decrepitude,
comum a quem já está indo
na luz que desfaz a negritude

Cantar o seu canto mais lindo,
no amor de maior magnitude
o canto de quem está partindo...

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Frango com Whisky

Enviada pelo meu quase futuro cunhado, mas sempre amigo Ivan de Castela. Muito boa a receita, Ivan.

Ingredientes

- 01 garrafa de whisky 18 anos (Do bom, é claro!)
- 01 frango de aproximadamente 02 quilos
- Sal, pimenta e cheiro verde a gosto
- 350 ml de azeite de oliva extra virgem
- Nozes moídas

Modo de preparar

- Pegue o frango
- Beba um copo de whisky
- Envolver o frango e temperá-lo com sal, pimenta e cheiro verde a gosto.
- Massageá-lo com azeite.
- Pré-aquecer o forno por aproximadamente 10 minutos.
- Sirva-se de uma boa dose de whisky enquanto aguarda o forno aquecer.
- Use as nozes moídas como tira-gosto.
- Colocar o frango em um a assadeira grande.
- Sirva-se de mais duas doses de whisky.
- Axustar o terbostato no drês e, debois de uns... vinch binutos, botar para assassinar... Digu: assar a ave.
- Derrubar uma dose de whisky debois de beia hora, formar abaertura egontrolar a assadura do peixe.
- Tentar zentar na gadeira, servir-se de uoooooooootra dose sarada de whisky.
- Cozer(?), costurar(?), cozinhar, sei lá, voda-se o pernil.
- Deixáááá o filho da buta do pato no vorno por umas 4 horas.
- Tentar retirar o vrango do vorno. Num vai guemar a mão, garaio!
- Mandar mais uma boa dose de whisky pra dentro. De você, é glaro!
- Tentar novamente tirar o sacana do vrango do vorno, porque na primeira teenndadiiiva dããão deeeeuuuuu nem coscarai de asa... essa borra.
- Begar o vrango que gaiu no jão e enjugar o filho da buta com o bano de jão e cologá-lo numa pandeja ou qualquer outra borra, bois avinal você nem gosssssssssta muito dessa bosta mesmo de bode azado.
- Bais uma toss dji cachaça iiiii... Tá bronto!

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Pedofilia

Faz muito tempo. Tenho uma vaga lembrança. Sei que foi algo divertido pra mim. No escuro, eu em cima dela, entre suas coxas suadas. Eu ria, mas acho que ela chorava e, ofegante dizia algo no meu ouvido, ou tentava dizer. Não entendia nada do que ela falava, não lembro. Só sei que eu ria e ela gemia muito.

Se chamava Maria, Mariazinha. Acho que ela deveria ter assim, uns quinze pra dezesseis anos, por aí. Me lembro bem do sorriso e do olhar dela. Lembro muito bem como ela olhava e sorria pra mim. Ela me deixava sem jeito. Morria de vergonha. Tinha medo que os outros percebessem. Mariazinha era muito atrevida.

Me beijava em público, assim, do nada. Me beliscava, dizia coisas no meu ouvido. Eu fugia dela. Fugia, sim! Quando não tinha ninguém por perto, ela me deixava ver suas intimidades e, nua, saindo do banho dizia, rindo: Vem cá, deixa de ser medroso! Eu gostava dela sim. Não tinha como não gostar.

Um dia, depois de muito tempo, com minha esposa, na casa de minha mãe, lá estava ela. Confesso que não a reconheci. Pedi a bênção de mamãe e cumprimentei a visita, me apresentando. Na mesma hora, me lembrei. O sorriso e o olhar ainda eram os mesmos. Minha mãe inquiriu: - Ah, filho, eu não acredito! Esqueceu da Mariazinha?
Respondi: - É, mãe, realmente não havia reconhecido. Faz muito tempo, mas a primeira babá a gente nunca esquece! Não é, Maria?

Epitáfio

Narizes tapados, cabeças com toucas,
Mascarados ouvidos, atentos,
Em chegados meus findos momentos,
Agüentarão as pobres falas poucas

As que hei de soprar da catingosa boca,
Por entre restos pretos de dentes,
Dirigidas aos benditos sobreviventes,
Parceiros, heróis de vida igualmente oca

Pra que ninguém nunca esqueça, ainda
Que os lábios e a língua não prestem mais,
Usarei até libras, farei grande alarde

Já que risada em hora de pranto é bem-vinda,
Na lápide, que não se escreva ”Aqui jaz”,
Que se leia em alto relevo “Me aguarde!”.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Culturologistas se manifestam

Um manifesto pela cultura no Acre:
“SEM RECUAR... SEM CAIR... SEM TEMER...”.


Passado o susto de advertência da população no pleito eleitoral no Acre, o futuro governo acreano promete, segundo a imprensa, nomes do secretariado pra já. O atual que sai comemora o Dia Nacional da Cultura sancionando a lei do Sistema Estadual de Cultura, mas no todo, já passam 12 anos de PT no poder e a cultura no Acre, de fato, não tem muito o que comemorar. Mudou alguma coisa mesmo? Que mudança? A pergunta se faz resposta.

Repetindo os velhos vícios da política local, em que predomina uma mentalidade não só imune como hostil às verdadeiras mudanças, podemos vislumbrar mais um quadriênio em que a cultura terá menos ainda o que comemorar, pois se não houve promessas de campanha, haverá o que fazer? Ou melhor, o novo governo, em estado de descompromisso pré e pós eleitoral, não fará o que bem entender?

Sem ouvir a comunidade cultural como deveria, antes e, principalmente, depois do pleito, ignorando que é constitucional a elaboração do plano plurianual da cultura pelo Conselho, o governo seguirá optando por opiniões próprias e autoritárias, por políticas alheias, inadequadas e ilegais, quanto ao que o setor aspira? Seguirá o governo, com ouvidos moucos?

O Conselho Estadual de Cultura, para melhor contribuir com a idéia de verdadeira participação popular na administração da cultura, criou, em seu Regimento, o poder de indicar, em lista tríplice, nomes para o comando da Fundação Estadual de Cultura. Há quatro anos, a lista tríplice endereçada à atual gestão, após processo democrático de escolha, recebeu como resposta, a indiferença. No atual momento, a Presidência do Concultura, infelizmente até agora não se manifestou sobre o processo de indicação da lista tríplice, o que esperamos seja feito imediatamente, para que o futuro governo não diga que não sabia da opinião da área cultural.

Nem as políticas de cultura, nem seus gestores devem ser imposição. Agir assim é ferir os princípios constitucionais da democracia, da participação e da legalidade, pois a participação social nas gestões públicas já é um imperativo constitucional. A opção pela imposição traz toda sorte de malefícios à gestão, a começar pela indicação aleatória e sem critério de seu comando até a consecução de eventos caros e sem resultados efetivamente sociais e culturais...

De tudo, além do alto custo público e do precioso tempo que se perde, há o fomento à mediocridade pelo qual se vê grande parcela da população incapaz da leitura, seja de livros ou da própria cultura. Vê-se em tal postura gestora, um crime de responsabilidade geracional, que tem condenado um povo à eterna condição política subalterna e de quase nenhuma auto estima cultural.

O Conselho de Cultura tem sofrido desse mal também. A grande evasão das boas mentes ali verificadas bem se explica: ninguém quer participar de um conselho de faz-de-conta. Estão ali cidadãos que exigem o respeito a que tem direito. É lamentável que ainda se criem leis para não serem cumpridas e que não seja garantido seu cumprimento por quem deveria.

A classe artística, sem visibilidade ou reconhecimento, de modo geral, vai se tornando descrente e indiferente às promessas e discursos que se acumulam sem maiores resultados. Não desejamos que os que persistem no Conselho sejam derrotados pelo cansaço e que só reste espaço para os que não acreditam, mas ficam por proveitos pessoais ou os que têm pouca noção do processo, oportunistas que ao fim não têm legitimidade representativa.

Com leis, eventos e silêncios nosso estado é um prodígio de gestão cultural e educacional democráticas: enquanto o governo propaga a noticia de que possui a melhor educação do país, não existe em seus quadros licenciados em artes, nem sala de aula voltada para a arte-educação. Sem falar que os seus espaços culturais como galerias, teatros, bibliotecas, museus, rádios e TVs educativas são geridos sem a participação e controle popular e sem os especialistas da área. Enfim, tem uma série de outras coisas inexplicáveis que pode tudo dizer, menos que há efetivamente políticas culturais e educacionais de qualidade.

Diante desse quadro, que exige um firme posicionamento, mais do que o silencio conivente, nós produtores culturais, que abaixo assinamos o presente manifesto, exigimos do governo eleito que não tenha medo da democracia e que abra as portas do poder para a participação popular na área cultural, sem recuar a legislação da cultura, sem cair em gestão participativa de faz-de-contas, e sem temer os artistas e a cultura.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Manoel Laércio escreve

Perguntei ao amigo Manel (Manoel Laércio, conhecido nas memoráveis conversas etílicas como Guga, uma referência ao Google, que tal qual Manel, sempre responde o que a gente pergunta) se ele, que é excelente poeta, já havia criado algum palíndrome.
- Palíndromo, ignorante! - Disse, com sua peculiar delicadeza e, para o deleite dos presentes sapecou este exemplar de sua lavra.


Lâmina animal

A pata a tapa,

Acata e ataca.

O corte troco,

A vala lava.

A terra arreta

E

Lima a mil.

sábado, 6 de novembro de 2010

Gesierres

Com trigo
Faz-se esfirra
Com gripe
Se espirra
Com rei mago
Se tem mirra
Com galega
Se tem hija
Sem trégua
Sobra birra
E a guerra
Se acirra
He-Man grita
Por She-Ha
E a galera
Grita "Irra!"

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Plurais

Cútis, crânios e sonhos

Sextas, sexos, festas

Danças, testas, taxas

Bônus, graxas, ânus

Crentes, cristos tristonhos

Textos, revistas, palestras

Livros socados em caixas

Debaixo de beliches e panos

Ingressos vendidos, eventos de graça

Buchichos, fuxicos, senhas secretas

Copos de plástico cheirando a cachaça

Discursos escritos por mãos analfabetas

Rachas, faixas, marchas, sussurros

Descrenças, mitos e controles remotos

Bancos de praça, pombos e churros

Conquistas, danos, contagem de votos

Rasgos de risos estranhos

Doses a mais, exageros

Zoadas, escárnio e dentes

Coxas encostadas em coxas

Bocas fechadas ou frouxas

Coisas tóxicas e dependentes

Bostas, destroços e cheiros

Humanos, perdas e ganhos

Espasmos, orgasmos escrotos

Espinhos de rosas esquecidas

Em vasos – começos de esgotos –

De paixões mal resolvidas

Doenças de mentes aflitas

Conversas cretinas, sem nexo

Propostas, mentiras bem ditas

Pra encaixar côncavo em convexo

Convites, pizzas e táxis

Distâncias, rancores, corações

Telefonemas, cartas, faxes

Palavras incolores, perdões

Xistudos, excessos de refrigerantes

Chuvas, tosses, atchins

Beijos, xaropes expectorantes

Samambaias suspensas em xaxins

Mãos bobas, astutas, espertas

Entre pernas abertas, suspiros de sins

Paus duros esfregando xoxotas alertas

Cobertas por grossas calças jeans

Audaciosos aprendizes, peitos e pés descalços

Areias movediças, gulosas até o pescoço

Algozes profissionais, reis de nós e cadafalsos

Silenciosos, à espreita da caça pro almoço

Rimas pobres, surgidas em assentos de ônibus

Esperanças cansadas, doutoradas em dor

Teimosos achistas que amor tem sinônimos

Antônimos, talvez, mas só plurais tem amor

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Eu acho é graça

Um milhão e quinhentos mil brasileiros disseram que não acreditam em políticos. Eles vivem na maior cidade, do maior estado, do maior país da América do Sul. Eles fazem parte da gigantesca engenhoca que move essa nação.

Para essa ruma de trabalhadores, estudantes, intelectuais, desempregados, artistas, empresários, aposentados, ignorantes, professores, formadores de opinião não existe seriedade no Congresso Nacional.

Esse povo foi às urnas por força de lei e confirmou naquele botão verde, que dá aquela risadinha eletrônica, seu desejo de ser feliz elegendo o palhaço Tiririca como o único político capaz de fazer a gente rir.

Isto é democracia. E assim, os cento e oitenta e tantos milhões de brasileiros, que não votaram no abestado, que não acharam isso nada engraçado terão que pagar por quatro anos de show, que certamente não será de graça.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Aforismeus

E se Deus tivesse dado consciência e livre arbítrio a tudo que criou? Pensando bem, acho que somos o "plano B".

É prudente manter distância de língua quieta e vulcão adormecido, os dois podem cuspir fogo a qualquer momento.

A mão que afaga o gato, também toca tamborim.

Sempre morei no mesmo endereço. Só não me encontra quem não sabe o número do meu calçado.

Sou nascido e criado na Aldeota, capital de Fortaleza, capital do Ceará.

As mulheres que amei, sabem. As que não amei, ainda não sabem.

Água corrente e língua solta, só se pára com um bom comportamento.

Cão que ladra, não vote!

domingo, 12 de setembro de 2010

Mais do que tudo, amém

Disseram pra eu aprender

Que do que se ouve

Se guarda o que convém

 

Se vê mais do que era pra ver

Diga aleluia e louve

A Nosso Senhor. Amém!

 

E sempre é bom saber,

Que nunca houve

Quem doutro jeito fez bem

 

E nem me pergunte porquê,

Agora que me aprouve,

Dizer isso pra ti também.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Coragem no cós

Chega de ser bonzim,
Pelos ôto, morrer sozim
Pa virar nome de praça

Chega de ser herói
Porque, lhe digo, ói:
Fica tudo é de graça

Tu vai pos carai, ele fica
E sempre essa gente rica
Num liga pra nada, não

Fecha é tua boca na pólva
E depois que tu desce à cova
Tuas coisa, eles passa a mão

Que jeito? Vamo morrer, sim
Mas levano umeno unzim
Desses que quer levar nóis

Na peixeira, no braço,
Na baladeira, no laço
Com a coragem no cós

E quando vierem falar
Que eles só quer ajudar,
Bota as barba de môi

Senta-lhe a mão no cangote
E enfia no bruto um lingote
Mermo no mei dos ôi.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Chá de macela

baloes

No último dia 5, durante o lançamento do livro Marina – Uma vida por uma causa, o jornalista Antonio Alves disse, em sua magnífica crônica, narrada ao vivo, que a função de Marina Silva na política é dar um chá de macela aos políticos que ficam "muito cheios de ar". Ele contou o caso de um garoto curado a partir de uma chá de macela receitado pela candidata do PV à presidência da república. O chá de macela é usado popularmente em casos de má digestão e cólicas intestinais.

- Ao me lembrar disso e ver tantas políticas inchadas, tantas importâncias, tantas belezas vazias, tantos balões cheios de nada no Brasil inteiro, me lembrei de que Marina agora dá um chá de macela um pouco mais amplo, nacional. A gente, com Marina, vai muito mais longe. Esse é só um passo a mais. A estrada começou lá atrás e tem muito chão para ser percorrido. Com o chá de macela a gente vai longe. E deixa os outros balões esvaziarem porque o nosso vai subir – disse. Leia mais no Blog do Altino

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Só mesmo assim

Só pega quem pode pegar

Só perde quem tem algo

Só dá quem quer

Só fica só quem se afasta

Só quer ir quem já veio

Só ficará quem não vai

Só pára quem anda

Só anda quem vai

Só sobe quem quer ver de cima

Só desce quem não sobe mais

Só vê quem quer saber

Só escuta quem presta atenção

Só sabe quem pergunta

Só responde quem escuta

Só acha ruim quem reclama

Só acha bom quem tem sorte

Só come quem tem comida

Só não come quem já comeu

Só se enxerga quem tem espelho

Só vive quem respira

Só morre quem não viverá mais

Só morrerá quem nunca existiu

Só viverá quem for lembrado

Só lembrará quem ficar vivo

Só quem sabe é quem concorda

Só com corda é que se enforca

Só se enforca quem tem pescoço

Só é enforcado quem discorda

de quem tem a forca e a corda

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Carta para Eugenio

Pegaste a nossa empregada, hein, safado (rs)! Demorei a me lembrar de ti, compadre. "Quem diabos é Eugenio?" - Pensei. Aí, lembrei. Faz uma pá de tempo né? 96, 97, se não me falha, de novo, a memória. Que bom que estás bem.
Já fui embora do Acre duas vezes. No fim daquele ano, me apaixonei, em Maringá, no Paraná, por uma linda artesã que tinha um olho de gato. Depois de quase um ano de namoro por carta e telefone, me mandei pra lá. Ficamos juntos por uns seis meses, morando em Curitiba. Certo dia, disse pra ela: Vou ali comprar cigarro, amor! Peguei o ônibus e fui em Casimiro de Abreu, Rio de Janeiro, pra ver minha mãe. De lá, fui bater no Piauí, depois segui pra Fortaleza, Ceará.

Fiquei uns oito meses. Certo dia disse pro meu patrão: Vou ali comprar cigarro, tá? Peguei o avião e voltei pro Acre. Quando cheguei, Antônio ainda estava morando naquela mesma casa, onde ficaste hospedado. E a farra continuou.

Mas não foi só farra não. Eu voltei pra fazer o marketing da campanha de um amigo que era candidato a deputado federal. Perdemos a eleição e, quando eu tava me arrumando pra pegar a estrada mais uma vez. Me apaixonei de novo.

Dessa vez foi do vera mesmo. Mas, antes de juntarmos as trouxas, ela me trocou pelo futuro pai dos filhos que ela sempre quis ter e eu não. Meu cabelo caiu, fiquei um ano em tratamento, completamente careca. Pirei.

Quase morro de depressão. Era um fungo que se alimentava de cabelo, imagina! As pessoas demonstravam um misto de pena e medo, até nojo de ficar perto de mim, de pegar na minha mão. Foi foda! Pior de tudo era ter que beber cerveja sem álcool. Fiz uma coleção gigantesca de chapéus e bonés, precisava ver.

Bem, aconteceram muitas coisas. Me tornei o chargista mais festejado da imprensa acriana. Fiz exposição de charges, publiquei livro, ganhei quatro prêmios José Chalub Leite de Jornalismo, na categoria charge... Tudo isso graças à mulher da minha vida: Soraya. Vivi com ela por quatro anos. Fomos embora pro Rio de Janeiro. Foi o fim. Disse pra ela: Vou ali, em Brasília, fazer uma noite de autógrafos e volto já! Faz três anos que moro,
de novo, em Rio Branco.

A gente precisa se reencontrar, quem sabe vou aí em Itacaré, tomar um banho de mar na Praia da Concha ou no Havaizinho, beber cerveja e saber mais de ti, né, parceiro? E contar todos os detalhes interessantes desses longos anos de história.

Fica com Deus.

Abraço do velho Braga

Candidato filho da...

O Tiririca é um ignorante, sortudo, que acha engraçado ser banguela. Agora quer ser deputado porque a mãe dele disse que é uma ideia genial. Isso também não tem graça nenhuma. Não vote nesse idiota, já tem muito energúmeno em Brasília.

Previsão de Callori

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Existência

Aqui ri,
Chorei,
aprendi
a criar
Amor,
raizes
como apui.
Ah,
criando,
Aqui
passei
a existir.
Ah, creio sim!
Ah, o Acre!...
Não existe
Lugar
Que eu ame
tanto assim.

domingo, 15 de agosto de 2010

Babanacã

Fiquei gaguejando no afã
De encontrar a palavra certa
Aspergindo boa baba na cã
brotada abaixo da boca aberta.

Sem graça, patético eu ri.
Não disse nada. Perdi a idéia.
Travado, trincado eu tremi...
Me apavorei com a platéia.

Eu que me achava o tal.
Orgulhoso, arrogante, superior
Levei uma surra de pau,
Aprendi o que diabo era dor.

Sem ver o que era evidente,
Quis ser isso e aquilo
Falastrão, boçal, inconveniente,
Chato que nem um grilo.

Oh, noite de aprendizado!
Confesso, gostei da peia.
Agora sei que calado,
Abestado não se aperreia.

domingo, 8 de agosto de 2010

Geração

Hoje é o Dia dos Pais.
Não dos homens que geraram filhos.
Hoje é dia dos pais.

Do Pai que gerou Adão,
Que gerou Caim,
Pai do homicídio

De FHC, pai do Real
Do Diabo, pai da mentira
De Maurício, pai da Mônica
De Adolph, pai da eutanásia

Hoje é dia de Santos,
Pai da Aviação
De Sigmund,
Pai da Psicanálise
De Cezar,
Pai de Brutus

Hoje é dia de Deus
E de José,
Pais de Jesus,
Que não gerou filhos

Hoje não é o dia de quem gerou
Ana Carollina, Beatriz e Pedro Otávio

É o Dia do Pai das Rumas

sábado, 7 de agosto de 2010

Focalização

Se olhos assistirem sóis
Sem se cerrarem assaz
Cílios separados e sós
Se separarão inda mais

As íris refletirão só lilás
As pupilas, só arrebóis
E as glândulas lacrimais
Não mais molharão lençóis

E os cristalinos, segundos após
Se ofuscarem com visões tais,
Serão das retinas heróis
Das córneas, memórias bifocais

E a imagem tão linda, de paz
Brilhará para sempre em nós
Marcará as cavidades orbitais
Apagará de nossa boca a voz

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Carapanã encheu, voou


Esse novo jingle da prefeitura de Rio Branco (“Foi Deus que me deu este lugar...”), não sai da minha cabeça. Pense numa musiquinha que pega a gente! Depois daqueles aedes aegypti falantes, da campanha de combate à dengue, esse é o VT institucional mais chato já criado pela CIA de Selva, agência detentora da conta publicitária municipal. Tomara que comece logo a propaganda eleitoral, pra gente ouvir coisas mais agradáveis e criativas. É bom lembrar que os mosquitos falantes voaram da mídia, mas os picantes, transmissores de uma ruma de doenças, além da dengue, continuam zunindo pelo ar.

Eu sou cristão

Eu sou cristão. Não católico, não protestante. Pecador. Creio que Deus sacrificou seu único filho, para que todo humano soubesse que é assim que Ele age, que é desse jeito que Ele quer que as coisas sejam. Eu creio no que está escrito na Bíblia. Adão e Eva, Noé e Matusalém, Daniel e os leões, Davi e Golias e na conceição imaculada. No livre arbítrio e no pecado. Nas árvores do Conhecimento e da Vida Eterna.

Não pergunte para mim porque que eu, logo eu, digo que sou cristão. Eu nunca li a Bíblia desde o primeiro livro, o Gênesis, até o último, o Apocalipse. Nunca decorei qualquer salmo de Salomão ou de Davi. Abomino atitudes belicistas em nome de Deus, sacerdotes assassinos e pedófilos e milagreiros manipuladores da fé. Eu creio que Deus esteve entre nós, na forma humana de Jesus Cristo. Entregou-se à morte para vencê-la e ressuscitar.

Claro que eu digo que sou cristão porque ouvi e li e acreditei na história de Jesus Cristo. No homem que morreu crucificado e que sua vida e sua morte faziam parte de um plano de Deus para nos redimir de nossos pecados. Creio em Deus, criador de todas as coisas e que ele me ama. Conheço, portanto sei que, quando estiver diante Dele, não terei como argumentar a meu favor, para escapar de Seu veredito.

Homens como Abraão, Mao Tse-Tung, Hitler, Che Guevara, Getúlio Vargas, Karl Marx, Massaharu Tanigushi, Buda, Kennedy, Ramses, Khomeini, Deng Xiaoping, Churchill, George Washington, Kubitschek, Cristóvão Colombo, Neil Armstrong, Napoleão Bonaparte, Gorbatchev, Isaac Newton, Einstein, Nicolau Machiavel e muitos outros também tiveram conhecimento de Deus. E usaram do livre arbítrio que lhes foi dado. E formaram suas opiniões.

Beijo no sapo

Esperei tanto esse beijo!
- Disse inda tonto, o sapo,
Por detrás do guardanapo,
Tenaz em cobrir seu aleijo.

Timidamente feliz, ele riu.
O adonte, batráquio anuro,
Outrora, descrente, inseguro
Agora, desnudo dançante no frio.

Fugaz, tão fugaz é a beleza.
Perdura por uma só juventude.
Veloz, atrevida e imatura

Com lábios, tais quais de princesa,
Num átimo, em audaz atitude,
Desmancha com beijo, feiúra.

Pedro Otávio Paiva Braga

Escrevi para meu filho, pelo seu aniversário. Publico agora.


Cara, eu tenho orgulho de ti, ó?! Porque tu existe e é o que é, eu vou sempre saber que acertei em algo nessa minha vidinha medíocre! Tu é meu! Tô contigo e não abro! E quem bolir contigo, boliu comigo. Morro, mas tu não. Apanho por ti, me lasco por ti. Nunca duvide disso!

É, neguim! Tu tá aqui, ó! Aqui, na minha veia! Aqui no meu peito, na minha mente, nos meus dedos, no meu olho, na minha mira, na minha venta, no meu choro, no meu beijo. No meu pulso. Nos meus sonhos...

Nos sonhos em que tu sempre estiveste desde o tempo em que eu nem sabia quem era tu. Quando eu simplesmente sonhava contigo. Quando eu ainda achava que sonho não se realizava. Tu tá aqui! Tatuado pra sempre na pele mais fina do meu coração.

Mas, Deus, em sua infinita sabedoria, autor de tudo que tu venha imaginar, inventor do bom humor, da alegria, do prazer e da saia justa, me criou e criou também a tua mãe. Pois é! E... parará, parará... Criou tu também.

E, por mais que o meu livre arbítrio questione Suas invencionices, tipo esse negócio de “eu te amo!”, posso fazer o quê, né, meu filho?! Vou bem eu peitar o Criador, né não?!
Eu mermo, hein!

Pois é... Então... Feliz aniversário!

Eu te amo!

terça-feira, 20 de julho de 2010

Silêncio

Não ria assim, como a pouco ria.
Não ria assim com sarcasmo e dolo
Pois fechados os lábios, até os do tolo,
Transmitem admirável sabedoria.

Olhe e aprenda com a cabeça dos sábios
Duas grandes orelhas atentas eles tem
Dois olhos que veem o que não vê ninguém
E, abaixo de um nariz, discretos dois lábios

Quando, entre os sábios manter-se assim
Vendo, ouvindo, prestando atenção
Deles ganhará respeito e amarão você

Até te arguirão com perguntas sem fim
E satisfeitos, eles certamente ficarão
Se calado, ignorante, você não responder.